Silvio Junqueira Filho deixou os fundos de investimento para se dedicar à sua paixão: música

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O entrevistado de hoje é o Silvio Junqueira Filho, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.
Nome: Silvio Junqueira Filho
Idade: 39 anos
Antes fazia: gestor de fundos de investimento em participações em empresas (private equity)
Hoje faz: gestor de investimentos na indústria da música e segmentos relacionados
 
1. Por que você faz o que você faz hoje?
Porque posso dedicar minha energia e experiência profissional a um assunto que eu mais amo, música. Sou músico amador nas horas vagas, e isso faz meu coração bater e preenche minha alma. Tenho prazer em dedicar horas e energia para estudar, viajar, escrever, negociar e vender minhas ideias e projetos na área musical. Tudo flui mais naturalmente. Dizem que meus olhos brilham mais agora do que antes quando falo de negócios.
2. Por que você decidiu sair da onde estava?
Porque apesar de gostar muito dos desafios e atividades de gestor de investimentos, não me identificava com a cultura empresarial da indústria (que no fundo é um somatório da cultura e forma de pensar de cada pessoa que nela atua) e não tinha mais prazer em me aprofundar em assuntos/temas/indústrias que não me interessavam e não me estimulavam naturalmente.
3. Como fez essa mudança?
Me planejei financeiramente e psicologicamente durante um ano, com uma saída negociada de onde trabalhava antes. Tive um período de transição em que trabalhei (e ganhei por) tempo parcial. Estudei bastante (menos do que o ideal, mas o bom é inimigo do ótimo) sobre a indústria da música antes de iniciar a transição. 
4. Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?
Medo de acabar com menos dinheiro ou mesmo sem dinheiro foi um dos desafios que tive de enfrentar até ter auto-confiança e desprendimento com relação ao assunto. Outro desafio com o qual ainda estou lidando é o de trabalhar por conta própria, que exige muito mais auto-disciplina. Trabalhar de forma autônoma é uma novidade para mim que sempre fui empregado e tive alguém cobrando resultados. E olha que eu sou bastante disciplinado com minhas atividades e rotina diária...! O terceiro desafio com que ainda estou lidando é o de desenvolver contatos e relacionamentos na área para gerar oportunidades de negócios. Já realizei meu primeiro investimento e também fechei meu primeiro cliente/projeto de assessoria/parceria. As coisas estão evoluindo.
5. Como ficou a questão de grana em meio a incerteza? 
Tenho ainda alguma reserva e alguma ajuda de meus pais com que posso contar, o que sem dúvida foi um fator decisivo para iniciar esta transição. No entanto, sei que tenho um prazo não muito longo para voltar a ter renda, o que funciona como um estimulante adicional para trabalhar cada vez mais e de forma eficaz para gerar negócios.
6. Qual necessidade do mundo você, através do trabalho, está ajudando a sanar? 
Levar alegria e felicidade a uma quantidade cada vez maior de pessoas através da música, seja ela de que gênero, país ou qualidade for. A música é das artes mais abstratas e complexas, e ainda assim uma das mais populares. São pouquíssimas as pessoas que não gostam de música e não se emocionam quando ouvem uma música tocante. Além de levar minha própria música como artista amador, quero multiplicar este efeito viabilizando outros negócios e artistas.
7. Qual futuro você está ajudando a criar?
Um futuro em que mais e mais pessoas tenham acesso a música, e do meu ponto de vista, uma rede de relacionamentos no meio musical que possa alavancar oportunidades de criar e difundir minha própria música ao longo de minha vida. Apesar de não ser o meu objetivo como negócio, oportunidades artísticas oriundas de minha atual e futura rede de relacionamentos no setor podem surgir. Assim, eu acredito que a probabilidade de eu me divertir e me realizar ao longo da vida como músico amador ou mesmo profissional será muito maior se eu estiver envolvido no meio.
8. Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?
Se nunca fez ou fez de forma superficial, fazer uma boa e profunda terapia ajuda a se conhecer melhor e superar seus medos e identificar suas paixões e habilidades.
Planejar-se financeiramente e guardar um pouco dinheiro para uma transição mais tranquila e com foco total naquilo que move a alma sem se preocupar no curto prazo com renda.
Se teu casamento, namoro ou relacionamento amoroso não vai bem, resolva isso primeiro. Uma relação amorosa problemática vai consumir uma energia que certamente vai fazer falta para uma transição mais rápida e eficaz!
Se tua saúde, alimentação e espiritualidade também não vão bem, foco nisso em paralelo. Corpo são, mente sã. Mais saúde e lucidez certamente garantirão mais energia para tua transição

    A próxima edição do Programa Travessia começa no dia 14 de setembro. Se você se sentiu inspirado e também deseja fazer uma transição, se inscreva!

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    [Fiz a Travessia] Deixei a área de TI para eternizar momentos importantes

    Foto: divulgação (http://tainanbasile.com)

    Foto: divulgação (http://tainanbasile.com)

    A entrevistada de hoje é a Tainan Basile, na série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Tainan Basile
    Idade: 33
    Antes fazia: Coordenadora da área de TI
    Hoje faz: Fotógrafa de gestantes, newborns e bebês de até 1 ano


    1. Por que você faz o que você faz hoje? 

    Trabalho com fotografia até hoje porque me sinto realizada e feliz. Trabalhar com fotografia foi realizar um sonho que estava adormecido, ou melhor, que de forma consciente nem sabia que era um sonho. A fotografia era algo que eu sempre gostei, mas fazia parte da minha vida apenas como lazer, nunca imaginei em transformar em profissão...


    2. Por que você decidiu sair da onde estava?

    Eu decidi buscar outro caminho pois eu não estava me sentindo feliz. Eu gostava muito do que eu fazia, mas toda manhã eu pensava: tenho que ir hoje?? Eu estava cansada há um bom tempo, mas era um cansaço que não passava. E comecei a questionar se deveríamos viver daquela forma para o resto da vida. E percebi que não era saudável, que alguma coisa precisava mudar.


    3. Como fez essa mudança?

    Enquanto eu trabalhava iniciei um curso profissionalizante de fotografia, queria um curso onde eu pudesse aprender tudo o que envolvia a fotografia, onde eu pudesse adquirir conhecimento "de cabo a rabo". Foram pouco mais de 6 meses de curso, e eu fazia depois do expediente. Alguns meses terminado o curso resolvi abrir meu estúdio e trabalhar com fotografia.


    4. Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Um dos grandes desafios de entrar neste mercado é adquirir experiência. Para isso, fiz muitos trabalhos gratuitos, participava de vários eventos, levava a câmera para todos os lugares que eu ia para poder praticar. E aos poucos fui construindo o meu portfólio e conseguindo meus primeiros clientes.


    5. Como ficou a questão de grana em meio a incerteza? 

    A questão da grana foi outro grande desafio. No primeiro ano foi basicamente de investimento. Saí de um cargo e salários bons para apenas investir em conhecimento, em estúdio, em materiais, etc. Então não reclamo nunca da área e do que eu fazia, foi justamente por ter trabalhado tantos anos com TI e ter investido que tive a oportunidade de fazer esta tentativa de mudança de carreira - e que deu certo :)


    6. Qual problema (do mundo) você está ajudando a resolver através do seu trabalho?


    Não sei se posso dizer que eu estou ajudando a resolver um problema do mundo com o meu trabalho, pois ele é considerado algo supérfluo, mas eu acho que de certa forma dou a chance das pessoas resgatarem momentos únicos de suas vidas, momentos que muitas vezes não damos valor, e que lá na frente certamente farão falta. 

     

    7. Qual futuro você está ajudando a criar?

    Espero que com o meu trabalho as pessoas possam valorizar as memórias, os momentos únicos, que normalmente passam num piscar de olhos. São momentos que não voltam, e que muitas vezes olhamos pra trás e nos arrependemos de não ter feito.  Eu mesma me arrependo de não ter tirado mais fotos com minha mãe ou meu pai, hoje eles não estão mais aqui, mas gostaria de ter um pouco mais de recordação deles junto comigo. 


    8. Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    É preciso muita dedicação e muita determinação. Ter apoio é sempre muito bom, eu tive  e me ajudou muito. Muitas pessoas vão te chamar de louco, pode ser que dê certo, pode ser que não, mas acho que se é algo que nos motiva e nos fará felizes é preciso pelo menos tentar! Se não der certo, plano B!

    Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.

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    [Fiz a Travessia] Decidi colocar minhas habilidades e experiência a serviço das pessoas, em vez de grandes corporações.

    O entrevistado de hoje é o Favio Bittencourt Baroboskin, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Flavio Bittencourt Baroboskin

    Idade: 47 anos

    Antes fazia: Atuei em vários países da América Latina, EUA, África e Oriente Médio como executivo da área de Tecnologia. Trabalhei muitos anos gerenciando equipes e projetos internacionais para empresas multinacionais em vários ramos.

    Hoje faz: Atuo numa consultoria que fundei com duas sócias para difundir a Economia Associativa, uma visão econômica com base na Antroposofia. Além disso, atuo como Coach, palestrante e professor.

    1. Por que você faz o que você faz hoje?

    Eu passei por processos de auto-conhecimento e aprendi o quanto isso é vital pra gente viver melhor. Através das finanças pessoais e do coaching, eu quero ajudar pessoas que querem olhar o presente e planejar seu futuro.  

    2. Por que você decidiu sair da onde estava?

    Eu gostava do meu trabalho, nunca tive grandes questões com a minha carreira original. Viajava bastante (coisa que eu gosto), lidava com pessoas de diferentes culturas e tinha uma remuneração bem satisfatória. Mas com o passar dos anos eu senti que faltava uma motivação genuína, que eu poderia contribuir mais colocando minhas habilidades e experiência conquistadas ao longo de tantos anos a serviço das pessoas e nem tanto das grandes corporações.

    3. Como fez essa mudança?

    Foi um processo longo, mais de 2 anos, coletando informações e planejando. Envolvi a namorada e a filha, conversamos e recebi muito apoio no que eu estava sentindo e o que pretendia fazer. Em seguida, eu comecei a conversar com pessoas próximas e colegas de trabalho pra tentar identificar quais os meus diferenciais, o que eu faço bem e com naturalidade. Percebi que eu era reconhecido como um bom ouvinte, bom com números e finanças, bom gestor de pessoas e de processos, uma pessoa confiável pra se contar um segredo e que aparenta bastante tranquilidade para lidar com conflitos e situações de pressão. Comecei a estudar, fazer cursos de aprofundamento em gestão de pessoas e consultoria, aproveitar todas as oportunidades de aprendizado (prático e teórico) que apareceram. Dessa forma, quando chegou o momento de me desligar da última empresa, uma boa parte do novo caminho já estava pavimentado.

    4. Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Criar coragem pra sair da zona de conforto, fazer uma autocrítica sincera para entender as minhas reais motivações

    5. Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Inicialmente eu procurei reduzir despesas e aumentar a poupança, planejar o custo dos cursos e certificações que eu pretendia fazer. Sem grandes neuras, comecei a olhar pros meus gastos e eliminar o que não fazia sentido, um exemplo: troquei um carro de luxo por um sedan médio (que me atendia perfeitamente) que me dava a metade do gasto de manutenção. Quando eu “virei a chave”, tinha o suficiente para pagar todas as formações que eu ainda precisava e a minha parte das contas da casa por 18 meses. Passados 10 meses, eu já consigo pagar 70% das contas sem recorrer à reserva financeira. 

    6. Qual necessidade do mundo você, através do trabalho, está ajudando a sanar? 

    Promover diálogos mais claros e objetivos entre os vários atores de um projeto, educação financeira como promotora de auto conhecimento, difundir a Antroposofia.

    7. Qual futuro você está ajudando a criar? 

    Um futuro com pessoas mais conscientes do que os seus atos representam para elas e para os outros, um futuro com pessoas que têm capacidade de lidar melhor com suas escolhas.

    8. Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Somente uma: tenha um encontro sincero com você mesmo. Quanto mais você souber sobre si, maiores serão as suas chances . Entenda seus valores, suas crenças, suas capacidades, do que você não abre mão, que marca você quer deixar nas pessoas e no mundo.

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    [Fiz a Travessia] Cansei de me sentir vazia e infeliz, me reconectei e decidi ajudar pessoas no mesmo processo

    A entrevistada de hoje é a Angela Duarte Pereira (Angie), na série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Angela Duarte Pereira (mas todos me chamam de Angie)
    Idade: 38 anos, 2 de travessia
    Antes fazia: executiva latam de marketing em multinacionais de tecnologia (Siemens, Nokia e Atos)
    Hoje faz: coach de saúde e professora de yoga e meditação


    1. Por que você faz o que você faz hoje?

    Porque encontrei minha missão, um trabalho que esta alinhado com meus valores, minha verdade, onde posso ser eu mesma. Cansei de me sentir vazia e infeliz. Hoje meu trabalho me preenche, me faz feliz e realizada. Faço o que eu faço hoje porque me reconectei comigo mesma. Sou coach de saúde integrativa, e meu trabalho é ajudar as pessoas a passarem pelo processo de autorreconexão, para viverem de forma mais harmônica, feliz e saudável, conectadas com sua essência. Sinto que eu "walk the talk" pois vivenciei esse processo de reconexão, e isso me ajuda a me conectar com meus clientes, conheço a dor deles porque um dia ela ja foi minha. E a cada cliente que eu ajudo, eu sinto que estou me ajudando também a viver minha verdade, minha essência. Ocupando-me de algo em que acredito, vivi e que se transformou em minha paixão.


    2. Por que você decidiu sair da onde estava?

    Estava infeliz, desconectada, doente, cansada, sem perspectiva de mudança, sem propósito. Dos 15 anos que trabalhei no mundo corporativo, 8 eu trabalhei fora do Brasil como expatriada. Desde os 30 anos eu era diretora para a America Latina e respondia diretamente para o presidente dessas empresas. Eu sentia que eu vivia um personagem que não era eu. Muitos admiravam minha carreira, meu salário, o fato de eu viajar o tempo todo e participar de eventos em hoteis de luxo, mas nos bastidores esse mundo me trazia muita solidão, tristeza, falta de identidade com a missão da empresa. Decidi sair quando vi que as coisas não iriam mudar nunca, eu é que tinha que mudar. Eu havia acabado de ser impedida, mais uma vez, de implantar um projeto que "humanizava" um pouco a empresa. Eu era responsavel pela comunicação interna e externa e me encantava criar iniciativas de cunho social e de integração entre as pessoas. Junto a isso, eu recebi vários diagnósticos médicos de que minha saúde nao ia bem. Foi ai que eu decidi sair da empresa, deixar essa carreira de lado e buscar uma ocupação que preenchesse esse vazio que eu sentia dentro de mim.


    3. Como fez essa mudança?

    Após deixar minha carreira de 15 anos no mundo corporativo, tomei 1 ano sabático e fiz uma viagem de volta ao mundo. Entre trabalhos voluntários e vários cursos que fiz durante a viagem, sempre me hospedando em casas de família locais, me redescobri, me reconectei comigo mesma, foi então que descobri que eu queria trabalhar ajudando as pessoas a passarem por esse mesmo processo de redescoberta que eu passei de uma forma tão natural, mas que nem todos tem a possibilidade de fazer da mesma forma que eu fiz, portanto os guio através de uma metodologia e ferramentas de autoconhecimento, e incorporação de hábitos saudáveis de vida que estejam em harmonia com a natureza de cada um. Quando voltei de viagem eu comecei a dar aula de yoga e meditação, enquanto fazia diversas formações (4 em coaching, 2 em programação neurolinguistica, etc.), muitas pessoas me procuraram dizendo que eu as inspirei por ter deixado o mundo corporativo onde eu tinha um bom cargo e salário (desde os 30 anos eu ja estava atuando como diretora para a América Latina), para me dedicar a um trabalho que eu amo, mas ao mesmo tempo tão novo e incerto no Brasil.

     

    4. Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    A falta de compreensão e apoio de pessoas próximas a mim, a incerteza financeira e a mudança de modelo mental de deixar de ser funcionário para ser dono do meu proprio negocio com toda a liberdade e responsabilidade que isso implica. O processo de transição foi um grande aprendizado para mim, digo que valeu mais que qualquer faculdade que eu poderia ter feito.

     

    5. Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Já estou conseguindo sobreviver da minha remuneração do novo trabalho, mas isso porque, não só mudei de profissão, como mudei meu estilo de vida para que algo de acordo com a minha nova ocupação. E acredito que só assim você consegue sucesso com a mudança, quando tudo está alinhado, em harmonia. É muito difícil mudar de ocupação e seguir exatamente com o mesmo estilo de vida que você tinha antes. Sua rede de contatos, seus horários, até sua roupa e seu almoço provavelmente vão mudar, e até mesmo seu vocabulário. Essa é uma pergunta que me fazem com bastante frequência. Quando decidi sair do mundo corporativo eu tinha certeza do que eu não queria mais fazer, mas não tinha ainda claro qual seria minha nova ocupação. O que sim foi planejado, como boa economista que sou (formação universitária), foi meu ano sabático, pois eu não queria ter que voltar à profissão anterior simplesmente porque o dinheiro acabou, porque gastei toda minha reserva. Esse período de 1 ano sabático foi fundamental para minha decisão sobre a nova profissão.


    6. Qual problema (do mundo) você está ajudando a resolver através do seu trabalho?

    Hoje, através do meu trabalho, tenho mais senso de responsabilidade em melhorar o mundo a minha volta e ajudar as pessoas. Sentia que na atividade anterior, no final, eu só estava ajudando aos acionistas da empresa a ficarem ainda mais ricos. Acredito na frase do Ghandi “Seja a mudança que você quer ver no mundo”, e sinto que estou fazendo a minha parte na minha nova ocupação. Em síntese, através do meu trabalho, eu ajudo as pessoas a passarem pelo processo de autorreconexão, para viverem de forma mais harmônica, feliz e saudável, conectadas com sua essência.


    7. Qual futuro você está ajudando a criar?

    O futuro de pessoas mais felizes, saudáveis, conectadas com sua essências, que são empáticas e conseguem viver em harmonia e colaboração, com outras pessoas, com a natureza e com elas mesmas.  


    8. Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    A transição não é facil, o incerto assusta. Mas, em uma só palavra, fazer essa travessia para ter um trabalho com significado VALE A PENA. O senso de liberdade e empoderamento é muito grande após a primeira transição de carreira bem sucedida, como foi no meu caso, onde se encontra um trabalho com significado já na primeira transição. A gente passa a se sentir capaz de mudar de novo e de novo se for preciso, o céu é o limite. Se eu tivesse a oportunidade de ter uma conversa com alguém que está pensando em iniciar essa busca pelo trabalho com significado eu descreveria todas as barreiras e dificuldades que ela pode vir a enfrentar, e daria dicas e ferramentas sobre planejamento financeiro, recomendaria capacitação e principalmente entrevistar a maior quantidade de pessoas possíveis que estejam atuando na nova carreira para a qual essa pessoa quer mudar. Mas no final, a mensagem é a mesma. O trabalho é só uma parte da sua vida, mas uma parte muito importante, não dá para negligenciar nossa felicidade e ir empurrando a vida com a barriga. Temos que assumir a responsabilidade de nossa vida e de nossa felicidade. A felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia. Vai dar medo de mudar, dá trabalho, mas não desista e continue com medo mesmo, porque o resultado final vale muito a pena.

    Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.

    ESSA HISTÓRIA FOI ÚTIL PARA VOCÊ?

    Se sim, leia outras histórias sobre transição.

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    [Fiz a Travessia] Deixei de ser funcionário público para virar escritor e facilitador

    O entrevistado de hoje é o Alex Bretas, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Alex Bretas

    Idade: 24
    Antes: gestor público

    Hoje: escritor e facilitador

    Lella Sa: Por que você faz o que você faz hoje?

    Alex Bretas: Porque me ajuda a ressignificar minha história. Como escritor, consegui finalmente aplicar uma habilidade que já havia detectado que tinha desde criança. Como facilitador de conversas e processos colaborativos, consigo lidar com minha própria dificuldade em “colocar pra fora” minhas emoções e me comunicar de forma assertiva e autêntica. Acredito que o que o Daniel Pink fala se aplica aos meus trabalhos hoje: consigo, por meio deles, encontrar as doses necessárias de autonomia, maestria e propósito. Atualmente, sinto que tenho a função de mostrar às pessoas que aprender é inerente à vida, é divertido, é fascinante. E também que aprendizagem não é sinônimo de escola ou universidade.

    Lella Sa: Por que você decidiu sair da onde estava?

    Alex Bretas: A síntese de Daniel Pink também me ajuda a responder essa pergunta. Eu precisava de mais autonomia. Queria testar coisas novas, experimentar caminhos diferentes, mas não encontrava espaço onde estava. Também queria me desenvolver como facilitador (busca por maestria), e sentia que meu local de trabalho não iria me dar oportunidades frequentes de me aperfeiçoar nessa área. Por fim, minha visão de mundo começou a questionar seriamente as estruturas de governo em geral — fui estudar sobre redes, abundância, colaboração e nova economia e acabei percebendo que o tipo de relação que eu acreditava ser necessário ao mundo não podia ser criado a partir do Estado. Aí entra o terceiro elemento de Pink: o propósito, que eu não enxergava mais no que estava fazendo. O Estado por definição é uma instituição centralizadora e pouco permeável aos movimentos em rede. Quando as manifestações de junho de 2013 eclodiram, eu ainda estava no governo, e pra nós aquilo foi super complicado. Não sabíamos como lidar. Poucos meses depois, pedi exoneração.

    Lella Sa: Como fez essa mudança?

    Alex Bretas: Cheguei a pedir para ser exonerado uma vez, mas logo voltei atrás na decisão, o que acabou gerando uma crise de confiança na equipe. A decisão já havia sido comunicada à diretoria do órgão e eu fiquei mal na fita, mas consegui permanecer no cargo. Eu não estava preparado: a única coisa que sabia era que, naquele momento, não era ali que eu queria atuar. Mas, se não aquilo, então o quê? Depois desse episódio trágico, comecei a planejar minha transição. Enviei alguns e-mails para pessoas e organizações que admirava em São Paulo, e dentro de pouco tempo consegui uma vaga de consultor. Também fiz questão de comunicar pessoalmente a decisão aos meus pais, afinal, um menino de 20 e poucos anos saindo de um emprego promissor no setor público precisa de uma explicação convincente para acalmar o coração dos familiares. Quando cheguei em São Paulo, um leque de novas possibilidades começou a se abrir, e progressivamente fui me envolvendo mais com o tema que trabalho hoje, aprendizagem livre. Me sentia mais livre e confiante para lançar meus próprios projetos.

    Lella Sa: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Alex Bretas: Precisei arcar com uma multa por não ter cumprido o tempo mínimo de trabalho no governo. Na carreira da qual fazia parte no governo de Minas Gerais — Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental -, exige-se dos servidores recém-empossados uma permanência mínima de dois anos (agora são três) como uma contrapartida da formação que recebemos na Escola de Governo da Fundação João Pinheiro. É um sistema diferente de ingresso no setor público.

    Ao chegar em São Paulo, também precisei reconstruir minha rede de contatos quase “do zero”Frequentei muitos eventos e tomei muitos cafés com muita gente (ainda faço isso). Não havia a segurança que eu podia contar no governo, em que eu já conhecia várias pessoas.

    Lella Sa: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Alex Bretas: No início, os trabalhos de consultoria foram suficientes para me manter, a despeito da multa e da instabilidade desse mercado. No entanto, ao longo do tempo fui me enfiando cada vez mais em projetos autorais, dentre eles a Educação Fora da Caixa. Em fevereiro de 2015 tomei a decisão de me dedicar integralmente ao projeto, embora ele ainda não me pagasse o suficiente. Eu tinha uma reserva financeira que foi absolutamente necessária para passar por esse momento (ainda assim não foi fácil, a insegurança bate forte às vezes). Ainda hoje é um desafio. Mesmo assim, penso nesse período da minha vida profissional como um período de investimento, assim como uma empresa precisa de certo capital inicial para ser erguida. O retorno devagarzinho está vindo, e cada vez mais estou entendendo como me colocar nesse novo lugar que escolhi. A gente vai entendendo as estratégias, como vender, como apresentar nosso trabalho (invariavelmente, se somos autônomos/empreendedores, tais habilidades são muito necessárias). Pra mim é fundamental pensar que a grana não é o mais importante, o mais importante é encarar o trabalho como uma forma de se desenvolver como ser humano e contribuir para melhorar a vida de outras pessoas.

    Lella Sa: Qual futuro você está ajudando a criar?

    Alex Bretas: Um futuro em que todos se apropriem de suas capacidades únicas de aprendizagem. Como hoje tudo está fragmentado, nos acostumamos a pensar que educação só se faz dentro de prédios institucionalmente planejados para servir a esse fim. Isso não é verdade. Aprender (mudar com o mundo) é o que nos faz seres humanos. Trabalho para mostrar às pessoas as condições necessárias para o viver-aprender. Quero muito que cada um perceba suas potencialidades e curiosidades e não as deixe serem massacradas pelo modelo educacional hegemônico. No limite, talvez duas palavras resumam tudo isso: desenvolver autonomia.

     

    Lella Sa: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Alex Bretas:

    • Planeje sua transição com cuidado, mas sem deixar de perceber que os ventos podem mudar. O planejamento precisa se equilibrar com a flexibilidade. Eu não sabia que iria escrever livros sobre educação quando saí do governo, mas uma coisa foi levando a outra e eu resolvi atender ao chamado do meu coração.
    • Construa uma reserva financeira, isso te dará alguma tranquilidade quando a maré ficar mais agitada.
    • Cuide muito, muito bem da sua rede de contatos — vá a eventos, marque cafés, aprenda a apresentar seu trabalho e a falar de você. Pergunte às pessoas as histórias delas e conte a sua, é por meio das histórias de vida que os vínculos são fortalecidos.
    • Compartilhe os frutos do seu trabalho com o mundo, sem se preocupar em fazer dinheiro num primeiro momento, se possível. Isso te ajudará a ser reconhecido na nova arena profissional que você escolheu.
    • Se você não tem condições de pagar um coach ou outro profissional que te apoie durante sua transição, pense em outras formas de montar uma rede de suporte nesse período. Se você tem um amigo que te acolhe e te escuta, peça esse apoio para ele. Se possível, participe de cursos, é uma ótima forma de encontrar apoio + fortalecer sua rede na sua nova área de atuação.

    Alex está envolvido no programa Desaprender, uma iniciativa do UnCollege Brasil para quem quer aprender qualquer coisa de forma livre e com o apoio de uma comunidade acolhedora. Inscrições abertas até dia 15 de abril pelo site www.desaprender.uncollegebrasil.org

    Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.

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    [Fiz a Travessia] Depois de 20 anos numa multinacional, saí para trabalhar com várias coisas diferentes: TI, Yoga, Massagem e cocriar uma empresa horizontal.

    O entrevistado de hoje é o Henrique Ka, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Henrique Katahira

    Idade: 40
    Antes: Analista de TI numa multinacional japonesa. Trabalhei na área de TI por 20 anos no total, dos quais 8 anos no Japão

    Hoje: Instrutor de yoga, massagista (aplico Thai Yoga Massagem), consultor de TI, catalisador de projetos e cocriador da Baobbá (uma empresa horizontal onde todos são sócios e todos tem o mesmo valor)

    Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

    Henrique Ka: Porque descobri que trabalhar com propósito é a única opção para ser realmente feliz e realizado.

    Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

    Henrique Ka: Porque não via muito sentido no sistema atual onde o empregado trabalha para realizar os sonhos do dono da empresa e a única recompensa é financeira. Depois de trabalhar como voluntário numa ecovila, descobri que o propósito é muito mais importante que a forma. Estava muito mais feliz servindo um propósito limpando banheiros que qualquer outro projeto de TI que participei. Escrevi um artigo contando esta história nesse link.

    Lella Sá: Como fez essa mudança?

    Henrique Ka: Depois dessa experiência na ecovila, fui fazer cursos e vivências para tentar me conhecer melhor e descobrir o que realmente me faz feliz. Apostei em autoconhecimento. Fiz um curso de formação para instrutores de yoga, outro de massagem, dois módulos do curso Gaia Education, vivências em permacultura e ações voluntárias. Tudo isso simultaneamente com meu trabalho anterior. Conforme fui entendendo melhor quem eu sou e o que me faz feliz, desenhei um plano de negócios e, por meio de uma amiga em comum, conheci o Gustavo Tanaka que compartilhava do mesmo sonho e me convidou para fazer parte da Baobbá.

    Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Henrique Ka: Um dos maiores desafios é aprender a confiar e colaborar. É o oposto do que aprendemos em casa e na escola. A primeira coisa que a gente aprende em casa é de não confiar em estranhos. E a primeira coisa que a gente aprende na escola é que devemos competir pois não há recursos suficientes para todos.

    Outra coisa que aprendi é que a transição é o caminho e o caminho é a transiçãoNão existe voltar para trás e não existe ponto de chegada. Quando você chegar acha que chegou lá, vai ter outro lugar pra chegar.

    Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Henrique Ka: Sempre fui um bom poupador e cuidei bem da grana que ganhava. Iniciei a transição com zero de dívida. Outra coisa é tentar simplificar cada vez mais a vida e ter um padrão de vida compatível com o que você vai ganhar no começo da transição. Isso me fez ter uma segurança para viver alguns meses sem renda.

    Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

    Henrique Ka: Acredito que estamos vivendo uma revolução silenciosa sem centro. Essa revolução vai mudar a forma que nos relacionamos com as pessoas e o planeta. Já estamos caminhando para um modelo onde competição dará espaço para colaboração, amor e confiança.

     

    Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Henrique Ka: Invista em autoconhecimento. Você só será feliz quando descobrir o que realmente te faz feliz.

    Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.

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    [Fiz a Travessia] Larguei a agência de comunicação para desenvolver líderes e organizações

    A entrevistada de hoje é a Vânia Bueno Cury, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Vânia Bueno Cury
    Idade: 53 anos, sem filhos, 4 netos

    Antes: Fundadora e gestora de uma agência da Anima Planejamento e Imagem — agência de comunicação corporativa — Criava e produzia planejamento estratégico de comunicação, assessoria de imprensa, marcas e eventos

    Hoje: Gestora da Anima Convivência Produtiva — educadora e consultora em comunicação consciente para o desenvolvimento de líderes e organizações

    Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

    Vânia Bueno Cury: Porque encontrei um sentido claro e relevante para o meu trabalho e para a minha vida. Adoro o que faço, me sinto motivada para seguir coaprendendo e energizada para compartilhar o caminho com outras pessoas que buscam a realização criando benefícios para si, para os seus e para o mundo.

    Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

    Vânia Bueno Cury: Um pouco diferente da maioria das pessoas que resolvem mudar quando tudo vai mal, minha transformação começou quando tudo parecia muito bem:

    A agência crescia ano a ano, tinha boa reputação no mercado, bons clientes, era atuante no setor. O momento era positivo e próspero.

    O primeiro sinal de alerta foi um forte cansaço ao final do dia. Isso não era comum para mim. Mesmo nos momentos de trabalho mais intenso, sempre me senti com ânimo e alegria. Nunca tive expediente. Minha vida pessoal e meu trabalho sempre andaram juntos.

    Sempre achei um privilégio pensar a solução para um cliente enquanto passo férias na praia ou durante uma sessão de cinema. Da mesma forma, posso me sentir muito feliz e recompensada durante uma aula, treinamento ou reunião com clientes.

    Justamente por acreditar que “quem gosta do que faz não precisa trabalhar”, decidi prestar atenção naquele cansaço inesperado. Observei durante semanas e percebi que ele ainda estava lá, tomando mais e mais tempo na minha rotina.

    O assunto passou a ser foco das minhas conversas com meu marido, das sessões de terapia e de minhas meditações matinais. Enquanto eu me perguntava o que estava a acontecendo, meu corpo, coração e mente se manifestavam com mais e mais clareza.

    Ao final de algumas reuniões, ouvia minha consciência denunciar: “não quero mais fazer isso”. Fiquei angustiada por um tempo. “Como assim? Eu sempre amei meu trabalho. Comunicação é minha paixão.” Cada cliente, cada texto e evento eram fontes de grande alegria. Agora essa… Poderia ter mergulhado no turbilhão da agenda e deixado pra lá, mas sentia que era preciso acolher e respeitar meu processo.

    Depois de uns três meses de dúvidas e busca, a resposta veio espontânea: “não posso mais investir meu tempo, energia e conhecimento apenas para vender produtos, serviços e marcas. Quero continuar trabalhando com comunicação, mas com foco nas pessoas. Quero trabalhar para ampliar a consciência e contribuir para o bem estar nos relacionamentos”. Esse era o enunciado, forte e um tanto impreciso.

    Lella Sá: Como fez essa mudança?

    Vânia Bueno Cury: Minha mudança começou por procurar um lugar interno de tranqüilidade e confiança diante de um grande “NÃO SEI”.

    Mudar começa com um abraço na incerteza. Eu realmente não sabia onde tudo aquilo me levaria, mas não era mais possível ficar passiva onde estava. Eu não tinha a menor ideia do que faria ou como faria, mas era preciso confiar e dar um passo.

    Como já vinha conversando com meu marido (estava no meu segundo casamento há 1 ano quando tudo começou), foi essencial que ele compreendesse e apoiasse o meu momento. Não tive filhos, então deveria apenas cuidar de mim na transição que não tinha data para acabar. Felizmente, encontrei um companheiro apoiador para estar ao meu lado durante a travessia.

    Mesmo com tantas incertezas, estava certa de que deveria voltar para a escola. Sempre gostei de estudar e fiz dezenas de cursos até então, mas achei que era o momento de consolidar e ampliar o meu aprendizado. Talvez uma mestrado, pensei.

    Mas sem sócios e tocando uma empresa com funcionários e tantas responsabilidades seria muito difícil tocar a nova empreitada.

    Não seria possível fazer uma travessia tão intensa carregando uma bagagem pesada. Eu precisaria abrir mão do que tinha.

    Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Vânia Bueno Cury: O desapego é uma prática exigente. Posso dizer porque a encarei de frente durante alguns meses. Esse foi um desafio intenso: deixar o conhecido e confortável pelo novo desconhecido. Especialmente no meu caso, em que as pessoas não entendiam porque deixar o que estava dando certo.

    Foram muitos passos, todos eles complexos. Comecei por comunicar minha decisão aos meus colaboradores. Eram pessoas muito queridas, alguns deles estavam comigo há mais de uma década e eram muito comprometidos. Minha decisão os afetaria diretamente e precisariam também se preparar. Em cada conversa era preciso acreditar mais e mais na voz do coração para dar sentido a cada uma das tristes despedidas.

    Outro movimento penoso foi deixar nossa “casinha”. A Anima ocupou por 10 anos um espaço muito especial em Pinheiros. Era o nosso xodó. Havíamos investido em sete reformas e muitos cuidados para criar um oásis em São Paulo: uma casa de fundos antiga, com portas e janelas coloridas, mangueira no quintal, orquídeas nos muros e muita arte pela casa.

    Eu realmente adorava aquele cantinho onde fizemos muitos e importantes projetos. Além do trabalho braçal que significa empacotar uma vida, havia o envolvimento emocional de revisitar todas aquelas experiências, relembrar parceiros, celebrar vitórias, valorizar cada aprendizado. Não foi fácil deixar tudo para trás.

    Dias depois de tudo terminado, em casa continuei a receber telefonemas e pedidos dos clientes, dos jornalistas, dos fornecedores e me dei conta de que se não saísse de cena por um tempo, continuaria a fazer o que sempre fiz, mas sem estrutura. Seria um retrocesso. Resolvi, então, fazer um curso para reciclar o meu inglês. Meu enteado tinha se mudado há pouco com sua esposa para Cleveland, nos EUA. Era a alternativa mais simples. Reservei as passagens e segui para ficar 40 dias por lá. Seria um bom tempo para pensar na vida e assumir de vez a minha mudança.

    Comecei o curso no campus da Case Western Reserve University. Já no final da minha estadia, fui à Weatherhead School of Management para, quem sabe, fazer um curso de final de semana nos dias que me restavam. Na secretaria me informaram que não havia workshops naquele momento, mas me entregaram o folheto de um mestrado. Tivemos então o seguinte diálogo:

    “Um mestrado… (passei os olhos no programa e de cara gostei)… mas eu não moro aqui”, expliquei.

    “Tudo bem, o curso é internacional e com atividades à distância. Você só precisará vir aqui algumas vezes por ano” a atendente esclareceu

    Hum… Isso é bom, pensei. “Quando são as inscrições?”, perguntei pensando que talvez pudesse me organizar em alguns meses.

    Ela disse: “As inscrições são agora”

    “Agora? E quando será a primeira semana de imersão?” Continuei tentando saber qual seria o meu fôlego.

    Ela respondeu com naturalidade: “As aulas começam no próximo sábado”.

    Estávamos na 4a feira, e eu no ônibus de volta pra casa lendo e relendo aquele folheto com o coração disparado.

    Encontrei meu marido, que por coincidência (se é que isso existe) passou apenas aquela semana comigo em Cleveland.

    Ao ler o material, ele resumiu tudo o que eu estava sentindo ao dizer: “Mas isso é tudo o que você me disse que queria”. Pois era mesmo.

    Dia seguinte ele foi comigo à entrevista e, mais uma vez, me deu todo o seu apoio. Ao saber que a escola me aceitaria, foi direto: “Acho que você deve fazer”

    E foi assim que para minha total surpresa, terminei o curso de inglês na 6a feira, estava na primeira aula do mestrado no sábado e embarquei na semana seguinte de volta ao Brasil, sem mudar sequer a data da minha passagem. Estava ou não tudo escrito? Ainda me emociono ao relembrar este episódio mágico e me dar conta de que a vida é puro mistério.

    O que a maioria dos meus colegas levaram 2 ou 3 anos para decidir, havia se descortinado pra mim em poucas horas, sem planejamento.

    É, o desapego anda de mãos dadas com a confiança, a entrega e a fé.

    Foram 18 meses de curso, muitos aprendizados, novos e bons amigos de diferentes partes do mundo e uma nova perspectiva profissional:

    A partir de agora eu trabalharia com a comunicação para o desenvolvimento das pessoas e das organizações.

    No dia da formatura, muito emocionada e feliz tive a certeza de que havia feito a escolha certa na hora exata.

    Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Vânia Bueno Cury: Este é um aspecto muito importante para quem escolhe saltar no vazio. Venho de uma família batalhadora e com recursos limitados. Sempre fui muito independente e comecei a trabalhar aos 15 anos. Manter uma empresa com contas em dia nunca foi fácil, mas consegui criar uma reserva que me garantiria alguns meses de sobrevivência. Estar em um casamento estável com um companheiro maduro e generoso também foi essencial. Ele sempre respeitou minha autonomia, mas deixou claro que ser eu precisasse de ajuda, ele estaria ao meu lado. Sentia como uma rede de segurança e ainda sou muito grata por isso. De qualquer forma, apertei o cinto e mesmo durante o curso encontrei formas de continuar produtiva, fazendo consultorias e alguns freelas para ajudar nas despesas.

    Reconheço que tive alguns privilégios, mas estou segura de que mesmo sem tantas alternativas teria feito a transição. Sinto que conhecer a si mesmo e estar conectado com a vontade de ter uma vida significativa é o que faz a diferença. Conheço pessoas com condições muito melhores que não teriam coragem. Assim como admiro aqueles que com muito menos realizam façanhas.

    De qualquer forma, recomendo a busca de equilíbrio. Uma boa dose de audácia com responsabilidade. Um tanto de emoção, sem perder o senso de realidade, especialmente quando os impactos de nossas decisões podem afetar outras pessoas.

    Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

    Vânia Bueno Cury: Me formei em 2009 e, desde então, fui tateando, tateando até encontrar um novo posicionamento e forma de trabalhar. Hoje sou consultora e facilitadora de processos de comunicação para o desenvolvimento de líderes e de organizações, compartilhando técnicas de diálogo, prevenção e transformação de conflitos, inteligência emocional, visão sistêmica e apreciativa, dentre outras. A comunicação está lá, mas em sua compreensão pragmática, isto é, a comunicação entendida como comportamento.

    “Tudo o que você é, e não faz, diz ao mundo quem você é”.

    Pesquisas mostram o quanto as empresas estão “doentes”. Os modelos de gestão baseados na pressão e alta competitividade estão chegando ao seu limite, expondo líderes e equipes a níveis de estresse e insatisfação que comprometem o bem estar e os resultados. Trabalho para que as pessoas desenvolvam formas de comunicação que facilitem a convivência e gerem ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. A acolhida tem sido muito positiva.

    Minha mais recente, e inesperada, experiência tem sido a sala de aula. Há 4 anos fui convidada para dar uma matéria na pós-graduação da FIA (FEA/USP) e, desde então, os convites não pararam de chegar. Além de cursos na FIA, dou aulas no Gestcorp (pós-graduação da ECA/USP), no projeto Pegassus da Universidade Federal de S Carlos, no MBA da Aberje e, recentemente, fui contratada para uma matéria optativa nos cursos de Economia e Administração de Empresas do Insper. Olha só, agora sou professora, algo que nunca imaginei.

    Neste momento me sinto muito feliz. Comecei duas novas empreitadas: estou escrevendo um livro sobre convivência produtiva e, com 2 colegas do mestrado desenvolvendo uma pesquisa global sobre “o valor do comportamento positivo”.

    Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Observe-se. A busca por um trabalho com significado começa pro conhecer-se: o que quero? no que acredito? o que vale a pena?

    São essas questões essenciais e filosóficas que merecem atenção. A ditadura da rotina tende a criar muitos ruídos à nossa volta. A nos distanciar de nós mesmos.

    Estamos sempre conectados, buscando reconhecimento e formas de prazer e alimentos que venham de fora.

    É preciso aquietar-se e ficar em silêncio para ouvir a voz da nossa sabedoria interior. As respostas estão todas lá, em nossa consciência, mas nem sempre estamos prontos e abertos para ouvi-las. Descobri que de todas as formas de comunicação a mais desafiadora é aquele que deve acontecer consigo mesmo.

    Esteja atenta aos sinais de seu corpo. Você se sente saudável? Tem energia para sair da cama e enfrentar mais um dia?

    Se sim, ótimo sinal. Siga em frente. Se não, o que pode estar acontecendo? O mais importante é não ignorar o recado, só você pode cuidar disso.

    Depois de refletir, conversar com alguém de sua confiança pode ajudar. Se ainda não tiver clareza, procure ajuda profissional. Processos terapêuticos podem fazer toda a diferença. Faço há muitos anos e recomendo.

    Encontrei também na meditação um caminho maravilhoso. Falo de meditação sem qualquer conotação religiosa, mesmo que ela possa acontecer, mas como uma prática de autoconhecimento e autodesenvolvimento de altíssimo impacto. Existem dezenas de técnicas diferentes e cada um deve encontrar a que lhe atende melhor. Acredite, poucos minutos por dia, podem fazer a verdadeira revolução.

    Conheço pessoas que depois de profundos períodos de desânimo e até depressão, reencontram a alegria de viver exatamente onde estavam. Muitas vezes a transformação que queremos só precisa acontecer dentro de nós.

    Mudar prioridades, rever conceitos, mudar as lentes de nossos modelos mentais.

    Uma última dica que aprendi nesse meu caminho: para mudar não é preciso destruir. É possível levantar vôo mesmo quando tudo está bem. É aí que entra o desapego.

    Me sinto muito feliz nesse momento. Ouvi meu coração, corri riscos e estou colhendo frutos saborosos. Vivi e vivo momentos de desencanto, ansiedade e medo, isso é humano.

    Mas estou inteira em tudo o que faço. Íntegra em cada momento e desafio. Estou pronta para o próximo chamado.

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    [Fiz a travessia] Saí da indústria farmacêutica para ajudar a empoderar mulheres

    A entrevistada de hoje é Giselle Cabral, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Giselle da Silva Cabral
    Antes : Gerente de Vendas na Indústria Farmacêutica, até começo de 2014
    Hoje : Consultora de Estilo e Imagem Pessoal/Persona Stylist

    Lella Sá: Por que você faz o que você faz?

    Giselle Cabral: E se eu te falar que aconteceu? Sempre fui muito curiosa. Todo começo de ano separo um budget pra fazer um curso novo e conhecer gente. Como 99% do público que eu trabalhava era feminino, fazer um curso onde teria maior habilidade em unir informação e ainda poder usar isso como uma ferramenta para ajudar a empoderar as pessoas, me deixou super animada!

    Lella Sá: Como fez essa mudança?

    Giselle Cabral: A mudança aconteceu naturalmente. não tinha previsto trabalhar fora da indústria farmacêutica tão rápido, até porque a minha fase profissional era ascendente. Pra mim era só mais um curso que eu estava fazendo. Mas eu fui demitida. Nesse meio tempo eu estava fazendo um “estágio” como personal stylist. Foi nessa época que a até então colega de curso (Andrea) me convidou pra trabalharmos como parceiras. Cheguei em casa, conversei com o Otávio, meu marido, e senti que era a hora de tentar.

    Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Giselle Cabral: O maior de todos os desafios foi a mente. Se você não coloca a mente em ordem, ela joga contra! Abrir mão dos benefícios da indústria farmacêutica com a incerteza de estar ingressando num mercado novo e a falta de dinheiro foram as maiores sombras.

    Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Giselle Cabral: Como disse anteriormente, eu não havia me preparado, tive um desfalque três meses antes do esperado, mas também tive meu marido ao meu lado, sempre parceiro, que deu todo o suporte financeiro e psicológico. Se tem uma coisa que eu tenho a dizer pra ele, é o quanto eu sou grata!

    Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

     

    Giselle Cabral: Meu desejo é que todas as mulheres percebam o quanto elas são únicas e que estamos todas conectadas. Não precisamos ser tão críticas com nós mesmas e com as outras mulheres. Podemos aceitar quem somos e temos que aprender a nos conectarmos com a nossa autoestima e com o nosso eu, por que pra mim, esse é o estado de felicidade.

    Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Giselle Cabral: A minha inquietude sempre fez com que eu me questionasse colocando meus valores em pauta. Meu pensamento sempre foi o de olhar pra daqui 20 anos e perceber se o que eu estava fazendo hoje fazia sentido e se de alguma forma estava criando uma marca positiva nas pessoas ao meu redor, por que pra mim essa marca retorna pra nós como um desatador de nós de algo que não ficou tão claro na nossa caminhada. Eu acredito em formas de autoconhecimento, sejam elas terapia, coaching, curso de teatro, individual ou em grupo.

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    [Fiz a Travessia] Saí da Microsoft para criar uma Panificação e Confeitaria sem glúten e sem leite

    A entrevistada de hoje é Talita Benicio, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Talita Benicio

    Idade: 32

    Antes: Compradora Internacional, Microsoft Hanoi / Vietnã

    Hoje: Proprietária da Same Same — igual, mas diferente / Panificação e Confeitaria sem glúten/sem leite

    Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

    Talita Benicio: Em Fevereiro de 2015, após um longo período doente depois de algumas internações, sem saber exatamente o que eu tinha, recebi em Hanoi no Vietnã, o diagnóstico de câncer de estômago. Pedi demissão e larguei tudo, voltei para o Brasil em Março e passei por diversos exames e descobri que não era câncer e sim, uma grave (e tardia) alergia alimentar ao glúten e a proteína do leite (caseína).

    Tive que reaprender a me alimentar, fiz diversos cursos e pesquisas e quando percebi que eu não era a única com esse problema, decidi que poderia transformar o meu problema em oportunidade de negócio e então, montei a Same Same — igual, mas diferente, com foco em panificação e confeitaria sem glúten e sem leite.

     

    Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

    Talita Benicio: Minha péssima condição de saúde foi o divisor de águas porém, há algum tempo, eu já vinha questionando minhas escolhas. Morava há 3 anos na Ásia (2 anos e meio na índia e 4 meses no Vietnã), sozinha com um estresse intenso (pressão com a compra da Nokia pelaMicrosoft), jornada de trabalho estendida, pois atendia também a fábrica do Brasil, com 12h de diferença. Tinha sim muitas vantagens, ganhava muito bem, viajava bastante a trabalho e lazer mas era refém de um escritório por mais de 12h/dia e um celular por 24h. Emocionalmente, sempre fui muito estabilizada no que tange a saudade, mas o fato de estar doente por tanto tempo e sem um diagnóstico exato, me fazia refletir se aquilo estava realmente valendo a pena.

    Lella Sá: Como fez essa mudança?

    Talita Benicio: Quando pedi demissão, meu mundo caiu. Eu batalhei bastante para chegar onde estava profissionalmente e tinha um futuro promissor na minha antiga área de atuação. Como morei tão distante do Brasil e sozinha por tanto tempo, fiz do meu antigo emprego o meu maior companheiro e ficar sem ele, me deixou sem chão. Voltando ao Brasil, decidi tirar um período sabático — me dediquei a descobrir o que estava me “matando” e como eu iria resolver isso. Quando me descobri alérgica, automaticamente algumas coisas fluiram — reaprendi a cozinhar e readaptei meus hábitos de consumo.

    Com o período sabático, entendi que eu não queria mais voltar para o regime 12h por dia presa em um escritório. E então, foi quando as coisas ficaram ainda mais confusas — o que eu vou fazer se eu só sei ficar trancada 12h por dia em um escritório?!

    Prolonguei um pouco mais o meu sabático e voltei para Manaus, onde morei por quase toda a minha vida. Revi amigos e me permiti ter tempo para ter novas idéias. No dia 4 de setembro de 2015 acordei e disse: “hoje farei minha primeira fornada”. Nasceu a Same Same.

    Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Talita Benicio: Eu fui e sou o meu maior desafio. Pois para mim, não existia emprego bom o suficiente fora da minha antiga área de atuação. Morria um pouquinho todas as vezes que alguém me perguntava com o que eu trabalhava. Levei muito tempo para aceitar que, a vida na indústria não era mais o que eu queria. E levei mais tempo ainda, para aceitar que ficar em pé na cozinha e receber o título de “cozinheira” não me fazia menor em nada — muito pelo contrário, me faz feliz em todos os sentidos.

    Sofri também preconceitos de alguns antigos colegas de profissão e sinto também que algumas pessoas se afastaram de mim, pois não temos mais “assuntos em comum” para conversar.

    Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Talita Benicio: Fiz uma boa poupança morando fora do país então, grana não foi e nem está sendo um ponto crítico no meio desse processo.

    Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

    Talita Benicio: Gosto muito do termo cozinha inclusiva. E foi daí que a Same Same — igual, mas diferente nasceu. Não vendemos pães e bolos. Vendemos possibilidades. A moda da dieta sem glúten vai passar, a alergia não.

    Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Talita Benicio: Se ouvir. Eu costumo dizer que o corpo emite sinais o tempo todo, mas a gente ignora.

    O meu corpo comprova o tempo todo quão errados são os resultados negativos dos testes alérgicos que eu faço. Hoje, eu percebo que a maioria das pessoas está operando em modo automático, fazendo porque “tem que fazer”, “para fazer o social” ou simplesmente para “evitar confrontos” — com os outros e consigo mesmo. O meu eu-antigo vive dando rasteira no meu eu-novo, mas levanto e arrumo meu avental e falo para mim mesma “keep walking”.

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    [Fiz a Travessia] Larguei o emprego garantido numa multinacional para ser artista plástico

    O entrevistado de hoje é Hugo Elias, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Hugo Elias

    Idade: 31
    Antes: Analista de marketing em uma multinacional no setor de pesquisa de mercado

    Hoje: Artista plástico / designer gráfico / tattoo designer

    Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

    Hugo Elias: Pelo prazer, pela satisfação e pelo desafio.

    Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

    Hugo Elias: Já estava saturado do trabalho e era nítido que aquele não era meu lugar. Minha vida estava cada vez mais chata, estressante e sem sentido. Não me identificava com meu trabalho, com o ambiente de trabalho, com os valores da empresa e com o que eu estava construindo.

     

    Lella Sá: Como fez essa mudança?

    Hugo Elias: Tomei coragem e resolvi que precisava sair do meu trabalho e respirar novos ares. A primeira coisa foi compartilhar a decisão com minha mãe, minha grande companheira, que me apoiou desde o primeiro momento. A decisão já estava tomada, porém ainda precisava resolver algumas questões antes de anuncia-lá. Foi quando as divergências com minha chefe cresceram muito e então recebi o maior presente da minha vida: Fui demitido. Bingo.

    Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    O desafio foi não perceber que são infinitos os caminhos e as possibilidades que podemos escolher em nossas vidas. Depois que caí na real foi tudo mais fácil. No início deu um baita frio na barriga. Depois foi sensacional. No dia em que fui demitido sinto ter deixado para trás um peso enorme, que estava nas minhas costas e não tinha percebido.

    Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Hugo Elias: Eu estava transbordando de felicidade. Me sentia livre. Não precisava voltar ao meu trabalho. O mundo de portas abertas. Era tudo oque eu tinha em mente. Era o momento de investir em mim. No que eu queria, com confiança. Então larguei tudo, cortei meus gastos e fui fazer um mochilão na América do Sul, sem roteiro, sem data de volta. Economizando eu tinha grana para estar parado por uns 2 anos. Porém em pouco mais de um ano eu já tinha torrado tudo. Investi em mim. Feliz da vida.

    Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

    Hugo Elias: Busco cada vez mais estar presente e consciente da minha existência e da minha manifestação como indivíduo. Ter uma atitude verdadeira comigo mesmo é um grande despertar e uma grande escola. Ter coragem para reconhecer e aceitar o que está dentro de mim. Acredito que esse é um caminho para um presente e um futuro em harmonia comigo e com o todo.

    Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Hum, essa pergunta é complicada, já que cada perfil de pessoa possui uma forma de pensar e seus desafios são tão distintos…

    Pra mim a busca vale a pena. A aceitação é importante. A energia e a disposição são fundamentais. Estar em harmonia consigo mesmo, com suas vontades e ambições é essencial. Isso transformará muitas coisas dentro de você e muitos dos problemas que você imaginava, nem se quer existirão.

    Estar bem, conhecer as dificuldades e diminuir os seus riscos. Sabendo que coisas boas também acontecem. Tem semente que demora para brotar e não é por isso que deixaremos de plantá-las. Bora acreditar!

    Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça para do Programa Travessia.

    Essa história foi útil para você?

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    [Fiz a Travessia] Saí da Natura para empreender e ter tempo para criar meus filhos.

    A entrevistada de hoje é a Luciana Ribeiro Lopes Gonçales, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

     

    Luciana Ribeiro Lopes Gonçales

    Nome: Luciana Ribeiro Lopes Gonçales

    Idade: 41 anos

    Antes era: Pesquisadora na área de Bem -Estar da Natura

    Hoje é: Sócia proprietária do Ateliê Felizidade

    Lella Sá - Por que você faz o que você faz hoje?

    Luciana Lopes - Porque posso ser profissional e mãe! Tudo com o mesmo peso e mesma dedicação.

     

    Lella Sá - Por que você decidiu sair da onde estava?

    Luciana Lopes - Principalmente porque não queria me ver no futuro falando que não vi meus filhos crescerem, que passou rápido demais. Queria ter tempo de ver tudo, de sentir, de viver ao lado deles. Tempo de brincar, de dizer não sem culpa! Tempo de educar! E tempo de escutar meu coração...e construir algo com sentido, significado.

    Lella Sá - Como fez essa mudança?

    Luciana Lopes - Vivi integralmente a maternidade e aos poucos foi surgindo a vontade, o nome, o ramo...e então surgiu o Ateliê Felizidade!

     

    Ateliê Felizidade

    Lella Sá - Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Luciana Lopes - Solidão. Faz falta a conversa com as amigas e o cafézinho no meio da tarde. Atravessar o medo de empreender e se sentir segura no nova jornada também não foi tarefa fácil.

    Lella Sá - Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Luciana Lopes - Abri mão daquilo que descobri que dá para viver sem. Sempre contei com o apoio do meu marido Fernando, que me incentiva em todas as minhas escolhas! Sou muito grata!

    Lella Sá - Qual futuro você está ajudando a criar?

    Luciana Lopes: Como mãe me esforço para deixar seres humanos íntegros, honestos e amorosos! Como empreendedora, busco sensibilizar crianças e adultos sobre a beleza e o valor da simplicidade. Coisas que dinheiro nenhum compra...

    Lella Sá - Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Luciana Lopes - Tempo, silêncio, respiração...ouvir o coração...só pode dar certo!!!

    Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça para do Programa Travessia.

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    [Fiz a travessia] Abri mão de ser gestora de uma empresa para trabalhar com estiloterapia

    A entrevistada de hoje é a Mariana Themoteo Ianuzzi, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Mariana Themoteo Iannuzzi

    Idade: 34

     

    Antes era: sócia gestora de uma fábrica de balas naturais funcionais: Arte da Roça e gestora da Moretti Administração e Contabilidade.

    Hoje trabalha com: Psicologia da imagem e autoconhecimento criativo

    Lella Sá : Por que você faz o que você faz hoje?

    Mariana Iannuzzi : Na minha trajetória sempre tive que lidar com várias questões relacionadas a minha beleza, a minha sexualidade e ao feminino. Minha auto estima era bem instável e a minha percepção sobre mim mesma era bem diferente do que as pessoas diziam. Nesta minha jornada de resgate de mim mesma, de empoderamento e da busca de como lidar e enfrentar meus próprios monstros, passei por várias experiências, tive grandes desafios. Se puder resumir: descobri que a chave está dentro de cada um de nós. Basta assumirmos o comando da nossa vida e darmos um passo de cada vez, sempre na direção da nossa essência que o resto é consequência.

    Hoje sou facilitadora na jornada de pessoas que estão em busca de si mesmas e de se expressarem no mundo de forma autêntica. Pessoas que queiram fazer da sua essência o seu estilo de se vestir, se comportar, viver e de ser.

    A cura delas também é a minha cura e isso torna o processo ainda mais enriquecedor. Minha intenção é que elas expandam a consciência e percebam que através do auto amor e do cuidado somos capazes de curar, superar, reescrever a nossa história e trazer um novo significado ao que passamos, ao que ouvimos e ao que já sentimos.

    Lella Sá : Por que você decidiu sair da onde estava?

    Mariana Iannuzzi : A Arte da Roça foi uma escola para mim, me descobri empreendedora, gestora e reafirmei minha paixão por pessoas. Como era uma empresa familiar, tinham questões que ultrapassavam os negócios e eu já não pertencia mais naquele cenário. Eu queria fazer a diferença na minha vida e na das pessoas de outra forma, com outra linguagem e outras vias de acesso: aquelas que tocassem a alma.

    Lella Sá : Como fez essa mudança?

    Mariana Iannuzzi : A oportunidade foi quando decidi me mudar para São Paulo para morar com o meu atual marido. Iria mudar de cidade, de profissão e de estado civil, amei a ideia e agarrei, literalmente!

    Ainda não tinha a menor ideia em que área atuar e passei pelo segundo processo de coaching da minha vida, o primeiro foi em 2005 quando o coaching ainda não era difundido no Brasil e eu voltei para casa após 6 meses na Califórnia. Já sabendo do potencial dos resultados da técnica, embarquei em mais uma jornada e fui me redescobrir profissionalmente.

    Quando decidi me mudar para São Paulo, achei que era a hora de realizar uma vontade antiga: contratar alguém para me ajudar a me vestir! Insegura e com a crença que paulistanos eram muito arrumados e cariocas viviam de havaianas, parecia a coisa certa a fazer… e foi mesmo!

    O processo me ajudou muito e com o tempo, percebi que para me expressar de forma autêntica precisaria ir muito além das roupas e das regras que me foram sugeridas.

    A partir daí comecei a estudar consultoria de imagem em São Paulo e em Nova Iorque. Me formei em professional and personal coaching, em cromoterapia e em terapia alimentar ayurvédica. Resgatei meus valores, minhas verdades, a dança, o meu corpo e muito mais. A jornada continua e é muito especial encontrar tantas pessoas incríveis pelo caminho. Fico feliz em poder fazer parte da trajetória delas e de estar cada vez mais perto da minha verdade.

    Lella Sá : Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Mariana Iannuzzi : O primeiro foi assumir que eu já não pertencia mesmo ao lugar que me encontrava e que faria o que fosse preciso para mudar aquele cenário. As vezes passamos um tempão fugindo de nós mesmas, né? A incerteza de não saber exatamente para onde ir e o medo do desconhecido também me acompanharam neste processo e me renderam vários momentos de ansiedade e confusão. Tive que me perder para me encontrar. Estabelecer um círculo de relacionamentos também foi um grande desafio (e ainda é), em uma nova cidade, sem um cartão de visitas com uma empresa para ser meu sobrenome, ufa, não foi nada confortável.

     

    Lella Sá : Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Mariana Iannuzzi : A questão financeira também foi delicada, repensar o consumo, abrir mão do que não era necessário e ter consciência do meu custo de vida foi fundamental para seguir em frente. O fator principal que viabilizou a minha mudança foi contar com a parceria do meu marido, que acreditou desde o primeiro minuto junto comigo, mesmo quando eu não sabia se casava ou comprava uma bicicleta.

    Minha renda era muito pequena e contar com ele foi imprescindível, inclusive financeiramente. Aceitar este suporte foi um rompimento importante de uma crença que me limitava — a que eu deveria ser independente sempre e não contar com ninguém. Isso me ensinou a receber e ainda hoje exercito pedir ajuda em outros aspectos, quando preciso.

    Lella Sá : Qual futuro você está ajudando a criar?

     

    Mariana Iannuzzi : Um futuro mais sustentável com pessoas que se percebam de forma integral, que se respeitem, se cuidem e se amem para aí sim contribuírem para a humanidade e para o planeta. Com pessoas que valorizem a sua beleza da forma que é, independente de padrões sociais e esteriótipos, que saibam reconhecer o seu potencial, que acolham suas histórias e que queiram ser felizes e melhores a cada dia. Que reconheçam a importância da sua imagem como forma de expressão, comunicação e transformação. Um futuro com pessoas que não se conformem com a situação que estão, mas que também não se rebelem. Que expandam a consciência de que somos únicos, de que a riqueza está na diversidade e de que o amor é o caminho!

    Lella Sá : Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Mariana Iannuzzi : Descasquem a cebola e tenham coragem para ouvir o seu coração.

    Abrem mão dos velhos hábitos, deixem suas máscaras de lado e se permitam acessar o núcleo da sua alma! Para alguns serve uma viagem, para outros um negócio, para uns dança, para outros coaching, vale até uma religião, uma perda, uma terapia, um amor… Só não espere que a vida faça isso por você ou que é preciso acontecer algo ruim para você acordar. Se responsabilizeIndependente da forma, dê o primeiro passo, saia da zona da inércia, busque, arrisque, se permita e se entregue! Tudo o que somos e precisamos está contido em nós. Grite, pule, peça ajuda, se resgate e simplesmente, seja!

    Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça para do Programa Travessia.

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    [Fiz a travessia] Larguei o marketing corporativo para ajudar a criar um novo jeito de trabalhar

    O entrevistado de hoje é o Max Nolan Shen, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

     

    Nome: Max Nolan Shen

    Idade: 38 anos

    Antes: Era publicitário e trabalhei muitos anos em marketing

    Hoje: Impulsiona movimentos culturais em rede através da DervishHofficee MaturityNow

    Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

    Max Nolan Shen: Por muitos anos eu ajudei grandes marcas a identificarem suas causas. Depois eu comecei a liderar ou colaborar nas causas e movimentos nos quais acredito. E pra isso precisei aprender a trabalhar em rede, com o poder do coletivo e da abundância das nossas conexões. E depois não parei mais.

    Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

    Max Nolan Shen: Desde a faculdade e o início da minha carreira eu questionei esse modelo hierárquico onde prevalecem estruturas e processos de comando e controle. Mesmo entregando bons resultados para os meus empregadores, eu nunca me senti confortável e feliz nas organizações tradicionais, fossem elas agências, consultorias ou clientes.

    Lella Sá: Como fez essa mudança?

    Max Nolan Shen: Eu sou formado em Engenharia Mecatrônica na Poli e me tornei um Cultural Hacker. Basicamente eu fui seguindo a minha intuição do que me faz feliz e fui moldando os trabalhos dentro das empresas para se adequar ao que eu gostaria de fazer. Eu nunca esperei uma próxima oportunidade para mudar e me sentir mais realizado. Eu nunca me conformei com as “caixinhas” que me deram. Sempre fui incorporando mais estratégia, criatividade e propósito na função em que eu estava. Dessa maneira, aos poucos mas de modo constante, eu fui migrando para o meu trabalho dos sonhos.

    Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Max Nolan Shen: A incerteza do futuro. Quando você está sempre mudando sua própria carreira, você dá um salto sem fim para o desconhecido. Você sabe que aquela transformação é a certa pra você mas não sabe se vai dar certo. Então é preciso ter muita auto confiança e comprometimento com as suas crenças e valores. Se não tiver isso, você irá duvidar de si e do seu caminho. Aí não tem como dar certo.

    Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Max Nolan Shen: Eu tive de viver mais simples e me adequar com os altos e baixos do fluxo de dinheiro. Mas nunca me faltou nada.

    E eu também topei fazer alguns trabalhos não remunerados para projetos de ONGs ou negócios sociais em que eu acreditava muito.

    O mais importante é que eu comecei a ter muita consciência de trocas de valor, não necessariamente financeiras, e do meu equilíbrio sistêmico nos projetos.

    Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

    Max Nolan Shen: Eu estou ajudando a criar um novo jeito de se trabalhar, EM REDE ABERTA E DISTRIBUÍDA, com foco no coletivo mas com total liberdade e autonomia para cada pessoa poder expressar sua individualidade. Também trago minha contribuição para movimentos em rede para cidades, maturidade, trabalho flexível, etc…

    Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Max Nolan Shen: Se você ainda não tem clareza do seu propósito ou Trabalho com Significado, então colabore e fique muito próximo com alguém que saiba. Tenha um mestre. Aprenda por osmose. Eu sempre tive vários ao longo da minha jornada: Marilia Rocha, Roberto Ziemer, Fernanda Rol, Eduardo Seidenthal, Oswaldo Oliveira, Edgard Gouveia, Rodrigo Alonso e tantos outros. Cada um deles me ajudou a dar muito significado pra minha vida. Boa sorte!

    Encontre o Max em dois eventos bacanas:

    Maior Hoffice do Mundo: Dia 28 de Janeiro no Hiperespaço em São Paulo: Você já conhece esse movimento? É uma onda internacional que reúne adeptos do Home office para dividir o mesmo espaço de trabalho com o objetivo de trocar ideias e experiências.

    TransitionsDia 17 de fevereiro no Hiperespaço em São Paulo. Eu e o Max vamos fazer mini palestras com o tema: Transição Profissional — Como ter um trabalho com significado? Reserve seu lugar aqui.

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    [Fiz a travessia] Saí da publicidade para fazer arte

    [Fiz a travessia] Saí da publicidade para fazer arte

    O entrevistado de hoje é o Diego Mouro, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Diego Mouro

    Idade: 27 anos

    Antes fazia: Publicitário

    Hoje faz: o que o coração sentir vontade de fazer. No momento arte, amanhã não se sabe.

     

    Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

    Diego Mouro: Porque é o que faz meu coração vibrar. E eu sentia a necessidade de fazer algo que me conectasse a mim mesmo, ao que fosse essencial pra mim pra viver e sobreviver. Faço porque não sei mais fazer de outro jeito. O coração mandou, quase como uma urgência vital, e eu atendi. E tem sido lindo.

    Lella Sá : Por que você decidiu sair da onde estava?

    Diego Mouro — Não sentia mais tesão em estar lá, acordava todo dia como se fosse um grande sacrifício ir trabalhar fazendo o que fazia. Comecei a questionar se era isso que eu gostaria de continuar fazendo nos lugares onde eu andava fazendo. Me sentia sem energia.

    Lella Sá: Como fez essa mudança?

    Diego Mouro: Foi um processo longo e brusco ao mesmo tempo. Longo porque senti essa urgência diversas vezes durante cerca de 4 anos. Me desligava de agência ficava um tempo fora, mas logo voltava. Algo faltava sabe? Talvez não fosse o meu tempo certo, talvez eu não estivesse pronto. Mas dessa última vez, foi abrupto e emergencial. Depois de uma reunião na agência, algo estava diferente. Fui pra casa e decidi que não queria mais aquilo, nunca mais, no outro dia pedi demissão. Assim, sem planejamento algum. Sentia algo internamente gritando pra que eu fizesse isso e dizendo que tudo ia dar certo, uma confiança muito grande.

    E bom, tem dado até então :)

    Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Diego Mouro : Na verdade eu ainda estou passando por eles, os desafios são quase diáriosA diferença de se viver uma vida com total autonomia é que ela se torna muito mais visceral e exige muito mais responsabilidade. Tudo é vivido intensamente e na sua totalidade. Eu não tenho como fugir, enganar, ou tercearizar os problemas, sentimentos e desafios que aparecem. Eles só dependem de mim para serem solucionados. As decisões devem ser tomadas por mim, e eu devo ter consciência e sabedoria para encarar as consequências delas, boas ou ruins.

    Talvez o maior de todos os desafios nessa nova vida seja esse: Assumir a responsabilidade total da vida, em todos os fatores, e entender que mais que um desafio, é uma grande benção.

    Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

    Diego Mouro: A incerteza é diária, mas você aprende a lidar com ela e entende que autonomia tem a ver com isso. Quando você assume essa responsabilidade de ter que “conquistar” cada centavo que você recebe, você muda sua relação com o dinheiro.

    Você passa a entender, por exemplo, de que é possível ter mais de uma fonte de renda. Ter pequenas fontes, vindas de diversos lugares e atividades, que contemplem parte ou talvez todas as habilidades que você tenha. E que explorá-las assim, numa pluralidade, é incrível, desafiador e instigante.

    Passei a entender também que valor, é algo imensurável, e vai além de uma simples troca de moedas. Valor é algo que não se estima, é algo que você ganha e recebe, vai além do dinheiro. É algo que te toca e te transforma. É possível entregar e se receber MUITO valor, sem se tocar em uma nota sequer.

    O dinheiro deixa de ser o carro chefe da sua vida e passa ser parte integrante dela, de uma maneira mais consciente.

    Lella Sá : Qual futuro você está ajudando a criar?

    Diego Mouro: “Eu já me senti livre, hoje quero sentir que livro.”

    Quero ajudar a criar um mundo em que as pessoas sejam livres, livres pra fazerem o que quiserem. Que respeitem a si mesmas, suas vontades e a dos outros. Que tenham autonomia total sobre seu tempo e sua vida, e que sejam responsáveis por isso.

    Acho que seria um mundo lindo a se viver. Estamos testando aos poucos :)

    Lella Sá : Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Diego Mouro: Meus queridos, façam o que quiserem fazer. Sejam em plenitude as pessoas que são. Permitam-se ser quem quiserem ser, sem medos e sem amarras. Ouçam essa vozinha ai dentro, que alguns chamam de intuição, e sigam-a. Testem, errem, aprendam, acertem. Exerçam sua autonomia e autenticidade.

    Entendam que tudo é possível, é só fazer.

    E se precisarem de ajuda, é só gritar. Tem mais gente nessa caminhada e seria um prazer tê-lo lado a lado. ;)

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    [Fiz a Travessia] Parei de gerenciar shoppings para transformar espaços em comunidades

    [Fiz a Travessia] Parei de gerenciar shoppings para transformar espaços em comunidades

    A entrevistada de hoje é a Andrea Sender, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

    Nome: Andréa Sender

    Idade: 35

    Antes: Trabalhava em escritórios de arquitetura e em uma gerenciadora de projetos

    Hoje: Transformo espaços em comunidades :) na Acupuntura Urbana

    Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

    Andréa Sender: Porque isso faz todo o sentido para mim! Me sinto uma pessoa plena e realizada como o que eu posso oferecer para o mundo e para as pessoas que estão ao meu redor.

    Perceber o impacto positivo do meu trabalho é uma satisfação imensa que trabalho e vida se confundem em uma coisa só e eu sempre sonhei com esta osmose :)

    Lella Sá : Por que você decidiu sair da onde estava?

    Andréa Sender: Gostava muito de gerenciar pessoas e transformar os processos mais leves e humanos para todos, mas os projetos que eu gerenciava (no caso, grandes projetos de shoppings centers e clubes esportivos), não faziam mais sentigo para mim. Queria uma causa maior, gerar um impacto positivo para a humanidade, poder levar um ritmo de vida mais flexível, com pessoas que acreditam nas mesmas coisas que eu e que sejam apaixonadas pelo que fazem, como as que estão ao meu lado atualmente.

     

    Lella Sá: Como fez essa mudança?

    Andréa Sender: Em 2011, depois de 8 anos trabalhando de forma convencional com arquitetura e gerenciamento de projetos, decidi tirar seis meses sabáticos e fui realizar um grande sonho: morar em Paris.

    Em fevereiro de 2014, volter de uma temporada de quase três anos morando na França, onde tive uma vida totalmente diferente da que costumava ter em São Paulo. E estas perguntas não me saiam da cabeça…

    Lá o espaço público era o meu maior companheiro. O transporte público e as bicicletas de aluguel também eram o meu principal meio de transporte. Por sua vez, o medo e a sensação de insegurança nunca estavam comigo! Quantas atividades eu fazia gratuitamente, com pessoas de todos os tipos e de maneiras inusitadas… Estes eram os meus sonhos para São Paulo!

    Foi aí que comecei a prestar atenção em como as pessoas se relacionavam com a cidade. Muitas, reclamavam e não faziam nada, outras, sonhavam e concretizavam um mundo melhor, e fui em busca deste segundo grupo.

    Em abril de 2014 fui apresentada ao Jogo Oasis, quando participei de uma formação oferecida pelo Instituto Elos, parte do Programa GVT na Praça. Foi também neste treinamento que conheci a Renata Minerbo, fundadora do Acupuntura Urbana, e atualmente, companheira de vida, de sonhos e de transformações. No Acupuntura Urbana, trabalhamos a transformação de espaços públicos com base no engajamento comunitário e um dos primeiros passos da nossa metodologia é a “Troca de Sonhos”, na qual trocamos um sonho de padaria, por um sonho para São Paulo e/ou para um local público específico.

    Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

    Andréa Sender: Como a minha transição foi feita durante um momento de muitas mudanças (para quem morou em outro país, sabe que a readaptação leva um tempinho para acontecer…), é difícil distinguir exatamente essas dificuldades, mas elas sempre vieram acompanhadas da certeza de que um novo e lindo caminho estava sendo traçado.

    Como tinha uma carreira estável antes de ir para a França, a grana era uma grande questão e entender o que exatamente eu faria profissionalmente também. Além disso, tinha um círculo de amizades e uma família bastante convencional que não entendi muito bem a minha escolha, então no início, me senti bastante solitária nos meus questionamentos.

    Mas o sentido desta transição era tão grande que mergulhei em mim mesma e tive um momento de busca muito importante, durante o qual me aproximei de pessoas por que tinha muita admiração e nas quais me inspirei muito para tornar esta transição mais leve.

    Um coach querido me ajudou bastante também.

    Lella Sá: Como ficou a questão da grana em meio a incerteza?

    Andréa Sender: Sem dúvida que a grana era um ponto importante, pois tinha morado três anos sozinha, tinha um salário bom e estável antes de ir para a França. Voltei praticamente com uma mão na frente e outra atrás, voltei a morar com os meus pais, mas minha independência era muito importante.

    Como eu acredito muito que, quando caminhamos na direção certa, as coisas se ajeitam… elas também se ajeitaram :)

    Durante esta transição um antigo parceiro de trabalho muito especial entrou em contato comigo e me convidou para ajudá-lo no gerenciamento dos Planos Municipais de Iluminação Pública de diversas cidades brasileiras. Não consegui dormir este dia, pensando que seria uma ótima oportunidade, mas que não queria voltar a fazer o que eu fazia antes. Foi aí que encarei o convite como uma oportunidade de levar um olhar mais social para este projeto de larga escala e qual não foi a minha grande alegria quando ele topou! Começamos a desenvolver uma pesquisa social e esta oportunidade, além de garantir a minha renda, me abriu um novo horizonte de aplicação. Sou muito grata a esta parceria, que me permitiu entrar de corpo e alma no Acupuntura Urbana e a desenvolver um trabalho social junto a Citylights também.

    Lella Sá: Qual futuro que você está ajudando a criar?

    Andréa Sender: Um futuro no qual os indivíduos entendam que somos responsáveis pelo mundo que queremos e o mundo que eu quero ´e um lugar com mais amor, mais respeito, mais espaços coletivos de qualidade, mais sonhos realizados, mais cooperação, mais abundância e menos escassez.

    Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

    Andréa Sender: Se aproxime de pessoas que você tenha profunda admiração, que te inspirem. Preste atenção nas pequenas coisas do dia a dia que te fazem sentir pleno e busque se aproximar, cada vez mais, da sua melhor versão ❤

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