9 Aprendizados para fazer A transição e criar um trabalho com significado

Vamos ver se você se identifica: Você sempre trabalhou num mesmo formato, com chefe, regime CLT, horários fixos a cumprir, em ambientes com uma estrutura “engessada” (por mais que mudasse a empresa) e com pessoas “certinhas” (provavelmente corporativo). Só que um belo dia algo começou a te incomodar e aos poucos, seu trabalho começou a não fazer mais tanto sentido. As pessoas a sua volta já não tem os mesmos interesses que os seus e valorizam coisas bem diferentes do que você. Aí você começou a sentir como um peixe fora d’agua e está angustiado. Afinal de contas, o que fazer? Já que ralou tanto e estudou mais ainda para chegar onde chegou.

[Fiz a Travessia] Larguei a carreira de modelo para ser nutricionista e ajudar pessoas!

Nome: Melissa Morimoto

Idade: 28 anos

Antes fazia: Modelo

Hoje faz: Nutricionista - Fundadora do The Ingredients Life  

Lella Sá - Por que você faz o que você faz hoje?  

Melissa Morimoto - Me interessei pela Nutrição quando ainda trabalhava como modelo, viajando pela Ásia. Em uma das viagens, decidi voltar para casa antes, pois estava insatisfeita com o meu trabalho - de tanto ouvir críticas que não eram construtivas e me deixavam muito chateada, acabei me tornando uma pessoa muito insensível e essa não é a minha essência. Sempre gostei de ajudar as pessoas e me sentir útil, mas seria muito difícil nesse meio. Então, escolhi a Nutrição, pois sabia que poderia ser útil, ajudar muitas pessoas e mudei completamente meu estilo de vida!

Lella Sá - Por que você decidiu sair da onde estava?

Melissa Morimoto - No momento que me senti infeliz, decidi parar. Primeiro porque eu não tinha vontade nem de sair de casa, muito menos de arrumar as malas e ter que me adaptar por mais 6 meses em um lugar completamente estranho e longe da família e amigos. Sinto que perdi parte da adolescência e tive que amadurecer muito rápido, então decidi refletir por um tempo até escolher a faculdade que iria ingressar. Não foi fácil, pois logo de cara escolhi estudar Biomedicina e não gostei. Desisti no terceiro ano e comecei a estudar Nutrição. Foi como dar 20 passos para trás para dar um pequeno passo para frente! Rs

Lella Sá - Como fez essa mudança?

Melissa Morimoto - Primeiro tive que pedir “demissão” das agências e conversar com o diretor da agência para avisar que não trabalharia mais como modelo. Foi uma sensação horrível, pois lembro que tinha 18 anos e meu ex-agente gritou tanto no telefone, que parecia a pior coisa do mundo. Todos disseram que eu iria me arrepender de abandonar a carreira de modelo, mas nunca me arrependi. Tive o apoio dos meus pais, mas meus amigos já não eram os mesmos, então passei um período isolada.

Lella Sá - Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Melissa Morimoto - Meus maiores desafios foram: re-descobrir quem eu era e as coisas que eu gostava e voltar a estudar. No começo foi muito difícil, mas valeu a pena cada esforço. Ver meus colegas de trabalho que continuaram viajando e bem-sucedidos enquanto eu voltava ao primeiro passo da construção de uma carreira também foi difícil - mas hoje sou muito grata pela decisão que fiz.

Lella Sá - Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Melissa Morimoto - Como eu era nova ainda, tive o apoio financeiro dos meus pais. Minha jornada de transição continua, pois após terminar a faculdade, decidi ingressar no mestrado e começar dois projetos diferentes, um deles o “The Ingredients” junto com o meu marido, que é responsável pela parte do bem-estar e atividade física. Tivemos que fazer escolhas financeiras que não foram as mais confortáveis, mas temos certeza de que valerá a pena no futuro. Prezamos muito mais a qualidade de vida do que uma vida financeira “estável”.

Lella Sá - Qual futuro você está ajudando a criar?

Melissa Morimoto - Acredito e passo adiante o estilo de vida saudável, que foge das dietas tradicionais e abrange outros aspectos que também contribuem para uma melhor qualidade de vida. Além disso, acredito na colaboração e comunicação entre indivíduos, criando grupos de apoio - é muito mais fácil iniciar uma jornada quando há apoio mútuo, pois compartilhamos experiências e dificuldades, além de explorar a criatividade criando soluções práticas na nossa rotina. Hoje em dia, tenho a impressão de que as pessoas tentam complicar muitas coisas, incluindo a Nutrição. Meu sonho é que todos entendam que a Nutrição é simples, essencial e deve fazer parte da rotina de todos. Recentemente recebi um e-mail de uma paciente que iria fazer uma cirurgia bariátrica, mas depois do planejamento alimentar acabou perdendo peso e não precisou mais, me agradecendo muito e dizendo que depois do seu tratamento, vê o mundo com outros olhos - isso não tem preço e enquanto eu estiver fazendo a diferença no presente e atingindo novas gerações, estarei extremamente satisfeita!

Lella Sá - Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Melissa Morimoto - Talvez minha dica soe um pouco piegas, mas é: siga o seu coração e sua intuição. Muitos irão te desencorajar e milhares irão sempre criticar. As críticas sempre estarão presentes, saiba filtrar as que são construtivas. Outra dica muito valiosa é sempre procurar cercar-se de pessoas com atitudes positivas, mentes criativas e inspiradoras, isso muda tudo! E claro, não desista dos seus objetivos. Sempre que penso em desistir (sim, acontece), tenho um mural no Pinterest para me lembrar os motivos pelo qual escolhi esse caminho!
 

ESSA É UMA ENTREVISTA DO PROJETO "FIZ A TRAVESSIA", UMA SÉRIE DE ENTREVISTAS PARA INSPIRAR E INCENTIVAR PESSOAS A FAZEREM UMA TRANSIÇÃO PARA SEREM MAIS FELIZES, SATISFEITAS E REALIZADAS NO TRABALHO E NA VIDA.

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[Fiz a Travessia] Saí de agência de publicidade para entrar numa cozinha

Nome: Rafael Navarini Coutinho

Antes "estava": Planejamento de comunicação em Agência de Publicidade

Hoje "está": Cozinheiro no Como Truck

Lella Sá - Por que você faz o que você faz?

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Rafael Navarini - Por que decidi buscar uma atividade que pudesse me trazer maior realização profissional, futuro, diversão, uma atividade onde pudesse sentir que desenvolvia algo mais verdadeiro e que por meio dela eu pudesse buscar autoconhecimento. Acabei encontrando e criando as condições para que isso acontecesse dentro de uma cozinha e hoje percebo que somos inseparáveis.

Lella Sá - Como fez essa mudança?

Rafael Navarini - O momento da troca, da transição foi um tanto violento, muito rápido. Sai de uma agência e menos de 2 meses depois estava em uma cozinha.

Trabalhava em uma mega agência de publicidade mas não enxergava futuro na área para mim, não conseguia me enxergar fazendo o que fazia nos próximos 10 anos. Em paralelo eu estava mais em contato com uma área que me gerava muita curiosidade e já vinha pensando em arriscar as fichas: a cozinha. Aproveitei uma conversa com minha chefe da época e pedi demissão. Me senti aliviado mas com um baita frio na barriga de arriscar em uma nova carreira. Por mais que eu já estivesse conhecendo mais do negócio de restauração por meio de estudos, conversas com cozinheiros, etc a decisão de trocar de área foi um tanto impulsiva, sem muito planejamento. Sinto que dei um tiro no escuro e acabei acertando em algum lugar do alvo.   

Lella Sá - Quais os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Rafael Navarini - Entender e aceitar uma outra realidade profissional muito diferente da qual eu estava acostumado.

Ficar horas de pé, se cortar, se queimar, ser mal remunerado, escutar chef buzinando na orelha, trabalhar aos finais de semana não parece ser muito atrativo para a maioria das pessoas. A cozinha é um ambiente mais hostil do que os lugares que trabalhei como publicitário e isso foi bem difícil de entender no começo. Lidar com essa realidade de uma forma saudável foi um pouco complicado, mas entendi que para conseguir prosperar na carreira precisava e ainda preciso passar por isso.

Lella Sá - Qual futuro você está ajudando a criar?

Rafael Navarini - Um futuro que seja diferente da realidade que se encontra, de forma geral, na cozinha. Tem gente muito boa trabalhando na área, mas com modelos muitos distorcidos na minha opinião. Há um "que" de tiranismo que prospera até hoje. Sem falar nas condições de trabalho.

Procuro fazer algo diferente para dentro e para fora do restaurante. Sendo mais transparente respeitoso e colaborativo com quem faz parte da equipe e mais justo, provocativo e inovador para quem vai comer.

Lella Sá - Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Rafael Navarini - Acho que para buscar significado no trabalho e na própria existência é necessário estar aberto para se conhecer melhor. Acredito que quem procura entrar mais em contato com seu "self" acaba entendendo melhor qual a função que as atividades que desempenha em sua vida.

Entender qual a função do trabalho na vida é fundamental para buscar uma atividade que tenha maior significado, realização.

ESSA É UMA ENTREVISTA DO PROJETO "FIZ A TRAVESSIA", UMA SÉRIE DE ENTREVISTAS PARA INSPIRAR E INCENTIVAR PESSOAS A FAZEREM UMA TRANSIÇÃO PARA SEREM MAIS FELIZES, SATISFEITAS E REALIZADAS NO TRABALHO E NA VIDA.

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[Fiz a Travessia] Larguei um ótimo emprego para viajar 380 dias e depois comecei a ajudar as pessoas a transformarem seu mundo.


Nome: Stela Anderson Romeiro

Idade: 28 anos
Antes fazia: Profissional de Marketing Analista Sênior de Produto na Categoria de Maquiagem.

Hoje faz: Facilitadora de Cursos na FazInova

Lella Sá - Por que você faz o que você faz hoje?

Stela Romeiro: Porque quero ajudar as pessoas a se transformarem e assim transformarem seus mundos. Viver melhor é algo possível e com a fórmula da vontade e com determinação conseguimos ressignificar inúmeras coisas. Facilitar este processo e estar próxima da jornada das pessoas que buscam melhorar é um privilégio.

Lella Sá - Por que você decidiu sair da onde estava?

Stela Romeiro: Minha vida começou a não fazer mais sentido. Estava perdida apesar super “encontrada”. Tinha todos os elementos pra teoricamente ser feliz mas simplesmente não estava. Me sentia presa, miserável, me perguntando se era isso mesmo que era viver. Como um rato na rodinha, era assim que me via no decorrer dos dias. Me lembro de me perguntar um dia “Então é isso? Viver é isso?”

Eu estava condenada a uma sentença de vida. Tinha tudo o que queria ter: um ótimo emprego, ótimo namorado, ótima saúde, ótima família, ótimos amigos e ótima aparência física. What else? All.

Lella Sá - Como fez essa mudança? Qual foi o processo que você passou?

Stela Romeiro: Foi um processo incrivelmente legal, cheio de dores, choros, alegrias e sentimentos que nunca pensei que pudesse ter.

Em Janeiro de 2013 voltei a fazer terapia. Em Maio terminei meu namoro de 6 anos, nós morávamos juntos. Em Setembro pedi demissão. Em 07 de dezembro parti pra América Central, iniciar meu Ano Sabático.

Foram 380 dias de infinitas descobertas. Queria viver tudo o que sonhava mas não tinha coragem de fazer. Ser um personagem do canal off, abraçar as pessoas aleatoriamente, ser cool e amorosa ao mesmo tempo, ser meio louca, me vestir de maneira horrível, não usar maquiagem, ser a versão mais feia que pudesse ser de mim mesma e agir bem com isso, estar rodeada de pessoas que antes me intimidariam por serem modernas demais e me sentir parte delas ou até mais a frente que elas, aprender mais 1 língua, ficar sem fazer ABSOLUTAMENTE nada por dias e dias, aceitar o meu corpo, fazer meditação, yoga e massagem, comer o que quisesse na hora que quisesse, conversar com estranhos, pegar carona na beira da entrada, estar desarrumada e descabelada entre MUITAS outras coisas.

Passei 3 meses no Panamá, 1 na Costa Rica, 3 na Nicarágua, 2,5 na Europa, 1 na Rússia e 1 em um Mosteiro no Nepal.

Nesse link dá pra saber um pouco mais sobre as experiências

Lella Sá - Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Stela Romeiro: Parece ser fácil e/ou muito legal fazer tudo isso que citei, mas são desafios ENORMES! Quando queremos mudar um padrão habitual do nosso comportamento, precisamos transformar uma série de preconceitos em novos conceitos e ir aplicando aos pouquinhos cada um destes testes. Não é do dia pra noite que essas mudanças acontecem. Ficamos inseguros, perdemos o chão. Nossa crença anterior, apesar de não ser mais desejada, era o que nos constituía. Deixar de ter pra construir uma nova é como estar agarrado em um tronco no meio de uma corredeira d’ água e decidir nadar pra pegar outro. Nesse meio tempo nos sentimos perdidos, com medo. Perde-se a referencia. E nesse ano me forcei (no ótimo sentido) a buscar muitos e muitos outros “troncos”. Na maioria dos casos posso dizer que agarrei em um melhor. Mas em outros fui e voltei ou me perdi pelo caminho, chegando a me afogar e perder o ar por alguns minutos. Mas sobrevivi!

Lella Sá - Como ficou a questão de grana em meio a incerteza? 

Stela Romeiro: Felizmente sempre economizei dinheiro. Quando saí do meu emprego tinha uma boa poupança pois planejava comprar um apartamento com meu namorado. Eram 70 mil reais. Como sou jovem e não tenho filhos, decidi usar a grana pra fazer a viagem. E acabei gastando apenas 40 mil, valor do carro que vendi antes de partir.

No meio do caminho decidi não pensar sobre grana no sentido futuro de quando eu voltasse da viagem. Isso só ia fazer com que não estivesse presente e fosse totalmente uma vã pré-ocupação.

Durante a viagem pensava na grana  mas não fiquei neurótica. Como a maior parte do tempo estive na América Central (muito barato), pude viver com $20 ao dia e assim sabia que gastaria menos do que o planejado. Então consegui curtir tranquila a viagem.

Já quando eu voltei, pensei em grana, claro. Ainda tinha o suficiente pra viajar de novo se quisesse ou pra ficar aqui em SP sem trabalhar por 1 ano. Isso foi bom, porque me deu tempo de readaptar tranquilamente e procurar trabalho sem desespero.

Mesmo porque eu queria algo com significado, que fizesse parte de mim e que não fosse apenas “trabalho”.

Lella Sá - Qual futuro você está ajudando a criar?

Stela Romeiro: Poxa, espero que um futuro onde as pessoas sejam mais gentis consigo e assim com os outros. Um futuro de respeito aos ritmos e vontades de cada um pois é com a diversidade que enriquecemos de verdade. Um futuro de silêncio seguido de conversar. De play e pause. De vibração e calma. De cuidado e amor.

Amo conversar e tentar ajudar as pessoas. Como minha jornada de autoconhecimento foi muito profunda e intensa, além de autodidata, dar conselhos se tornou uma coisa muito natural e que faço com enorme prazer. Saber que isso pode ser a principal ferramenta de meu trabalho é ainda um sonho com um começo de realização recente. Quero continuar “trabalhando” pra que o melhor aconteça.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Stela Romeiro: Pode parecer clichê, mas é clichê por alguma razão: Ouça seu coração. Sei que você abafa ele muitas vezes por diversos motivos, todos importantes. Mas aquela voz que não se deixa calar e fala baixinho com você na madrugada ou antes de dormir, é sábia e é sua amiga. Ouça, converse com ela. Veja que concessões está disposto a fazer. Se sentir que tem que ser rápido, faça. Se tiver que ser devagar, de tempo ao tempo. Respeitar o processo é fundamental. Não se cobre demais. Dificilmente seremos 100% em todos os aspectos da nossa vida. Somos seres limitados, não tem jeito. Punir-se pelos 40 ou 60% não leva a muita coisa. Vale analisar as prioridades e tentar pouco a pouco mudar o que você acha que te fará sentir melhor. Pequenas conquistas de pequenos grandes desafios nos fazem sentir em movimento e geram confiança. Seja gentil consigo e dê a mão pra você. Seja seu melhor amigo. Queira o seu bem. Respeite-se. <3

Para saber mais curta a minha página no facebook ou fale comigo por email.
 

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida.

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[Fiz a Travessia] Saí da área de sustentabilidade do Itaú para criar uma PELADA para a mulherada

 

Nome: Julia Vergueiro

Antes fazia:  área de Sustentabilidade do Itaú (onde fui trainee e depois analista)

Hoje faz: Sócia diretora do Pelado Real Futebol & Arte

 

Lella Sá: Por que você faz o que você faz?

Julia Vergueiro: Não só me satisfaz como pessoa e profissional, como contribui direta e indiretamente, de forma positiva, na vida de outras pessoas.

 

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Julia Vergueiro: Eu sempre fui apaixonada por futebol e sempre tive muita clareza dos benefícios que esse esporte tinha trazido pra minha vida pessoal e também pra minha carreira. Queria que muitas outras mulheres tivessem essa experiência, mas não sabia como. Quando descobri que existia um caminho, não precisei pensar muito. Sabia que seria um desafio, mas até hoje tenho certeza que valeu a pena.

 

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Julia Vergueiro: No começo são os mesmos desafios de qualquer grande mudança na vida, pois não é fácil mesmo sair da zona de conforto, do lugar comum. Muda a rotina, mudam os relacionamentos, mudam os desafios. Depois que essa fase passa, tem as complicações diárias de qualquer negócio, que quando a gente é funcionário não costuma enxergar, mas é gratificante ver que, conforme você se movimenta, as coisas acontecem. Depende muito mais de você.

 

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Julia Vergueiro: É um modelo diferente de receita. Como disse, depende mais de você, não tem aquele conforto de, independente do quanto você trabalha naquele mês, o salário vai pingar igual. Mas eu acho isso bem mais motivante, só que precisa de paciência pra entender que é um novo processo, às vezes lento, até a coisa engatar de vez e você começar a tirar tudo o que gostaria em termos financeiros.

 

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Julia Vergueiro: Estou ajudando a formar mulheres mais empoderadas e confiantes e uma sociedade mais justa, igual, tolerante e segura pra todo mundo.

 

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Julia Vergueiro: Vá e faça. Quando você quer fazer acontecer, acontece. Não é uma questão de "dom", é uma questão de coragem e vontade.

 

Para saber mais veja o vídeo e curta a fanpage

 

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[Fiz a Travessia] Saí da indústria farmacêutica para ajudar a empoderar as pessoas

Nome: Giselle da Silva Cabral
Antes fazia: Gerente de Vendas na Indústria Farmacêutica, até  começo de 2014
Hoje faz: Consultora de Estilo e Imagem Pessoal/Persona Stylist

Lella Sá: Por que você faz o que você faz?

Giselle Cabral: E se eu te falar que aconteceu? Sempre fui muito curiosa. Todo começo de ano separo um budget pra fazer um curso novo e conhecer gente. Como 99% do público pro qual eu trabalhava era feminino, fazer um curso onde teria maior habilidade em unir informação e ainda poder usar isso como uma ferramenta para ajudar a empoderar as pessoas, me deixou super animada!
 

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Giselle Cabral: A mudança aconteceu naturalmente. não tinha previsto trabalhar fora da indústria farmacêutica tão rápido, até porque a minha fase profissional era ascendente. Pra mim era só mais um curso que eu estava fazendo. Mas eu fui demitida. Nesse meio tempo eu estava fazendo um "estágio" como personal stylist. Foi nessa época que a até então colega de curso (Andrea) me convidou pra trabalharmos como parceiras. Cheguei em casa, conversei com o Otávio, meu marido, e senti que era a hora de tentar.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Giselle Cabral: O maior de todos os desafios foi a mente. Se você não coloca a mente em ordem, ela joga contra!  Abrir mão dos benefícios da indústria farmacêutica com a incerteza de estar ingressando num mercado novo e a falta de dinheiro foram as maiores sombras.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Giselle Cabral: Como disse anteriormente, eu não havia me preparado, tive um desfalque três meses antes do esperado, mas também tive meu marido ao meu lado, sempre parceiro, que deu todo o suporte (financeiro e  psicológico). Se tem uma coisa que eu tenho a dizer pra ele, é o quanto eu sou grata!

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Giselle Cabral: Meu desejo é que todas as mulheres percebam o quanto elas são únicas e que estamos todas conectadas. Não precisamos ser tão críticas com nós mesmas e com as outras mulheres. Podemos aceitar quem somos e temos que aprender a nos conectarmos com a nossa autoestima e com o nosso eu, por que pra mim, esse é o estado de felicidade.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Giselle Cabral: A minha inquietude sempre fez com que eu me questionasse colocando meus valores em pauta. Meu pensamento sempre foi o de olhar pra daqui 20 anos e perceber se o que eu estava fazendo hoje fazia sentido e se de alguma forma estava criando uma marca positiva nas pessoas ao meu redor, por que pra mim essa marca retorna pra nós como um desatador de nós de algo que não ficou tão claro na nossa caminhada. Eu acredito em formas de autoconhecimento, sejam elas terapia, coaching, curso de teatro, individual ou em grupo.

 

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida.

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[Fiz a Travessia] Saí de Agência Digital para encorajar empreendedores a criarem sua reputação no mundo online

Tenho percebido que as pessoas que trabalham na área de comunicação são as que mais me procuram para ajudar no processo de transição para criar um trabalho com mais significado.

Por isso que hoje, a entrevistada é a Mayara Castro, jornalista e grande parceira no Radar, um programa que cocriamos junto com o Diego Mouro. O Radar é um processo para empreender a própria vida com autenticidade e autonomia através do autoconhecimento, posicionamento e expressão. 

Ela  ressignificou o papel da comunicação na sua vida e também o papel da comunicação digital na vida das pessoas. Aprendi com ela como me posicionar para expor o que acredito e valorizo. Como está dando certo (e estou feliz da vida por isso), decidi compartilhar a história de como ela fez a sua transição. 

Nome: Mayara Castro

Antes fazia: Coordenava o núcleo de comunicação online de agência digital  

Hoje faz: Encoraja pequenos empreendedores a criar sua reputação no mundo online de forma independente, estuda locução e se dedica integralmente ao exercício de empreender a com autonomia e liberdade. 

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Mayara Castro: Autonomia nunca foi uma palavra estranha pra mim.

Em meus ambientes de trabalho, sempre tive espaço para ousar. Sorte a minha, meus chefes sempre me deram liberdade para criar e responder pelas minhas criações. Mas, o que sempre chamou atenção deles não era exatamente as minhas ideias, mas a facilidade que eu tinha de me expor a diferentes situações e a praticidade de tirar as ideias do papel e fazer o que precisava ser feito.

Meu pai, também autônomo, sempre me ensinou que liberdade se conquista com responsabilidade. Essa é, até hoje, a sua única e poderosa lição de moral.

Em janeiro de 2014, depois de dois anos representando uma empresa, resolvi abrir as asas para uma nova realidade: empreender com o objetivo de ser reconhecida por quem sou e não pelo o que faço e oferecer o que eu tenho de mais valioso a pessoas que não só precisam de mim, mas vice-versa.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

 

Mayara Castro: Tinha clareza de que não queria ser um robô que produz conteúdos, como eu fazia antes. Queria mais.

Mais tempo livre que me permitisse estar conectada a mais pessoas.

Mais autonomia para fazer escolhas assertivas.

Mais liberdade para oferecer caminhos alternativos para quem precisa do meu trabalho e assim, ter mais tempo para cuidar do que é meu.  

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Mayara Castro: Sou uma pessoa curiosa e ativa, por isso, sempre estive ao lado de pessoas muito diferentes entre si. Gosto disso. Mas, "como estar envolvida verdadeiramente com vários projetos ao mesmo tempo?" era a pergunta que não queria calar.

Pouco a pouco, após algumas sessões de coaching com a Lella, entendi que podia oferecer meu trabalho da mesma forma que fazia antes, mas mudando o formato.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Mayara Castro:  Na estaca zero, tive que criar metodologias, plano de negócio, formas diferentes de oferecer meus serviços, estratégia de divulgação. Ou seja: colocar a mão na massa.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Mayara Castro: Tive que contar com ajuda da família e amigos, apoio moral e financeiro. Mas, dia após dia, fui sentindo o efeito do meu trabalho. E junto com ele, as regalias de ser autônoma.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Mayara Castro: A trabalhar em casa ou, tão bom quanto, em cafés pela cidade.

 

A oferecer atendimentos com o sorriso sempre estampado no rosto.

A criar em horários improváveis, sem restrições.

A sentir prazer com o novo.

A criar relações melhores.

A pegar menos trânsito.

A cozinhar.

A praticar esportes.

A dormir melhor.

etc.

Hoje, não tenho dúvidas que essa foi a melhor escolha que fiz.

Meu objetivo é ajudar as pessoas a se comunicar melhor.

Quem quiser conhecer melhor o que eu faço, pode acessar o site www.arayam.com (mayara ao contrário) ou www.radar.wtf e também participar do workshop "Fortalecendo sua identidade digital" em São Paulo no dia 8/10. 

Já falei e repito: a melhor forma de te ajudar a expressar o que importa é oferecendo autonomia para que você arregace as mangas e se empenhe em buscar o seu lugar ao sol. Desenvolver autonomia significa: mergulhar fundo em sua identidade para resgatar tudo o que você precisa para se expressar com verdade. Resumindo: praticar o exercício de ser você mesmo te ajuda a chegar lá.

E vou dizer: no final, é muito gratificante ver gente que a gente admira sendo admirado por cada vez mais pessoas e recebendo todo o mérito por essa conquista!

Lella Sá: Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Mayara Castro:

  • Clareza da sua necessidade atual

  • Coragem para sair do automático

  • Confiança em suas habilidades e talentos

  • Humildade para enxergar que os erros são oportunidades de crescimento

  • Relações transparentes com clientes, parceiros e amigos

  • Pessoas com quem você possa contar, seja para pedir apoio moral ou crítica construtiva

  • Clareza de que você não está fazendo bem só a si mesmo

  • Consciência de que a transformação é uma constante

A Tração da Mudança: Gerindo suas relações e os ambientes que frequenta

Se passamos a maior parte da nossa vida trabalhando, por que não estar rodeada de pessoas que nos fazem bem?

Dependendo do ambiente em que está, as pessoas podem ao redor podem tanto te incentivar a criar mudanças significativas e melhores na sua vida , como podem trazer pensamentos duvidosos cheios de medo, que desencorajam a sua ação. Por isso que é tão importante escolher os ambientes e as pessoas que incentivam o crescimento e a melhoria contínua de todos.

O que faz a gente querer viver uma vida mais feliz é o sentimento de autorrealização que vem geralmente quando estamos com pessoas que nos fazem bem e frequentamos lugares que nos energizam.

Somos merecedores de boa companhia e ambientes maravilhosos. Podemos estar rodeadas diariamente por pessoas que realmente importam para nós e que também nos inspiram a ser uma pessoa melhor. Isso significa que também podemos e devemos estar com essas pessoas e nesses lugares durante o trabalho.

O trabalho é mais uma esfera na nossa vida que podemos aplicar nossa missão de vida, exercer a nossa contribuição única e fazer uma diferença no mundo. Se passamos a maior parte da nossa vida trabalhando, por que não estar rodeada de pessoas que nos fazem bem?

Um jeito de descobrir quem são essas pessoas e esses lugares que podem te energizar e ajudar a criar um trabalho com significado e uma vida com propósito é listando os seus valores, aquilo que você preza, para depois lembrar quem também pensa assim.

Quando eu entendi que eu sou responsável por criar a realidade que desejo viver tendo um trabalho com significado e um estilo de vida alinhado com meus valores, aprendi que:

Vida e trabalho são uma coisa só: Por isso não há razão em separar as relações e os ambientes. Todas as pessoas e os lugares que você frequenta podem ser alinhados com seus valores e com aquilo que deseja viver e criar para o seu futuro.

Criar parcerias com quem nos inspira: É uma forma de aprender como essas pessoas, que trabalham com o que amam, pensam e se comportam. A partir da convivência fica mais fácil seguir seus passos e adquirir competências e atitudes que elas tem.

Frequentar ambientes alinhados com aquilo que desejamos viver: nos ajudam a encontrar pessoas que pensam e agem como a gente.

O ritmo de vida saudável vem quando acontece um alinhamento com os valores pessoais: A busca pela coerência do que falamos com o que fazemos nos ajuda nesse processo. Além disso estar em contato com pessoas com a mesma visão de mundo em ambientes que nos alimentam contribuem para um ritmo mais saudável. 

A transformação é um casamento de uma transição interna com mudanças externas: Quando as coisas mudam internamente acabamos agindo de outra forma, damos valor a outras relações, fazemos outras atividades e frequentamos lugares novos.

A responsabilidade de mudar o que nos insatisfaz é de cada um de nós: Ambientes e pessoas nos ajudam no processo de mudança mas sem a vontade interna, nada se transforma.

Sabendo que falar é mais fácil que fazer, criei alguns exercícios que podem te ajudar a entender melhor, na prática, como criar uma tração na sua mudança através do gerenciamento das suas relações e dos ambientes que frequenta.  

Fiz um PDF especialmente para quem não está frequentando ambientes tão bacanas e nem está rodeado de pessoas que as inspiram. Lá você encontra uma explicação mais detalhada da ferramenta “Gerindo relações e alinhando ambientes com os valores vida” e exercícios que podem te ajudar a começar esse processo. Para baixar o PDF, basta clicar nesse link.

E para quem quer apoio nesse processo. pode participar do Programa Travessia e fazer isso junto comigo.

Conheça a Matriz Mix de Serviços: monetizando seu trabalho com significado

No processo de transição para um trabalho com mais significado você mergulhará num processo de autoconhecimento. Primeiro você vai identificar seus talentos, paixões e valores. Depois disso, você vai começar a sonhar com a realidade que deseja viver. Um bom caminho para quem quiser empreender a sua própria vida e expressar sua autenticidade, é oferecer o que tem de único e criar formas de entregá-lo para quem o necessita. 

Existem várias formas de transformar as suas habilidades em serviços que podem ser monetizados. O que interessa é criar uma variedade de formatos que suprem necessidades diferentes. Dessa forma você atenderá vários perfis do seu público alvo. O que você precisa é criar o seu mix de serviços. 

A criação do seu mix de serviços pode te trazer uma maior tranquilidade de como terá uma estabilidade financeira!

Isso não significa que não dá medo de começar a fazer a transição. Por que dá. Medo é natural, medo faz bem e só significa que você está crescendo. 

Como essa também é uma necessidade minha, fui pesquisar o que eu precisava fazer ter uma renda mensal baseada nos meus talentos e de forma independente. Busquei entender a natureza por trás dos produtos e serviços bem sucedidos e veja o que eu percebi:

O momento da compra depende do que é oferecido: O serviço pontual é diferente do serviço recorrente. Enquanto um tem começo, meio e fim o outro é cíclico, ou seja, a participação da atividade é determinada por isso.

Não há uma dependência de uma única fonte de renda: As atividades podem ser viabilizadas de várias formas. O serviço pode ser financiado por apenas um cliente ou por vários, oferecendo serviços para empresas e também diretamente para o consumidor final. (B2B ou B2C).

Serviços beneficiam grupos e indivíduos: Existem diversos formatos com propostas de valor diferenciados para criar impactos distintos.

Os conteúdos são personalizados e padrão: Quando a necessidade é tornar a iniciativa conhecida criam formas de oferecer algo padronizado. Quando a necessidade é desenvolver e aprofundar optam por serviços personalizados para fidelizar um grupo de clientes.

Já que ter uma estabilidade financeira e monetizar serviços é uma necessidade de muita gente além da minha, criei uma matriz baseada nos princípios acima para que você possa desenhar seu mix de serviços.

Essa matriz foi muito útil para mim e hoje é a minha principal ferramenta para ajudar as pessoas a fazerem uma transição e desenvolverem sua autonomia. Quando eu preenchi a matriz, consegui criar serviços recorrentes como meus atendimentos no formato plantão de dúvida e os pontuais como o  Programa Travessia e o Radar ou os workshops mais curtos como a Bússola Interna e o Seu Mapa

É importante dizer que ter clareza do seu mix de serviços não significa disponibilizar todos de uma só vez. É preciso que o serviço chegue numa mínima maturidade para lançar outros. Desenvolver um olhar estratégico te ajudará a entender o que é preciso fazer espaçado no tempo. Eu, por exemplo, resolvi esperar para lançar meus serviços recorrentes no site, hoje eles só acontecem com quem já passou por algum serviço pontual comigo.

Fiz um PDF especialmente para quem não está sabendo como monetizar seu trabalho. Lá você encontra uma explicação mais detalhada da ferramenta Mix de Serviços e exercícios que podem te ajudar a começar esse processo. Para baixar o PDF, basta clicar nesse link


E para quem quer fazer junto comigo, pode participar do Programa Travessia.  

[Fiz a Travessia] Preferi empreender do que trabalhar numa corporação

Nome: Laíssa Cortez Moura

Antes fazia: Coordenadora de Atendimento/ Trainee

Hoje faz: Empreende a Vekante Educação e Cultura

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje? 

Laíssa Cortez Moura: Sempre tive muita vontade, em fazer um trabalho que ajudasse as pessoas. Desde pequena participo de uma ONG (CISV), e ver a transformação nas pessoas sempre me fascinou. Acabei descobrindo que a educação é minha grande paixão. Foi então que no começo de 2015, conheci meu sócio. Apaixonado por educação, cultura, percebemos que tínhamos muitas vontades em comum. E foi então que decidimos abrir a Vekante Educação e Cultura, que em Esperanto significa, acordar, despertar. E é isso que queremos. Que as pessoas despertem pro mundo e que vejam possibilidades.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Laíssa Cortez Moura: Nos últimos três anos, minha vida mudou muito. Logo que saí da faculdade, resolvi que queria ser Trainee, pelo desenvolvimento oferecido, por poder conhecer uma empresa do "começo ao fim" e ter um salário interessante. Foi então que entrei no Trainee das Lojas Riachuelo. Foi uma experiência INCRÍVEL! Tive ótimos treinadores, minha gerente foi uma super professora. Os colaboradores me ensinaram muito. Mas percebi que ficar dentro de um "escritório" 6 dias da semana, na média de 12 horas por dia, não era para mim. Sentia que precisava aprender mais, viver mais, ter experiências reais com várias pessoas. E foi então que resolvi sair, sem ter nada em mente. Na época, estava fazendo um curso de Inovação, na então nova startup da Bel Pesce, FazINOVA. Foi um curso muito legal, conheci pessoas que me abriram os olhos, "validaram" a minha saída do trainee. E percebi que realmente o mundo tinha muito mais a me oferecer. Ao final do curso, eu e a Bel, tínhamos uma relação muito boa. E acabei sendo contratada, para ser a primeira funcionária. Fiquei muito energizada! Ter a oportunidade, de ajudar a criar uma empresa do zero, montar equipe, aprender com talentos de diversos lugares, desenhar produtos, experiências, planejar viagens. Aprendi demais! Amava meu trabalho. Mas tinha uma certa pulguinha atrás da orelha. O lado social, transformador, sempre me chamava. A cada oportunidade estava no CISV, ajudando em alguma ação. Foi então que percebi, que apesar de estar em um lugar incrível, ainda me faltava a transformação real. Com algumas mudanças e a empresa bem mais sólida, acabei saindo.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Laíssa Cortez Moura: No começo foi bem difícil. Estava certa do que queria. Mas ouvi muitos questionamentos. Como alguém tem um trainee nas mãos e abandona? Como pode ter um super salário e ir trabalhar em uma startup? Como assim você saiu sem ter nada em mente? Muitas vezes me peguei pensando, se tudo que fiz valia a pena. Em meio a essa confusão! Percebi que a minha paixão era o que fazia na ONG. No começo foi difícil aceitar que era educação. Crescemos ouvindo que professor, não é valorizado, que ganha mal, e etc. Mesmo tendo excelentes exemplos de professores, não vou mentir que bateu o medo. Para onde é que vou parar na educação. Minha familia, me ajudou MUITO! Me apoiaram e sempre torceram para as minhas conquistas.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Laíssa Cortez Moura: Acredito que a mais difícil foi o fator dinheiro. Consegui me sustentar por um bom tempo depois da faculdade. Mas me vi tendo que pedir ajuda e arrego novamente aos meus pais. E as vezes o orgulho bate nessas horas. E os questionamentos chegam, SERÁ? Será que fiz certo?

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Laíssa Cortez Moura: Como comentei acima, a questão da grana sempre pegou. Na verdade ainda pega. Não tem como ganhar o que eu ganhava, ainda, com a nova empresa! Mas a vontade de trabalhar é muito maior. Quando você faz um projeto e vê o poder de transformação que ele tem, é uma sensação indescritível. Estou no meu momento de plantar. Estou plantando muito! Cada escolha, tem suas consequências. Mas mesmo assim, não me arrependo de nada que fiz.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Laíssa Cortez Moura: Sei que dizer que o futuro vem com a educação é clichê. Mas hoje consigo ver, quantas pessoas estão realmente trabalhando para que tenhamos uma educação melhor. Que o sistema mude, que comecem a ver a criança e o adolescente como ele é. Estamos em alta com a "Pátria Educadora", com os olhares em cima de sistemas mundiais, como a Finlândia, entendendo e conhecendo estudos sobre competências sócio emocionais. E sei, que será um processo longo de mudanças, não chegamos onde estamos ontem. Foi um processo muito longo. E demanda um tempo para que as ideias de hoje, escalem. Mas quero uma escola, uma educação. Onde as crianças possam ser crianças, tenham tempo para brincar e entender o quão importante é, para o desenvolvimento. Ter adolescentes menos ansiosos e mais seguros, que a aquela grande decisão, não será a única na sua vida. Entender que o erro, faz parte do processo. E estamos nesse mundo, para cumprir nossa missão. Mas essa missão, não é só uma. São várias, que vamos descobrir ao longo do caminho.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Laíssa Cortez Moura: Se escute! O corpo e a mente, sempre dão sinais de que algo não vai bem. Se você não tem mais entusiasmo pelo seu trabalho, se começar a adoecer, se não tem mais aquele orgulho de dizer para os outros o que faz. Pare! Pense! Descubra dentro dos seus hobbies suas paixões. Entenda que se você faz aquilo como voluntário, aos finais de semana ou tem o maior prazer em ajudar alguém. Isso tudo pode virar um ofício.

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

Leia outras entrevistas nesse link.

 

[Fiz a Travessia] Troquei o cargo de redatora publicitária para ser celebrante de casamentos

Nome: Ilana Reznik

Idade: 30 anos

Antes fazia: Redatora publicitária

Hoje faz: Celebrante de casamentos personalizados. Cria e conduz cerimônias inspiradas na história e na identidade do casal.

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Ilana Reznik: Por que eu senti como um chamado, como se fosse mesmo a minha missão aqui. Algo inexplicável. Eu era feliz trabalhando com publicidade, mas pensava sempre que queria um trabalho com mais significado. Que um dia ia aparecer alguma coisa grandiosa pra mim. Então, quando duas amigas decidiram se casar e não tinham quem fizesse a cerimônia de casamento delas, eu me ofereci pra fazer. Eram duas mulheres e nenhum celebrante religioso ou civil faria. Nessa hora eu pensei em todos os casamentos que eu já tinha ido e que tinham me frustrado pela mesmice, pela falta de personalidade. Então, achei que poderia criar uma cerimônia diferente pra elas duas, inspirada na história de amor do casal. Escrevi o texto, conduzi a cerimônia e aí senti o chamado. Não foi uma sensação de ter encontrado o trabalho dos meus sonhos, mas de ter sido encontrada por ele, porque realmente, não foi uma coisa planejada, foi absolutamente intuitiva. Era algo com significado, como eu desejava, juntando a escrita, a criatividade e o amor. Os três pilares que sempre me guiaram.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Ilana Reznik: Porque quando eu celebrei o meu primeiro casamento, eu entendi que essa função fazia muito mais sentido pra mim, pra minha personalidade e pros meus ideais, do que a publicidade. Eu gostava de ser redatora publicitária porque eu adorava escrever, mas não agüentava mais o modelo de trabalho de horário comercial, me frustrava ver tanto tempo de trabalho sendo desperdiçado com campanhas nunca aprovadas pelo cliente e o mais importante: eu não tolerava mais trabalhar pra pessoas cuja índole e caráter eram duvidosos. Tive alguns chefes muito inspiradores na vida, mas a maioria me desestimulou completamente com uma gestão ineficiente e com práticas de assedio moral intoleráveis.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Ilana Reznik: Bem, entre a minha primeira experiência como celebrante e o meu pedido de demissão, passaram-se 2 anos e meio. Mas a partir desse primeiríssimo casamento, eu comecei a espalhar pros amigos que estava trabalhando como celebrante. Pedia pra eles divulgarem pra mais amigos, passei a preencher todas as fichas de médicos e hotéis como “Celebrante de casamentos”, me apresentava assim pra qualquer pessoa nova que eu conhecesse. Eu fui internalizando a mudança, de forma muito natural. Fiz um site e alguns casais começaram a aparecer. Como eram poucos ainda, eu conciliava com a vida em agência. Mas cada vez mais a minha cabeça e a minha energia estavam fora. Então, em janeiro de 2013, com 4 casamentos agendados pro ano só, eu pedi demissão pra tocar essa nova vida. Sabia o quanto eu queria que desse certo e sabia que o sucesso seria diretamente proporcional à energia direcionada nessa direção. Eu tinha que arriscar. O que poderia acontecer de pior? Eu não ter casal nenhum interessado e ter que voltar pra agência? Tudo bem, eu correria esse risco. Coloquei uma meta pra mim: conseguir realizar 12 cerimônias neste primeiro ano. Internamente, mesmo sem grande retorno financeiro, eu entenderia que estaria no caminho certo. Fiz 15 cerimônias. Tudo que eu mentalizava acontecia. Nesse sentido, a minha ligação com a espiritualidade foi um suporte muito poderoso para a minha transição. Eu tinha muito mais confiança do que medo. E uma certeza irracional de que se parecia tão especial, não tinha como dar errado.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Ilana Reznik: São muitos desafios quando você decide empreender. Muitos. Incontáveis. Vamos lá: em primeiro lugar, eu não sabia se haveria demanda de mercado pra minha nova profissão. Não sabia se haveria muitos casais interessados em ter uma cerimônia de casamento customizada, pessoal e afetuosa. Não sabia como as pessoas à minha volta, amigos e familiares, iam interpretar essa mudança. Se eu teria o respeito deles ou não. Por ser um trabalho original, tinha medo das pessoas acharem que era uma piração total e não algo que eu estava encarando com tanta seriedade. Depois tem os desafios de ter o seu próprio negócio, administrar seu próprio tempo, conseguir trabalhar de casa, conseguir desempenhar funções que eu não tenho tanta aptidão (parte administrativa e financeira). E, por último, eu não tinha um referencial. Não tinha um profissional que eu admirasse e pudesse seguir sua carreira como exemplo, eu estava criando tudo do zero, com base no que eu achava interessante. Então, dois grandes desafios foram desenvolver uma metodologia pro meu processo e conseguir precificar de maneira justa.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Ilana Reznik: O primeiro ano como celebrante e até parte do segundo foram de investimento. Cobrava um valor abaixo do que eu imaginava ser o justo porque queria ter volume, queria me fazer conhecida, entrar no mercado. Então, vivia com o que eu tinha juntado nos anos como redatora e nos mil freelas que eu já tinha feito. A sorte é que eu não precisei de investimento financeiro pra abrir esse novo negócio. Meu site foi totalmente feito por pessoas queridas, de graça. Não precisei investir em máquina, produto, curso, nada. Era só o meu tempo e a minha dedicação. Quer dizer, eu não estava ganhando muito, mas também não estava tendo muitos gastos.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Ilana Reznik: Eu sou uma pessoa que acredita no amor como filosofia de vida, como movimento, como parte fundamental de quem a gente deve ser. Não acredito em nenhuma revolução que não venha pelo amor. Como celebrante de casamentos, estou constantemente envolvida no tema, nessa atmosfera amorosa, sendo um canal de amor e afeto, conduzindo uma cerimônia que reflita a história e a identidade dos casais, num dia absolutamente feliz pra eles. Não gosto quando as pessoas fazem as coisas no automático, quando apenas reproduzem determinados comportamentos sem pensar se aquilo faz ou não sentido pra elas. Então, ajudo a criar uma cerimônia que realmente faça sentido. Inclusive, no processo de produção da cerimônia, faço alguns encontros com os casais e proponho reflexões sobre estar junto, sobre relacionar-se, sobre amor, família, casamento, pra que eles entrem inteiros nessa jornada - que é o casamento - conscientes dela. Uma vez eu li uma frase do Zygmunt Bauman que diz que amar é contribuir para o mundo. Gosto de fazer os casais pensarem em qual é a sua contribuição. E penso, diariamente, na minha.

Lella Sá: Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Ilana Reznik: Sinto que uma boa dica é olhar com carinho pra nossa própria linha do tempo. Se pensarmos em quem a gente queria ser quando crescesse, quando tínhamos 8 anos, teremos boas pistas do que nós fará felizes hoje. Devemos olhar com carinho pras nossas aptidões, pros nossos desejos e olhar com compaixão pros nossos medos e limitações. Está tudo na nossa linha do tempo, na nossa história. Pensando no meu caso: eu sempre gostei de escrever e, mais do que isso, de comover as pessoas com o que eu escrevia. Sempre vi a possibilidade criativa como um estímulo, eu não conseguiria trabalhar com algo que não demandasse criatividade. E sempre tive o amor e os relacionamentos (de qualquer natureza ) como objetos centrais das minhas reflexões e dos meus textos. Não faz sentido eu ser celebrante de casamentos? Acho que faz. Sinto que faz. O que mais não pode estar escondido (ou nem tão escondido assim) na nossa própria trajetória?

E confiar, sempre.

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida.

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

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[Fiz a Travessia] Larguei o cargo de gerência de uma corporação para ajudar mulheres a se colocarem no mundo de forma integral

Nome: Luiza Carvalho Paterno Gadelha

Antes fazia: Gerente de Marketing Interior de São Paulo - Empresa Amil Saúde até Maio de 2013

Hoje faz: Cursos no Projeto Caminhada Reflexão e Arte ,  o principal objetivo dos cursos é ajudar as mulheres a se colocarem no mundo de forma integral e alinhar seus valores através do autoconhecimento e autodesenvolvimento utilizando conceitos da antroposofia.

Lella Sá - Por que você faz o que você faz? 

 

Luiza Gadelha -Sempre gostei de trabalhar com pessoas. Foram quase 20 anos organizando eventos de marketing para grandes marcas corporativas. Quando parei para pensar nessa longa trajetória, percebi que estava levando uma vida corrida onde trabalho, família, marido e duas filhas se confundiam. Comecei, então, uma caminhada em busca de profundidade nas relações e respeito aos ritmos naturais.

A responsabilidade que eu sentia por ter que educar minhas duas filhas me levou a começar uma grande jornada em busca de meu autoconhecimento. Enquanto pesquisava  uma boa escola para minhas filhas conheci a escola Waldorf e a Antroposofia, filosofia que respeita os ritmos de nosso, corpo, mente e alma. Comecei a me aprofundar nestes conceitos iniciando um caminho de grandes descobertas.

Aproveitei minha  licença maternidade para me aprofundar em antroposifia e fazer um curso biográfico, que  me ajudou a  olhar para a minha trajetória de vida, minhas conquistas, meus desafios e ter mais consciência de minhas habilidades, e perceber quais atitudes eu precisava desenvolver .

Depois do processo biográfico vi como é importante conhecermos nossa história com um olhar mais humano e nos apropriarmos de nossa vida. Entendi que precisava melhorar minhas  relações profissionais me formei como Consultora Interna e Líder Facilitadora na Adigo - Apoio ao Desenvolvimento de Indivíduos, Grupos e Organizações.

Hoje descobri que meu propósito é trabalhar com pessoas, principalmente mulheres com as quais eu possa compartilhar meu aprendizado para que cada uma delas possa transformar e fazer a diferença em sua própria vida.

Foi  através do autoconhecimento que encontrei um novo caminho para a minha vida. Por isso, acredito no poder da transformação. Quando temos  nosso propósito bem alinhado com nossos valores de vida, conseguimos conquistar a nossa prosperidade. 

Lella Sá - Como fez essa mudança?

Luiza Gadelha - A  ideia do projeto Caminhada Reflexão e Arte nasceu em 2009, quando comecei minha jornada para o autoconhecimento.  Entendi que eu adoro estar com pessoas e naquele tempo sentia uma enorme necessidade de compartilhar tudo o que eu estava aprendendo durante minha formação como facilitadora de processos. Foram mais 6 anos trabalhando no mercado formal,  sonhando e criando o meu futuro trabalho.

Percebi que muitas mulheres sentem necessidade de ter um tempo para se colocar  em primeiro lugar, parar,  respirar, olhar para própria  vida com calma,  ter um tempo para  avaliar suas escolhas e perceber o que realmente é importante.

Foi aí que começou a surgir a ideia do curso Florescer um curso só para mulheres para ajudá-las  a desenvolver o olhar interno e promover um encontro com sua essência.

A partir do momento que eu comecei a compartilhar e acreditar neste sonho, fui encontrando pessoas que me apoiaram e me deram força para continuar. E um dia na porta da escola de minha filha, conversando com a professora  dela a Mirella Maceiras que já havia se tornado uma grande amiga, encontrei minha atual sócia. Ela  também compartilhava o mesmo sonho,  fazer a diferença na vida das pessoas. Resolvemos juntas unir nossas forças e tornar este sonho  realidade.

No início de 2014 o Júlio, meu marido recebeu uma proposta inesperada para trabalhar no Paraná,  conversamos muito e juntos decidimos encarar este desafio  e  como já tinha vontade de ter um trabalho que estivesse alinhado com meus valores, aproveitei  este momento e o  transformei  em uma oportunidade  para fazer a transição em minha vida profissional.

Avisei meu diretor e em 3 meses preparei a minha saída  da empresa e em junho de 2014 me mudei  para o Paraná, caminhando em direção à uma nova  forma de viver  com mais qualidade e com condições de desenvolver meu novo trabalho.

Eu já tinha a ideia do curso estruturada, já tinha encontrado  uma sócia,  neste tempo de transição fiz meu  plano de negócios e coloquei uma data para o lançamento do curso, janeiro de 2015. Eu tinha 6 meses para transformar meu sonho em realidade. Como minha profissão era marketing investi  meus conhecimentos em meu próprio negócio, montei um planejamento e para  tirar o projeto do papel e mostrar para as pessoas que o projeto existia fui em busca de uma profissional para me ajudar a estruturar o site, blog e comunicação digital.

Encontrei a Mayara Castro,  uma profissional do Projeto Memória Seletiva que me ajudou a desenvolver uma estratégia para eu manter a presença digital do Caminhada Reflexão e Arte

Em janeiro de 2015 lancei o primeiro curso Florescer e atualmente estou na quarta edição do projeto.

Lella Sá - Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Luiza Gadelha - Um dos maiores desafios foi me desapegar das comodidades financeiras, de minha antiga vida, o que eu tinha era muito tempo livre, mas não tinha mais renda e nossa família estava dependendo exclusivamente da renda do meu marido. Foi um grande aprendizado, precisei ter humildade e aceitar o momento.

Resolvi então aproveitar o tempo livre para realmente curtir as minhas filhas que são ainda pequenas, cuidar de minha família que estava precisando de atenção por causa da mudança , preparar alimentos frescos e de qualidade para todos, fiz um galinheiro, uma horta e organizei meu tempo:

  • durante as manhãs cuidar da família, casa, galinheiro, horta; 
  • durante as  tardes, enquanto minhas filhas estavam  na escola, escrever e trabalhar para construir meu negócio. 

Outro desafio foi aprender a valorizar meu tempo, administrar minha rotina com foco e planejamento para não me perder

O que ganhei foi a sensação de realização pessoal e percebi  como nos tornamos produtivas quando fazemos o que amamos!

Lella Sá - Como ficou a questão da grana em meio a incerteza?

Luiza Gadelha - Foi uma decisão bem difícil no começo quando nos mudamos para o Paraná escolhemos uma vida mais simples, e abdicamos de todas as mordomias que antes tínhamos,  empregada, , faxineira, restaurantes, jantares, teatro, viagens, shows  entre outros.

No Paraná fiquei responsável por cuidar da casa, das crianças e do ritmo de nossa vida, não tínhamos amigos nem conhecidos na cidade. Com o passar do tempo, eu e o Júlio, nos fortalecemos como casal e a minha presença na casa e na vida de minhas filhas foi muito importante, aprendemos e compartilhar a responsabilidade do funcionamento da casa aumentamos os nossos laços nos tornamos muito unidos.

Atualmente já estou conseguindo colaborar com a renda familiar, vejo minhas filhas e o Julio mais atentos com a rotina da casa, cada um tem sua responsabilidade e obrigação na manutenção da ordem na casa. Continuo desfrutando de minha  liberdade e flexibilidade,  administro o meu próprio tempo e descobri o prazer de fazer o que eu gosto:  compartilhar meus aprendizados!

Lella Sá - Qual futuro você está ajudando a criar?

Luiza Gadelha - Quero construir um futuro que a colaboração e a troca sejam comuns a todos e que as mulheres se respeitem,  trabalhem e desfrutem  de um futuro com dignidade.

Quero continuar ajudar as mulheres a se colocarem no mundo de forma integral, dar um primeiro passo para o autoconhecimento, alinhar seus valores e encontrar suas prioridades de vida respeitando seus sonhos e desejos.

Lella Sá - Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Luiza Gadelha - Aqui vão as dicas:

  • Encontre algo que você faria sem precisar receber nada em troca;

  • Pense em o que você gostava de brincar ou fazer quando era criança, pode ser  uma boa dica do que te traz felicidade;

  • Quando encontrar o seu trabalho com significado: Invista em pessoas e profissionais que possam te orientar, te ajudar a manter o foco e melhorar seu desempenho;

  • Não desista na primeira dificuldade, vai encontrar muitas outras ao longo de sua trajetória.

  • Seja persistente só assim você irá construir algo verdadeiro;

  • Divirta-se !! Permita-se curtir alguns dias para fazer o que ama como viajar, encontrar os amigos  – aproveite o benefício de ser dono de seu tempo!

  • Compartilhe converse com outras pessoas, conte sua história!

 

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida. 

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

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Conheça o Ciclo de Transição: Uma ferramenta para fazer sua transição de trabalho da forma mais suave possível

Eu estava querendo fazer uma transição, mas não sabia os passos que eu precisava dar. Só sabia onde eu queria chegar. Então eu comecei a conversar com várias pessoas que já passaram por uma transição para levantar o que tinham em comum para que eu pudesse entender os possíveis passos que eu poderia dar a partir da experiência deles.

Algumas conclusões que eu tive das principais características de uma transição:

  • Lidando com incertezas: Não precisamos saber onde queremos chegar. Basta sentir que não faz mais sentido estar onde está.
  • É um processo cíclico: Não tem idade certa nem fase ideal para começar.
  • Individualidade no processo: Não tem um tempo definido para fazermos a transição. Cada pessoa tem seu ritmo para fazer a transição e leva seu tempo. Enquanto uns fazem em 6 meses, outras fazem em 6 anos.
  • Explorar é obrigatório: Precisamos experimentar e testar novas possibilidades para saber o que desejamos fazer.
  • Alinhamento: Tomamos decisões baseadas nos nossos valores.
  • Autoconhecimento: É importante saber nossas necessidades e usá-las como critérios para decidir o que queremos fazer.

Só escrever os aprendizados não foi o suficiente para mim. Aos poucos eu entendi que a transição é um ciclo sem fim. E um ciclo tem fases e em cada uma delas é preciso agir de uma determinada maneira para passar para a fase seguinte.

Apesar desse processo não ser linear, senti a necessidade de ordená-lo para me localizar nesse ciclo e entender o que eu precisava fazer na fase que eu me encontrava. 

Por isso, transformei esse ciclo num esquema. Ele foi muito útil para mim e hoje é a minha principal ferramenta para ajudar as pessoas a fazerem uma transição. Ela faz parte da metodologia da Bússola Interna, que consiste em realizar 3 grandes passos:

1. Investigação do que faz sentido

2. Aceitação dos impedimentos e Ampliação de Horizontes

3. Criação e aplicação do Plano de Transição

Me inspirei para fazer essa ferramenta nos vários depoimentos que ouvi, de quem passou por uma transição, e também no arquétipo do processo de tomada de decisão desenvolvida pela Adigo - principal consultoria de desenvolvimento de empresas e famílias no Brasil, onde fui trainee.

Como o Goethe disse “O tempo é espiral”. Por isso, o ciclo de transição acontece a todo momento de várias formas na vida. Basta sabermos a fase que estamos para entender o que pode vir a acontecer. 

Não adianta criar um plano mirabolante para sua transição. O importante é saber dar os saber os próximos passos com foco no futuro que deseja criar.

Esse processo é desenhado para ser totalmente conduzido por você com responsabilidade e autonomia. 

Fiz um PDF especialmente para quem quer está insatisfeito com o trabalho e a vida e pensa em fazer uma transição. Lá você encontra uma explicação mais detalhada da ferramenta ciclo de transição e exercícios que podem te ajudar a começar esse processo. Para baixar o PDF, basta clicar nesse link. 

[Fiz a Travessia] Larguei o cargo de Estilista numa grande corporação para fazer vídeos com a alma

Quando era Estilista 

Quando era Estilista 

Nome: Bruna Arcangelo Toledo

Antes fazia: Estilista

Hoje faz: VIDEOMAKER - Video com Alma 

Lella Sá - Por que você faz o que você faz hoje? 

Bruna Toledo: Sabe quando você encontra algo na vida e fica se perguntando por que não estava fazendo aquilo antes? Foi assim que o vídeo surgiu na minha vida e caiu como uma luva pois h´å tempos o que eu fazia anteriormente (trabalhava com moda como estilista e gerente de marketing de moda) me fazia sentir estranha, como se eu tivesse fazendo algo sem saber o porquê. Você simplesmente faz, e continua fazendo.... sem significado, sem preencher.

O vídeo me fascina muito além da questão estética, do enquadramento, da cor. Vídeo é ferramenta, é mergulhar num universo novo. É trazer a tona histórias desconhecidas por outras pessoas e tentar inspirá-las de alguma forma. Ou simplesmente registrar momentos únicos.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava? 

Bruna Toledo: Trabalhar com moda não me alimentava mais como pessoa. Não alimentava minha criatividade e eu sentia que eu já não me encaixava naquele modelo corporativo, onde as pessoas não são vistas como pessoas, mas sim como números.

Foram muitos acontecimentos, na verdade, em diferentes empresas. Talvez eu tenha sido escolhida para viver situações esquisitas e até bastante bizarras no mundo da Moda, ou talvez muitas pessoas vivam situações semelhantes, mas de alguma forma deixam passar.

Eu mudei MUITO nos últimos anos, mudou a forma como eu vejo a vida, mudaram minhas ambições. Mudou o mundo também, o mercado. A minha primeira grande escola como estilista de acessórios me ensinou o trabalho artesanal, feito a mão. Me ensinou a valorizar as pessoas que fazem esse trabalho, me ensinou a misturar o caro com o barato, o couro com a borracha, me ensinou que o mundo é um mar de possibilidades no design de produto, basta usar a criatividade. Mas hoje o mercado anda completamente diferente disso: o crescimento das fast fashion, a roupa descartável e barata, a necessidade de se afirmar através do que se veste, a produção na China, Vietnã, Turquia, Camboja a preços extremamente baratos para serem vendidos aqui a 10x mais. Isso sem falar nos donos de empresa, nas péssimas condições nas quais éramos obrigadas a trabalhar: sem ventilador, sem ar condicionado, sem sabonete no banheiro. Era totalmente contraditório trabalhar para uma marca glamourosa do SPFW (São Paulo Fashion Week), que pagava 20 mil reais por mês a uma blogueira postar 4x um look no Instagram e ver os bastidores cruéis daquela forma.

Eu cheguei a escrever sobre isso para o Catraca Livre em Novembro do ano passado. Recebi mais de 300 e-mails e até hoje recebo.
 

Lella Sá:  Como fez essa mudança?

Bruna Toledo: O processo de mudança (só agora percebo) levou anos. Desde 2011, quando também saí de uma empresa que trabalhava para ir morar em Londres, eu já andava esquisita. Tinha o emprego dos sonhos, o emprego que qualquer estilista de moda especializada em acessórios gostaria de ter. Tinha uma sala bem grande só pra mim, minha chefe era ótima no sentido de me deixar livre, a vontade para criar e desenhar. Trabalhava ali ouvindo música, no ar condicionado, atendia meus fornecedores. Enfim. E de repente resolvi simplesmente sair para seguir meu sonho que era morar fora. Sem dor no coração, sem pensar "Ah, minha carreira." Em um mês eu estava embarcando para uma das melhores experiências da minha vida.

Com uma Gopro na mão, eu filmava tudo o que eu fazia em Londres, e todos os lugares e países que visitava. Daí surgiu o vídeo na minha vida. Baixei o programa de edição, coloquei uma música e virei a noite editando até as 6 da manhã. Fui fisgada. Totalmente!

Voltei um ano depois, trabalhei ainda mais 2 anos com moda, mas mantendo o vídeo na minha vida. comprei uma câmera semi profissional e de repente as pessoas começaram a me pedir orçamentos. Eu fui seguindo, me aventurando nos vídeos até que, quando vi, estava virando noites trabalhando com vídeo e trabalhando com moda durante o dia, de uma forma insustentável.

Aí houve aquele momento: "Quando eu achar que tenho dinheiro suficiente guardado para largar tudo, eu largo." Mas fui ficando doente. Doente de ter que me submeter todos os dias àquele mundo que já não pertencia mais. E essa história de esperar para ter mais dinheiro que garanta sua sobrevivência, é preciso tomar muito cuidado. Quando eu vi, eu não estava juntando quase nada, porque tudo o que eu ganhava (além de investir em equipamentos), eu gastava pra compensar as frustrações que eu vivia.

De repente, uma amiga me marcou num post no facebook de um veleiro que estava vindo da Nova Zelândia para a Patagônia, via Antártida. E estava procurando pessoas para integrar o time. Eu olhei aquilo e alguma força muito forte me fez perceber que eu não poderia deixar de viver aquilo. Passei 4 dias na maior agonia, como se eu estivesse decidindo o rumo da minha vida (e eu realmente estava!). Levantei, fui na sala do meu chefe e pedi demissão, pois estava indo para a Patagônia passar um mês num veleiro com pessoas que eu nunca havia visto na vida.

De lá pra cá minha vida deu um salto. Trabalho em casa, tenho meus clientes, faço minha rotina, vou pro parque pela manhã ou para a praia, passo meses fora de SP em projetos, filmando, editando simplesmente de qualquer lugar. Basta uma tomada para eu estabelecer minha ilha de edição. E assim faço meus vídeos com alma. :)

Lella Sá - Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Bruna Toledo: O maior desafio sem dúvida é grana. É a incerteza de não saber se mês que vem você vai ter dinheiro. Mas de alguma forma o universo tem dado sempre um jeitinho, ao menos comigo, e nesse 1 ano e 2 meses a minha renda superou os valores que eu recebia trabalhando fixo, todos os dias, numa empresa.

Outro desafio, no meu caso, é não ter uma casa fixa. É difícil se comprometer até com um plano de academia de 3 meses, pois muitas vezes eu não fico esse período num só lugar. Então estou sempre desenvolvimento técnicas alternativas de fazer as coisas. rs

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar? 

A vida que leva como Videomaker

A vida que leva como Videomaker

Bruna Toledo: Acredito que estou ajudando criar, além do meu próprio, o futuro de um mundo melhor, uma vez que procuro focar meu trabalho também em trabalhos sociais e na história de pessoas que cruzo em minha caminhada, que possam servir de inspiração para outras. Assim como eu posso estar inspirando alguém nesse exato momento com minha história.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado? 

Bruna Toledo: Quando eu estava na tensão da grande decisão, um amigo me mandou um texto. E foi esse texto que me deu forças para tomar minha decisão, levantar da cadeira e fazer algo para mudar a minha vida. Não há argumentos para esse texto de Osho. E ele é minha maior dica para quem quer ter um trabalho com significado, seja ele qual for:

"A palavra coragem é muito interessante, ela vem da raiz latina cor, que significa coração. Portanto, ser corajoso significa: viver com o coração: e os fracos, somente os fracos vivem com a cabeça, criam em torno deles uma segurança baseada na lógica, com conceitos, palavras e teorias. eles se escondem.
Viver na insegurança é confiar, amar, enfrentando o desconhecido. E no futuro seguir trilhar perigosas. A vida é perigosa. A pessoa que está realmente viva, sempre enfrentará o perigo. A cabeça é um homem de negócios, o coração nunca calcula nada.
Então sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências.
Opte pelo que faz seu coração vibrar."
Osho

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

Veja outras entrevistas, fique antenado nesse link. 

 

[Fiz a Travessia] Parei de gerenciar shoppings para transformar espaços em comunidades

Nome: Andréa Sender

Idade: 35

Antes fazia: Trabalhei em escritórios de arquitetura e em uma gerenciadora de projetos

Hoje faz: Transformo espaços em comunidades :) na Acupuntura Urbana

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje? 

Andréa Sender: Porque isso faz todo o sentido para mim! Me sinto uma pessoa plena e realizada como o que eu posso oferecer para o mundo e para as pessoas que estão ao meu redor.

Perceber o impacto positivo do meu trabalho é uma satisfação imensa que trabalho e vida se confundem em uma coisa só e eu sempre sonhei com esta osmose :)

Lella Sá - Por que você decidiu sair da onde estava? Andréa Sender: Gostava muito de gerenciar pessoas e transformar os processos mais leves e humanos para todos, mas os projetos que eu gerenciava (no caso, grandes projetos de shoppings centers e clubes esportivos), não faziam mais sentigo para mim. Queria uma causa maior, gerar um impacto positivo para a humanidade, poder levar um ritmo de vida mais flexível, com pessoas que acreditam nas mesmas coisas que eu e que sejam apaixonadas pelo que fazem, como as que estão ao meu lado atualmente.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Andréa Sender: Em 2011, depois de 8 anos trabalhando de forma convencional com arquitetura e gerenciamento de projetos, decidi tirar seis meses sabáticos e fui realizar um grande sonho: morar em Paris.

Em fevereiro de 2014, volter de uma temporada de quase três anos morando na França, onde tive uma vida totalmente diferente da que costumava ter em São Paulo. E estas perguntas não me saiam da cabeça...

Lá o espaço público era o meu maior companheiro. O transporte público e as bicicletas de aluguel também eram o meu principal meio de transporte. Por sua vez, o medo e a sensação de insegurança nunca estavam comigo! Quantas atividades eu fazia gratuitamente, com pessoas de todos os tipos e de maneiras inusitadas... Estes eram os meus sonhos para São Paulo!

Foi aí que comecei a prestar atenção em como as pessoas se relacionavam com a cidade. Muitas, reclamavam e não faziam nada, outras, sonhavam e concretizavam um mundo melhor, e fui em busca deste segundo grupo.

Em abril de 2014 fui apresentada ao Jogo Oasis, quando participei de uma formação oferecida pelo Instituto Elos, parte do Programa GVT na Praça. Foi também neste treinamento que conheci a Renata Minerbo, fundadora do Acupuntura Urbana, e atualmente, companheira de vida, de sonhos e de transformações. No Acupuntura Urbana, trabalhamos a transformação de espaços públicos com base no engajamento comunitário e um dos primeiros passos da nossa metodologia é a "Troca de Sonhos", na qual trocamos um sonho de padaria, por um sonho para São Paulo e/ou para um local público específico.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

 Andréa Sender: Como a minha transição foi feita durante um momento de muitas mudanças (para quem morou em outro país, sabe que a readaptação leva um tempinho para acontecer...), é difícil distinguir exatamente essas dificuldades, mas elas sempre vieram acompanhadas da certeza de que um novo e lindo caminho estava sendo traçado.

Como tinha uma carreira estável antes de ir para a França, a grana era uma grande questão e entender o que exatamente eu faria profissionalmente também. Além disso, tinha um círculo de amizades e uma família bastante convencional que não entendi muito bem a minha escolha, então no início, me senti bastante solitária nos meus questionamentos. 

Mas o sentido desta transição era tão grande que mergulhei em mim mesma e tive um momento de busca muito importante, durante o qual me aproximei de pessoas por que tinha muita admiração e nas quais me inspirei muito para tornar esta transição mais leve.

Um coach querido me ajudou bastante também.

Lella Sá: Como ficou a questão da grana em meio a incerteza?

Andréa Sender: Sem dúvida que a grana era um ponto importante, pois tinha morado três anos sozinha, tinha um salário bom e estável antes de ir para a França. Voltei praticamente com uma mão na frente e outra atrás, voltei a morar com os meus pais, mas minha independência era muito importante. 

Como eu acredito muito que, quando caminhamos na direção certa, as coisas se ajeitam... elas também se ajeitaram :)

Durante esta transição um antigo parceiro de trabalho muito especial entrou em contato comigo e me convidou para ajudá-lo no gerenciamento dos Planos Municipais de Iluminação Pública de diversas cidades brasileiras. Não consegui dormir este dia, pensando que seria uma ótima oportunidade, mas que não queria voltar a fazer o que eu fazia antes. Foi aí que encarei o convite como uma oportunidade de levar um olhar mais social para este projeto de larga escala e qual não foi a minha grande alegria quando ele topou! Começamos a desenvolver uma pesquisa social e esta oportunidade, além de garantir a minha renda, me abriu um novo horizonte de aplicação. Sou muito grata a esta parceria, que me permitiu entrar de corpo e alma no Acupuntura Urbana e a desenvolver um trabalho social junto a Citylights também. 

Lella Sá: Qual futuro que você está ajudando a criar?

Andréa Sender: Um futuro no qual os indivíduos entendam que somos responsáveis pelo mundo que queremos e o mundo que eu quero ´e um lugar com mais amor, mais respeito, mais espaços coletivos de qualidade, mais sonhos realizados, mais cooperação, mais abundância e menos escassez.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Andréa Sender: Se aproxime de pessoas que você tenha profunda admiração, que te inspirem. Preste atenção nas pequenas coisas do dia a dia que te fazem sentir pleno e busque se aproximar, cada vez mais, da sua melhor versão <3

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida. 

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

Veja outras entrevistas, fique antenado nesse link. 

Projeto Fiz a Travessia - Uma série de entrevistas com quem já fez uma Transição para um Trabalho com Significado

Muitas pessoas me perguntam:  “Qual é o caminho das pedras para criar um Trabalho com Significado e levar uma Vida com mais Propósito?” Não sei. Não conheço um único caminho por que cada pessoa atribui um significado diferente ao trabalho e a vida.

Já o levantamento de padrões entre pessoas que fizeram uma transição para criar um Trabalho com Significado é possível. Compreender o que existe em comum entre essas pessoas pode trazer algumas respostas.

Ao longo do tempo, eu tenho percebido que ainda é raro as pessoas compartilharem os caminhos que fizeram na sua transição. Por isso eu criei um projeto - “Fiz a Travessia”, uma série de entrevistas para inspirar pessoas a fazerem uma transição. As perguntas são feitas com quem quer contar a sua história de transição e hoje está se sentindo mais feliz, satisfeito e realizado com o que faz. 

O objetivo do projeto “Fiz a Travessia" é compartilhar o processo de transição e dar dicas baseadas no caminho que percorreram. Espero que possa servir com um possível "caminho das pedras" para incentivar pessoas que estão insatisfeitas no trabalho, com vontade de mudar e buscam alternativas para começar sua travessia. 

Todas as pessoas entrevistadas respondem algumas perguntas padrões:

1. Por que você faz o que você faz hoje?

2. Por que você decidiu sair da onde estava?

3. Como fez essa mudança?

4. Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

5. Como ficou a questão de grana em meio a incerteza? 

6. Qual futuro você está ajudando a criar?

7. Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Fica antenado que amanhã começo a soltar as entrevistas! 

Meu manifesto para me relembrar o que valorizo na vida.

Começei a escrever texto imaginando o compartilhamento de aprendizados entre eu do futuro comigo no presente. Entre uma senhora de 90 anos e uma menina-mulher de 27 anos. No final me dei conta que se tornou um manifesto. 

O objetivo é me relembrar todos os dias do que valorizo na vida e da forma que quero viver. Afinal de contas a vida é a trajetória e não o fim dela.  

A vida é muito curta para ser desperdiçada então não se dê o luxo de gastar tempo fazendo o que não importa.

Empreenda a vida e crie seu próprio caminho honrando o que veio primeiro.

Crie um trabalho com significado. Alinhe sua missão de vida a sua ação.  

Não trabalhe por dinheiro. Trabalhe pelo trabalho de melhorar o mundo.

Se isso fizer sentido para os outros, você sobreviverá disso. 

Tenha um estilo de vida com propósito, alinhado com seus valores.

Coloque o Ter a serviço do Ser. Não se apegue a formas, só a essência.

Tenha coerência entre seu pensar, seu sentir e seu querer. 

Faça o que você ama mas não deixe de resolver problemas reais do mundo. 

Comece dando o que você precisa e você receberá o que necessita.

Confie na sua intuição e incorpore seu poder pessoal

Ocupe seu lugar e disponibilize o lugar que você está ocupando para quem é responsável por ele.

Seja autêntica e coloque a serviço sua contribuição única. Ninguém poderá fazer isso por você.  

Busque um novo olhar para enxergar o mundo e a vida de outras formas.

Conecte-se com o sentido da vida, com seu entorno e com o planeta.

Desenvolva uma visão sistêmica para fazer escolhas conscientes do impacto que você causa no seu entorno e na sociedade. 

Tenha discernimento para tomar decisões baseados nos seus valores de vida.

Desenvolva autonomia e busque autosuficiência, consciente da interdependência. 

Ajude a criar um senso de comunidade distribuindo poder e aumentando o acesso a bens e ao conhecimento. 

Não separe. Integre. Siga o caminho do meio.

Colabore para cocriar caminhos e cultive relações verdadeiras.

Esteja perto de quem quer criar um futuro parecido com o seu.

Concretize sonhos que você se sentirá realizada.

Sonhe com a sua visão de futuro e a transforme em realidade. 

Tenha disciplina, por que ela liberta. 

Esteja sempre em movimento, independente do que acontecer. É isso que gera vida.

Seja responsável e tenha maturidade para responder com consciência a tudo que vier na sua direção. 

Foque no futuro e esteja presente no agora.

Opte por qualidade versus quantidade. 

Prazer é uma premissa para viver com leveza

Viva a vida alinhada com a sua verdade.

Faça da felicidade a trajetória.

Crie uma família com todo seu amor e dê tempo de qualidade.

Seja protagonista da vida e não aceite nada menos que do que o incrível.

Lembre-se que a simplicidade é o grau máximo da sofisticação.

Esteja alinhada com a sua missão de vida e ao da humanidade: evoluir

Se for necessário, saia da sua zona de conforto. Terão momentos difíceis mas não desista.

Tudo dará certo se você tiver garravontade e amor para fazer a diferença enquanto tiver vida.  

Como lidar com o medo do novo?

Quando deparamos com um universo novo, diferente do que estamos acostumados, nos deparamos com muitas coisas desconhecidas. Isso pode trazer uma sensação de desespero por querer conhecer tudo de uma vez e por consequência pode nos dar medo de não saber por onde começar. 

Uma vez escutei um conto que me ajudou muito a entender como o medo é criado. Eu nunca mais esqueci e por isso compartilho com vocês.

Era uma vez uma menininha estava andando na floresta, feliz e contente. Todo dia ela caminhava por aquela mata, contemplando os passarinhos e escutando as águas do rio passarem. Até que um dia, quando saiu para passear no bosque sozinha, se deparou com um urso. Era um urso quatro vezes o tamanho dela e por um instante se desesperou. Ela não sabia o que fazer, se sentiu paralisada até que decidiu correr por instinto de sobrevivência. O barulho que ela fez chamou atenção do urso e fez com que ele a seguisse.

Ela correu por todas as partes desviando do urso gigante. Mas infelizmente faltava pouco para ele chegar nela. Mesmo ofegante ela corria até que parou num penhasco. Nesse momento ela se desesperou e pensou “Agora não tem mais jeito. Vou morrer se eu pular vou morrer ou se eu ficar.” 

Sem alternativas do que fazer, ela decidiu olhar para trás para ver a distância que estava do Urso. Nesse exato momento o urso gigante parou e olhou para ela. Aterrorizada, a menininha perguntou: 

- Você não vai me comer? 

E ele respondeu: 

- Não sei, o sonho é seu. Você que decide. 

E então a menininha caiu em si e acordou.

Resumindo, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e se enfrentar o bicho some. 

Coragem é seguir em frente apesar do medo. Escolha apenas uma coisa para começar a fazer. Qual quer coisa e faça. Faça uma coisa de cada vez e experimente lidar com o medo do novo em doses menores. Ele só vai desaparecer quando você enfrentá-lo. 

Por que abandonar o barco pode não ser uma boa: Uma visão critica sobre transição de carreira

Você se apavora nas segundas-feiras por saber que ainda tem uma semana inteira pela frente? Então respire fundo e comece a fazer um planejamento para mudar isso. Não vale a pena abandonar o barco de forma tão repentina.

Se o seu barco estiver atracado em terra firme e você decidir abandoná-lo, terá que ir a nado e pode te dar muito mais trabalho. Terá que alocar recursos, como seu fôlego, sua energia e o seu tempo nessa travessia de forma desnecessária. Se o seu destino desejado é bem diferente do atual, acalme-se. Você não chegará lá nadando. 

Se você quiser fazer algo completamente diferente do que faz hoje, não tem problema, você poderá chegar lá sem abandonar o barco repentinamente. Se permita fazer um processo de autoconhecimento para ter mais segurança da mudança que deseja fazer para realizar a transição com mais tranquilidade. 

Saiba o destino desejado antes abandonar o barco

Ouço muito a frase “Não aguento mais, quero mudar”. Mas saber para onde quer ir já é mais raro de ouvir. Entenda qual é o futuro que você quer viver. Em outro post explico melhor como você pode definir “seu mundo melhor”. Afinal de contas, se você não sabe onde quer chegar, qual quer rota servirá. 

Dica: reflita o que já te fez sentir viva e pense como você poderia trabalhar com isso.

Não negue as suas origens

Considere-as suas referências por que elas podem enriquecer o seu processo de transição. As pessoas já te reconhecem por determinada atividade. Portanto usufrua dela e aplique ela na área que desejar atuar.  Rejeitar o que você já sabe fazer e que as pessoas reconhecem é perda de tempo. Partir para outro lado não necessariamente te levará a lugares melhores em menos tempo. 

Descubra novas terras

Aplique suas habilidades nas áreas que você tem interesse em atuar. Ofereça o que você sabe fazer. Faça cursos nas áreas desejadas para saber se realmente quer se aprofundar nisso ou se é só um hobby. Experimente atuar na área por períodos curtos como um final de semana, uma noite ou um mês. Atue. Não tire conclusões sem antes tentar fazer algo. 

Faça um inventário dos recursos que você levará do seu barco

A soma dos recursos que você acumulou até o dia de hoje não merecem ser jogados fora. Além do conhecimento que você adquiriu passando anos se formando em determinada área, você ganhou experiência e habilidades realizando as atividades propostas. Você também possui relações que cultivou ao longo do tempo e elas poderão te ajudar nessa travessia.

Avalie quanto recurso você precisa para fazer a travessia de forma tranquila

Faça um levantamento das suas prioridades para saber o mínimo que precisa nessa jornada para navegar de forma tranquila. Mapeie suas responsabilidades para fazer os cálculos necessários. 

Crie um plano de emergência caso não consiga navegar na velocidade que deseja

Chegar onde você quer pode te levar muito mais tempo do que imagina. Então busque alternativas que você pode fazer para aguentar essa travessia que pode levar alguns anos até você chegar onde deseja.   

Aviste outros barcos que estão na proximidade

Olhe para o horizonte e fique atento para avistar outros “barcos”, ou iniciativas, que te atraem. Se aproxime. Esteja perto de pessoas que te inspiram, peça dicas. Se coloque a disposição. Ofereça o que você pode dar para experimentar o que precisa.

Reflita sobre as consequências de abandonar o barco

O que você vai fazer se você abandonar o barco amanhã? Não vale falar que tirará férias. Afinal de contas não teria um trabalho para tirar férias. Vamos dizer que você reservou uma semana ou duas para descansar, e depois disso? O que faria?

Certifique-se de que você tem disposição, fôlego e sabe nadar antes de decidir abandonar o barco e entrar em desespero. Pense nas consequências e tenha consciência de que é possível fazer uma transição sem cortes drásticos. 

Se você não quer demorar muito para fazer uma mudança, comece fazendo uma jangadinha, que mesmo frágil e rústica pode te ajudar a flutuar. Porém é preciso que essa jangada flutue em direção ao seu destino desejado, senão estará à deriva. Por isso tenha clareza do seu norte para navegar naquela direção. Talvez a Bússola Interna pode te ajudar a chegar lá.

Dia 31/08 farei um workshop explicando os principais aspectos para criar um Trabalho com Significado. Saiba mais nesse post. 

Esse post foi criado inspirado numa conversa que tive com a Mariesa Mas de Camargo - terapeuta, amiga e companheira de formação do Caminho Iniciático e Biografias da Associação Sagres.