[Fiz a Travessia] Larguei um ótimo emprego para viajar 380 dias e depois comecei a ajudar as pessoas a transformarem seu mundo.

Nome: Stela Anderson Romeiro

Idade: 28 anos
Antes fazia: Profissional de Marketing Analista Sênior de Produto na Categoria de Maquiagem.

Hoje faz: Facilitadora de Cursos na FazInova

Lella Sá - Por que você faz o que você faz hoje?

Stela Romeiro: Porque quero ajudar as pessoas a se transformarem e assim transformarem seus mundos. Viver melhor é algo possível e com a fórmula da vontade e com determinação conseguimos ressignificar inúmeras coisas. Facilitar este processo e estar próxima da jornada das pessoas que buscam melhorar é um privilégio.

Lella Sá - Por que você decidiu sair da onde estava?

Stela Romeiro: Minha vida começou a não fazer mais sentido. Estava perdida apesar super “encontrada”. Tinha todos os elementos pra teoricamente ser feliz mas simplesmente não estava. Me sentia presa, miserável, me perguntando se era isso mesmo que era viver. Como um rato na rodinha, era assim que me via no decorrer dos dias. Me lembro de me perguntar um dia “Então é isso? Viver é isso?”

Eu estava condenada a uma sentença de vida. Tinha tudo o que queria ter: um ótimo emprego, ótimo namorado, ótima saúde, ótima família, ótimos amigos e ótima aparência física. What else? All.

Lella Sá - Como fez essa mudança? Qual foi o processo que você passou?

Stela Romeiro: Foi um processo incrivelmente legal, cheio de dores, choros, alegrias e sentimentos que nunca pensei que pudesse ter.

Em Janeiro de 2013 voltei a fazer terapia. Em Maio terminei meu namoro de 6 anos, nós morávamos juntos. Em Setembro pedi demissão. Em 07 de dezembro parti pra América Central, iniciar meu Ano Sabático.

Foram 380 dias de infinitas descobertas. Queria viver tudo o que sonhava mas não tinha coragem de fazer. Ser um personagem do canal off, abraçar as pessoas aleatoriamente, ser cool e amorosa ao mesmo tempo, ser meio louca, me vestir de maneira horrível, não usar maquiagem, ser a versão mais feia que pudesse ser de mim mesma e agir bem com isso, estar rodeada de pessoas que antes me intimidariam por serem modernas demais e me sentir parte delas ou até mais a frente que elas, aprender mais 1 língua, ficar sem fazer ABSOLUTAMENTE nada por dias e dias, aceitar o meu corpo, fazer meditação, yoga e massagem, comer o que quisesse na hora que quisesse, conversar com estranhos, pegar carona na beira da entrada, estar desarrumada e descabelada entre MUITAS outras coisas.

Passei 3 meses no Panamá, 1 na Costa Rica, 3 na Nicarágua, 2,5 na Europa, 1 na Rússia e 1 em um Mosteiro no Nepal.

Nesse link dá pra saber um pouco mais sobre as experiências

Lella Sá - Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Stela Romeiro: Parece ser fácil e/ou muito legal fazer tudo isso que citei, mas são desafios ENORMES! Quando queremos mudar um padrão habitual do nosso comportamento, precisamos transformar uma série de preconceitos em novos conceitos e ir aplicando aos pouquinhos cada um destes testes. Não é do dia pra noite que essas mudanças acontecem. Ficamos inseguros, perdemos o chão. Nossa crença anterior, apesar de não ser mais desejada, era o que nos constituía. Deixar de ter pra construir uma nova é como estar agarrado em um tronco no meio de uma corredeira d’ água e decidir nadar pra pegar outro. Nesse meio tempo nos sentimos perdidos, com medo. Perde-se a referencia. E nesse ano me forcei (no ótimo sentido) a buscar muitos e muitos outros “troncos”. Na maioria dos casos posso dizer que agarrei em um melhor. Mas em outros fui e voltei ou me perdi pelo caminho, chegando a me afogar e perder o ar por alguns minutos. Mas sobrevivi!

Lella Sá - Como ficou a questão de grana em meio a incerteza? 

Stela Romeiro: Felizmente sempre economizei dinheiro. Quando saí do meu emprego tinha uma boa poupança pois planejava comprar um apartamento com meu namorado. Eram 70 mil reais. Como sou jovem e não tenho filhos, decidi usar a grana pra fazer a viagem. E acabei gastando apenas 40 mil, valor do carro que vendi antes de partir.

No meio do caminho decidi não pensar sobre grana no sentido futuro de quando eu voltasse da viagem. Isso só ia fazer com que não estivesse presente e fosse totalmente uma vã pré-ocupação.

Durante a viagem pensava na grana  mas não fiquei neurótica. Como a maior parte do tempo estive na América Central (muito barato), pude viver com $20 ao dia e assim sabia que gastaria menos do que o planejado. Então consegui curtir tranquila a viagem.

Já quando eu voltei, pensei em grana, claro. Ainda tinha o suficiente pra viajar de novo se quisesse ou pra ficar aqui em SP sem trabalhar por 1 ano. Isso foi bom, porque me deu tempo de readaptar tranquilamente e procurar trabalho sem desespero.

Mesmo porque eu queria algo com significado, que fizesse parte de mim e que não fosse apenas “trabalho”.

Lella Sá - Qual futuro você está ajudando a criar?

Stela Romeiro: Poxa, espero que um futuro onde as pessoas sejam mais gentis consigo e assim com os outros. Um futuro de respeito aos ritmos e vontades de cada um pois é com a diversidade que enriquecemos de verdade. Um futuro de silêncio seguido de conversar. De play e pause. De vibração e calma. De cuidado e amor.

Amo conversar e tentar ajudar as pessoas. Como minha jornada de autoconhecimento foi muito profunda e intensa, além de autodidata, dar conselhos se tornou uma coisa muito natural e que faço com enorme prazer. Saber que isso pode ser a principal ferramenta de meu trabalho é ainda um sonho com um começo de realização recente. Quero continuar “trabalhando” pra que o melhor aconteça.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Stela Romeiro: Pode parecer clichê, mas é clichê por alguma razão: Ouça seu coração. Sei que você abafa ele muitas vezes por diversos motivos, todos importantes. Mas aquela voz que não se deixa calar e fala baixinho com você na madrugada ou antes de dormir, é sábia e é sua amiga. Ouça, converse com ela. Veja que concessões está disposto a fazer. Se sentir que tem que ser rápido, faça. Se tiver que ser devagar, de tempo ao tempo. Respeitar o processo é fundamental. Não se cobre demais. Dificilmente seremos 100% em todos os aspectos da nossa vida. Somos seres limitados, não tem jeito. Punir-se pelos 40 ou 60% não leva a muita coisa. Vale analisar as prioridades e tentar pouco a pouco mudar o que você acha que te fará sentir melhor. Pequenas conquistas de pequenos grandes desafios nos fazem sentir em movimento e geram confiança. Seja gentil consigo e dê a mão pra você. Seja seu melhor amigo. Queira o seu bem. Respeite-se. <3

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Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida.

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

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