Por que temos que viver dentro de formatos?

Já me perguntaram por que não uso a palavra coach pra me denominar. A resposta é: eu não caibo dentro deste termo. Na verdade, eu não me encaixo em nenhum. Coach diz respeito a uma das formas que eu posso oferecer para exercitar o meu propósito, relacionado ao desenvolvimento da autonomia. Então, por que me fechar em uma palavra, sendo que eu também facilito eventos, fotografo, administro um espaço, dou consultoria e e outras coisas mais?

A vida inteira somos estimulados a ocupar caixas, mesmo sem saber a que de fato servimos dentro delas. Somos reconhecidos mais pelos formatos que pelos propósitos, então não importa se somos felizes como médicos, engenheiras, atrizes, arquitetos, mas se temos o título.

Por isso o vestibular é algo tão grandioso por aqui. É o momento onde escolhemos o que vamos fazer para o resto de nossas vidas. Será? A gente já saiu da era das profissões e passamos aos seres multifacetados onde exercemos diversas atividades com funções distintas. Uma maneira muito mais liquida e maleável. Ancoramos a nossa carreira no propósito e não mais no formato. Zigmund Bauman fala que estamos sempre mudando de forma – assim podemos exercer todos os nossos potenciais e habilidades em prol de um propósito. Muitas vezes isso pode ser visto como falta de foco, mas acredito que podemos, sim, nos dedicar integralmente com todos nossas habilidades. 

Ao ter consciência sobre o propósito individual, fica mais fácil encontrar um jeito de amarrar todos os interesses, habilidades, talentos e paixões em alguma ou algumas atividades. Quando há essa clareza, é possível compreender  a causa que deseja dedicar-se integralmente.

Gostaria que as pessoas se apresentassem cada vez mais como elas podem ajudar pessoas, qual é a bandeira que elas levantam e aí usar isso em favor das atividades que vão executar. Não o contrário.

Isso ajudará também no momento em que a "caixa" ocupa  ou profissão que exerce passa a não fazer mais sentido.

Quanto mais as pessoas são reconhecidas pelo propósito que elas querem dedicar a sua vida, ou seja, pela realidade que elas querem criar mais fácil é para fazer mudanças no trabalho.

Já o oposto não é possível. Quando se muda de profissão sem que haja um reconhecimento da nova habilidade que quer se firmar,  a transição pode ser mais dolorosa.

Como gastamos muito tempo da nossa vida trabalhando,  que tal ter clareza da diferença que quer fazer?  

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