Saber o propósito do que você faz muda tudo

A Ana Amélia Feijó, participante do Programa Travessia, conseguiu traduzir, em suas palavras, o porque eu faço o que eu faço.

Como eu disse no post anterior, a formatura do Travessia mexeu muito comigo. Principalmente por escutar cada “Travesseiro” se comprometer com a mudança que as tornam melhores versões delas mesmas.

A Ana Amélia Feijó conseguiu colocar no seu discurso muitas coisas que eu sinto. Então, com a sua permissão, compartilho o que ela falou naquela noite especial:

“Sou engenheira, trabalhei com marketing, moda, e hoje em dia com propaganda, sempre em empresas “líderes” em seus mercados.

Trabalho há 21 anos e durante todo esse tempo me senti um peixe fora d’água. Me perguntava “líder” em quê?

Em não saber lidar com as emoções e talentos individuais? Em não conseguir motivar seus funcionários a acordarem todas as manhãs? Líder em destruir o meio ambiente produzindo seus produtos de forma desordenada e pensando somente em redução de custos? Líderes em fomentar um espírito de concorrência desleal entre concorrentes do mercado e seus funcionários?

Por isso, sempre tive um prazo máximo em que aguentei estar em uma empresa, sempre achando que o problema era eu e que na próxima oportunidade tudo seria diferente. Mas nunca é. Nunca é porque o mundo corporativo é assim, salvo raras exceções de empresas que cuidam de seus funcionários, onde o RH é mais atuante. Mas, mesmo assim, possuem o mesmo propósito de todas, gerar lucros para uma minoria com mais dinheiro que a grande maioria das pessoas nunca verão na vida. Isso sempre me incomodou muito.

No primeiro dia do Programa Travessia, a Lella disse que nós somos CEOs da nossa própria vida. Isso me deprimiu porque na vida profissional eu sempre fui estagiária da minha vida, sempre fazendo o que me mandavam, me deixando afogar em reuniões, emails, prazos, jobs, happy hours com pessoas que não têm nada a ver comigo, almoços com sanduiches na minha mesa, planilhas, power points. Me matei de trabalhar pra vender apartamento, junkie food, carros, sabão em pó, bolsas de milhares de reais, coisas que destroem o planeta, a saúde e até nossos valores. Uma hora isso tem que parar.

A segunda lição do Travessia foi que eu não sou um peixe fora d’água, só estava nadando em aquários fechados quando nasci pra viver no mar. Aquários que nos ensinam que valemos pelo cargo que ocupamos, pelo bônus que recebemos, pelo carro que temos, pelas festas que somos convidados.

Aqui, encontrei pessoas que, assim como eu, acreditam numa sociedade diferente, menos consumista, mais consciente pelo planeta, formada por uma rede de autônomos, indivíduos multifacetados voltados para construir um mundo melhor, mais acessível, mais voltado para o sentir, não somente pelo fazer.

Sonho com uma sociedade na qual, ao conhecer uma nova pessoa, ela não vai me perguntar “o que você faz” e sim “quem você é?”.

Depois, ao longo do Travessia, mergulhei no meu universo interno, relembrando meus valores, revisando minha visão de mundo, redefinindo minha missão na vida. Descobri que, resolvendo minhas dores, posso ajudar a resolver algumas dores do mundo.

O autoconhecimento nos liberta para ser quem somos.

Trabalhar o inconsciente e o auto conhecimento. Como fazer isso?

Conhecendo pessoas novas, lendo coisas diferentes, visitando lugares inusitados, se expondo e, então, você mudará de verdade. Essa é o meu momento agora, estou conhecendo um universo novo e me inserindo dentro dele.

No meu caso, minha missão, o que vai realmente me fazer feliz, é livrar um pouco o mundo da dependência de grandes indústrias, grandes “fundos de investimento”, incentivando a produção nacional, artesanal, sustentável, a economia criativa. Pessoas que ousam fazer o que gostam, o que acreditam, que ousam usar seus talentos natos, aqueles que nascem com a gente. Pessoas que trabalham com um propósito, que têm mais clareza do impacto social e ecológico que sua atividade pode trazer. Quero ajudar a criar uma sociedade de pessoas com mais liberdade e autonomia. Empoderar pequenas empresas criativas na preservação da natureza. Quero conectar pessoas que possuem os mesmos ideais de uma vida voltada para o “viver” e não somente para o “trabalhar”.

Voltando ao nosso primeiro encontro, que foi muito marcante pra mim: escrevemos nossa pergunta inicial para estarmos aqui neste grupo. A minha foi: “como o trabalho passa a ser um prazer e não uma obrigação?”. Com certeza essa pergunta foi respondida. Fazendo algo que eu me orgulhe e acredite. Ontem, no último encontro, tivemos que formular a pergunta que vai permear nosso futuro próximo, de amanhã em diante. Escrevi: “como posso ter coragem para começar a colocar em prática o que descobri que quero fazer como meu trabalho?”. Não sei ainda essa resposta mas me comprometo a buscá-la. Se vou conseguir não sei. Mas como dizia meu amado Guimarães Rosa, “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”.

Agradeço a Lella e aos meus amigos nesta jornada do Travessia que acabamos de iniciar. Torço para que a Lella continue seu incrível trabalho ajudando pessoas que, como eu, estavam fazendo atividades automáticas e sem propósito, sem paixão. Torço demais por cada um de vocês.”

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Quando ela terminou o discurso eu estava bastante emocionada. Acredito que cada pessoa precisa investir seu tempo de vida a causas que realmente dão sentido a vida de cada uma. Oferecendo nossos talentos a causas que realmente satisfazem e tragam o senso de realização. Assim não vivemos em vão e criamos um futuro que seja realmente desejável.

Veja a situação a distância. Pense no seu trabalho. A atividade que você faz está contribuindo para criar algo que faz sentido para você? Entenda qual realidade você está ajudando a criar ao colocar seus talentos nessa determinada função.

Se você busca um trabalho com significado, primeiro saiba a causa para a qual faz sentido colocar seu tempo (de vida) e sua energia à disposição.

Qual é o problema do mundo que você gostaria de ajudar a resolver?

No caso da Ana, ela falou que quer livrar um pouco o mundo da dependência de grandes indústrias, grandes “fundos de investimento”, incentivando a produção nacional, artesanal, sustentável, a economia criativa. Ela faria isso mesmo se ganhasse na loteria porque isso a satisfaz e traz um sentido maior para sua vida e seu entorno.

Esse é o norte dela. Independente da atividade que ela escolher atuar, idealmente ela servirá a essa causa. Como eu falei numa entrevista para o Projeto Draft:

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No meu caso, minha missão é ajudar pessoas a entenderem o sentido de suas vidas e a criarem um trabalho que tenha um impacto positivo no mundo. Eu faço isso através de conversas individuais e em grupos.

Acredito que, quando há clareza na nossa missão, ou da diferença que queremos fazer no mundo, temos mais foco e disciplina para fazer o que realmente o que for necessário.

Se você quer descobrir seu propósito, seus talentos, paixões e valores para criar um Trabalho com Significado, o Programa Travessia pode te ajudar.

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