[Fiz a Travessia] Preferi empreender do que trabalhar numa corporação

Nome: Laíssa Cortez Moura

Antes fazia: Coordenadora de Atendimento/ Trainee

Hoje faz: Empreende a Vekante Educação e Cultura

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Laíssa Cortez Moura: Sempre tive muita vontade, em fazer um trabalho que ajudasse as pessoas. Desde pequena participo de uma ONG (CISV), e ver a transformação nas pessoas sempre me fascinou. Acabei descobrindo que a educação é minha grande paixão. Foi então que no começo de 2015, conheci meu sócio. Apaixonado por educação, cultura, percebemos que tínhamos muitas vontades em comum. E foi então que decidimos abrir a Vekante Educação e Cultura, que em Esperanto significa, acordar, despertar. E é isso que queremos. Que as pessoas despertem pro mundo e que vejam possibilidades.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Laíssa Cortez Moura: Nos últimos três anos, minha vida mudou muito. Logo que saí da faculdade, resolvi que queria ser Trainee, pelo desenvolvimento oferecido, por poder conhecer uma empresa do "começo ao fim" e ter um salário interessante. Foi então que entrei no Trainee das Lojas Riachuelo. Foi uma experiência INCRÍVEL! Tive ótimos treinadores, minha gerente foi uma super professora. Os colaboradores me ensinaram muito. Mas percebi que ficar dentro de um "escritório" 6 dias da semana, na média de 12 horas por dia, não era para mim. Sentia que precisava aprender mais, viver mais, ter experiências reais com várias pessoas. E foi então que resolvi sair, sem ter nada em mente. Na época, estava fazendo um curso de Inovação, na então nova startup da Bel Pesce, FazINOVA. Foi um curso muito legal, conheci pessoas que me abriram os olhos, "validaram" a minha saída do trainee. E percebi que realmente o mundo tinha muito mais a me oferecer. Ao final do curso, eu e a Bel, tínhamos uma relação muito boa. E acabei sendo contratada, para ser a primeira funcionária. Fiquei muito energizada! Ter a oportunidade, de ajudar a criar uma empresa do zero, montar equipe, aprender com talentos de diversos lugares, desenhar produtos, experiências, planejar viagens. Aprendi demais! Amava meu trabalho. Mas tinha uma certa pulguinha atrás da orelha. O lado social, transformador, sempre me chamava. A cada oportunidade estava no CISV, ajudando em alguma ação. Foi então que percebi, que apesar de estar em um lugar incrível, ainda me faltava a transformação real. Com algumas mudanças e a empresa bem mais sólida, acabei saindo.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Laíssa Cortez Moura: No começo foi bem difícil. Estava certa do que queria. Mas ouvi muitos questionamentos. Como alguém tem um trainee nas mãos e abandona? Como pode ter um super salário e ir trabalhar em uma startup? Como assim você saiu sem ter nada em mente? Muitas vezes me peguei pensando, se tudo que fiz valia a pena. Em meio a essa confusão! Percebi que a minha paixão era o que fazia na ONG. No começo foi difícil aceitar que era educação. Crescemos ouvindo que professor, não é valorizado, que ganha mal, e etc. Mesmo tendo excelentes exemplos de professores, não vou mentir que bateu o medo. Para onde é que vou parar na educação. Minha familia, me ajudou MUITO! Me apoiaram e sempre torceram para as minhas conquistas.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Laíssa Cortez Moura: Acredito que a mais difícil foi o fator dinheiro. Consegui me sustentar por um bom tempo depois da faculdade. Mas me vi tendo que pedir ajuda e arrego novamente aos meus pais. E as vezes o orgulho bate nessas horas. E os questionamentos chegam, SERÁ? Será que fiz certo?

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Laíssa Cortez Moura: Como comentei acima, a questão da grana sempre pegou. Na verdade ainda pega. Não tem como ganhar o que eu ganhava, ainda, com a nova empresa! Mas a vontade de trabalhar é muito maior. Quando você faz um projeto e vê o poder de transformação que ele tem, é uma sensação indescritível. Estou no meu momento de plantar. Estou plantando muito! Cada escolha, tem suas consequências. Mas mesmo assim, não me arrependo de nada que fiz.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Laíssa Cortez Moura: Sei que dizer que o futuro vem com a educação é clichê. Mas hoje consigo ver, quantas pessoas estão realmente trabalhando para que tenhamos uma educação melhor. Que o sistema mude, que comecem a ver a criança e o adolescente como ele é. Estamos em alta com a "Pátria Educadora", com os olhares em cima de sistemas mundiais, como a Finlândia, entendendo e conhecendo estudos sobre competências sócio emocionais. E sei, que será um processo longo de mudanças, não chegamos onde estamos ontem. Foi um processo muito longo. E demanda um tempo para que as ideias de hoje, escalem. Mas quero uma escola, uma educação. Onde as crianças possam ser crianças, tenham tempo para brincar e entender o quão importante é, para o desenvolvimento. Ter adolescentes menos ansiosos e mais seguros, que a aquela grande decisão, não será a única na sua vida. Entender que o erro, faz parte do processo. E estamos nesse mundo, para cumprir nossa missão. Mas essa missão, não é só uma. São várias, que vamos descobrir ao longo do caminho.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Laíssa Cortez Moura: Se escute! O corpo e a mente, sempre dão sinais de que algo não vai bem. Se você não tem mais entusiasmo pelo seu trabalho, se começar a adoecer, se não tem mais aquele orgulho de dizer para os outros o que faz. Pare! Pense! Descubra dentro dos seus hobbies suas paixões. Entenda que se você faz aquilo como voluntário, aos finais de semana ou tem o maior prazer em ajudar alguém. Isso tudo pode virar um ofício.

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

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