Empreendedorismo

Para ter um trabalho com significado, não é preciso ter uma ideia genial; é preciso acreditar em si mesmo

Esqueça a ideia que para empreender é necessário ser criativo. Às vezes, presas nesta ideia, as pessoas deixam de investir em uma ideia ou partem para uma franquia, na vontade de tocar um negócio. Mais que criatividade, o importante mesmo é saber reconhecer os próprios talentos e entender como empregá-los na área desejada.

Para começar, é importante se perguntar qual é a necessidade do mundo que você quer sanar. E talvez isso seja mais fácil do que você imagina. Olhe pra sua própria necessidade, o que te faz falta neste mundo?

A Miri Stock, que participou de um do Programa Travessia, sentia a necessidade de trabalhar o seu feminino através do prazer. Percebeu que isso era uma questão para muitas outras mulheres e criou o Prazerelas, projeto que visa empoderar mulheres por meio de sua própria sexualidade.

Empreender não acontece de fora pra dentro, mas de dentro pra fora. É necessário se identificar com a causa, até para conseguir enfrentar os momentos de dificuldade que irão surgir. Sem uma afinidade com o projeto, fica mais fácil desistir que tentar se reerguer. 

Por isso que digo que autoconhecimento é fundamental para criar um trabalho com significado, seja empreendendo ou não. Iniciar um negócio nem sempre é a melhor opção, e se você conhecer seus incômodos e prazeres, vai saber o que fazer, onde investir - pode ser dentro da própria empresa de atuação. 

Pergunte às pessoas pelo que elas te reconhecem, compartilhe sua ideia e peça feedback. Para isso não é preciso que o projeto esteja perfeito e "redondinho", isso vai acontecer com o tempo e conforme for amadurecendo. Acredite!

Se você gostou do texto, clique no ❤ aí embaixo. Fazendo isso, você ajuda essa história a ser encontrada por mais pessoas.

 

Para quem você direciona seu trabalho? —  como e por que definir

Você já ouviu falar em persona? Muito usado no marketing, o termo se refere à pessoa para quem você direciona seu trabalho. Definir isso é fundamental antes de iniciar qualquer empreendimento.

Diferentemente do público-alvo, que é um perfil que contêm várias pessoas, a persona é um personagem que representa seu público alvo. Quando traçado a persona fica muito mais fácil pensar em como se comunicar e o que oferecer. Não há como circular de maneira fluida em um espaço que você não conhece.

Para te ajudar, algumas reflexões são importantes:

  • Qual é o perfil das pessoas com quem você gostaria de colocar seus talentos a serviço?
  • Quais são os problemas do público que você deseja atender? — Foque nos problemas.
  • Quais são as coisas que ela precisa fazer? — Entenda as necessidades, objetivos e desejos (usar verbos).
  • Quais são as coisas que a motivam? — Busque o que a faz movimentar, o significado pessoal.

A partir daí, crie a sua frase: um nome; adjetivos que representam a pessoa em mente e suas necessidades.

Exemplo:

Giovana, uma jovem que saiu do mercado corporativo há alguns anos. Engajada na economia colaborativa e nas “novas formas de viver”, precisa de uma maneira para suprir a sua necessidade de ser reconhecida pelo que faz e ser valorizada financeiramente — de forma que a faça sentir mais confiante e tranquila para continuar trabalhando alinhada ao que acredita.

Traçada a persona, hora de planejar e prototipar como sanar essas necessidades. Falo sobre isso em um próximo post.

Fazer a transição é gratificante mas exige coragem, enfrentar os medos, planejar os próximos passos e começar. Se você quiser um empurrãozinho para seguir seus objetivos, conte comigo!

A Tração da Mudança: Gerindo suas relações e os ambientes que frequenta

Se passamos a maior parte da nossa vida trabalhando, por que não estar rodeada de pessoas que nos fazem bem?

Dependendo do ambiente em que está, as pessoas podem ao redor podem tanto te incentivar a criar mudanças significativas e melhores na sua vida , como podem trazer pensamentos duvidosos cheios de medo, que desencorajam a sua ação. Por isso que é tão importante escolher os ambientes e as pessoas que incentivam o crescimento e a melhoria contínua de todos.

O que faz a gente querer viver uma vida mais feliz é o sentimento de autorrealização que vem geralmente quando estamos com pessoas que nos fazem bem e frequentamos lugares que nos energizam.

Somos merecedores de boa companhia e ambientes maravilhosos. Podemos estar rodeadas diariamente por pessoas que realmente importam para nós e que também nos inspiram a ser uma pessoa melhor. Isso significa que também podemos e devemos estar com essas pessoas e nesses lugares durante o trabalho.

O trabalho é mais uma esfera na nossa vida que podemos aplicar nossa missão de vida, exercer a nossa contribuição única e fazer uma diferença no mundo. Se passamos a maior parte da nossa vida trabalhando, por que não estar rodeada de pessoas que nos fazem bem?

Um jeito de descobrir quem são essas pessoas e esses lugares que podem te energizar e ajudar a criar um trabalho com significado e uma vida com propósito é listando os seus valores, aquilo que você preza, para depois lembrar quem também pensa assim.

Quando eu entendi que eu sou responsável por criar a realidade que desejo viver tendo um trabalho com significado e um estilo de vida alinhado com meus valores, aprendi que:

Vida e trabalho são uma coisa só: Por isso não há razão em separar as relações e os ambientes. Todas as pessoas e os lugares que você frequenta podem ser alinhados com seus valores e com aquilo que deseja viver e criar para o seu futuro.

Criar parcerias com quem nos inspira: É uma forma de aprender como essas pessoas, que trabalham com o que amam, pensam e se comportam. A partir da convivência fica mais fácil seguir seus passos e adquirir competências e atitudes que elas tem.

Frequentar ambientes alinhados com aquilo que desejamos viver: nos ajudam a encontrar pessoas que pensam e agem como a gente.

O ritmo de vida saudável vem quando acontece um alinhamento com os valores pessoais: A busca pela coerência do que falamos com o que fazemos nos ajuda nesse processo. Além disso estar em contato com pessoas com a mesma visão de mundo em ambientes que nos alimentam contribuem para um ritmo mais saudável. 

A transformação é um casamento de uma transição interna com mudanças externas: Quando as coisas mudam internamente acabamos agindo de outra forma, damos valor a outras relações, fazemos outras atividades e frequentamos lugares novos.

A responsabilidade de mudar o que nos insatisfaz é de cada um de nós: Ambientes e pessoas nos ajudam no processo de mudança mas sem a vontade interna, nada se transforma.

Sabendo que falar é mais fácil que fazer, criei alguns exercícios que podem te ajudar a entender melhor, na prática, como criar uma tração na sua mudança através do gerenciamento das suas relações e dos ambientes que frequenta.  

Fiz um PDF especialmente para quem não está frequentando ambientes tão bacanas e nem está rodeado de pessoas que as inspiram. Lá você encontra uma explicação mais detalhada da ferramenta “Gerindo relações e alinhando ambientes com os valores vida” e exercícios que podem te ajudar a começar esse processo. Para baixar o PDF, basta clicar nesse link.

E para quem quer apoio nesse processo. pode participar do Programa Travessia e fazer isso junto comigo.

Conheça a Matriz Mix de Serviços: monetizando seu trabalho com significado

No processo de transição para um trabalho com mais significado você mergulhará num processo de autoconhecimento. Primeiro você vai identificar seus talentos, paixões e valores. Depois disso, você vai começar a sonhar com a realidade que deseja viver. Um bom caminho para quem quiser empreender a sua própria vida e expressar sua autenticidade, é oferecer o que tem de único e criar formas de entregá-lo para quem o necessita. 

Existem várias formas de transformar as suas habilidades em serviços que podem ser monetizados. O que interessa é criar uma variedade de formatos que suprem necessidades diferentes. Dessa forma você atenderá vários perfis do seu público alvo. O que você precisa é criar o seu mix de serviços. 

A criação do seu mix de serviços pode te trazer uma maior tranquilidade de como terá uma estabilidade financeira!

Isso não significa que não dá medo de começar a fazer a transição. Por que dá. Medo é natural, medo faz bem e só significa que você está crescendo. 

Como essa também é uma necessidade minha, fui pesquisar o que eu precisava fazer ter uma renda mensal baseada nos meus talentos e de forma independente. Busquei entender a natureza por trás dos produtos e serviços bem sucedidos e veja o que eu percebi:

O momento da compra depende do que é oferecido: O serviço pontual é diferente do serviço recorrente. Enquanto um tem começo, meio e fim o outro é cíclico, ou seja, a participação da atividade é determinada por isso.

Não há uma dependência de uma única fonte de renda: As atividades podem ser viabilizadas de várias formas. O serviço pode ser financiado por apenas um cliente ou por vários, oferecendo serviços para empresas e também diretamente para o consumidor final. (B2B ou B2C).

Serviços beneficiam grupos e indivíduos: Existem diversos formatos com propostas de valor diferenciados para criar impactos distintos.

Os conteúdos são personalizados e padrão: Quando a necessidade é tornar a iniciativa conhecida criam formas de oferecer algo padronizado. Quando a necessidade é desenvolver e aprofundar optam por serviços personalizados para fidelizar um grupo de clientes.

Já que ter uma estabilidade financeira e monetizar serviços é uma necessidade de muita gente além da minha, criei uma matriz baseada nos princípios acima para que você possa desenhar seu mix de serviços.

Essa matriz foi muito útil para mim e hoje é a minha principal ferramenta para ajudar as pessoas a fazerem uma transição e desenvolverem sua autonomia. Quando eu preenchi a matriz, consegui criar serviços recorrentes como meus atendimentos no formato plantão de dúvida e os pontuais como o  Programa Travessia e o Radar ou os workshops mais curtos como a Bússola Interna e o Seu Mapa

É importante dizer que ter clareza do seu mix de serviços não significa disponibilizar todos de uma só vez. É preciso que o serviço chegue numa mínima maturidade para lançar outros. Desenvolver um olhar estratégico te ajudará a entender o que é preciso fazer espaçado no tempo. Eu, por exemplo, resolvi esperar para lançar meus serviços recorrentes no site, hoje eles só acontecem com quem já passou por algum serviço pontual comigo.

Fiz um PDF especialmente para quem não está sabendo como monetizar seu trabalho. Lá você encontra uma explicação mais detalhada da ferramenta Mix de Serviços e exercícios que podem te ajudar a começar esse processo. Para baixar o PDF, basta clicar nesse link


E para quem quer fazer junto comigo, pode participar do Programa Travessia.  

[Fiz a Travessia] Troquei o cargo de redatora publicitária para ser celebrante de casamentos

Nome: Ilana Reznik

Idade: 30 anos

Antes fazia: Redatora publicitária

Hoje faz: Celebrante de casamentos personalizados. Cria e conduz cerimônias inspiradas na história e na identidade do casal.

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Ilana Reznik: Por que eu senti como um chamado, como se fosse mesmo a minha missão aqui. Algo inexplicável. Eu era feliz trabalhando com publicidade, mas pensava sempre que queria um trabalho com mais significado. Que um dia ia aparecer alguma coisa grandiosa pra mim. Então, quando duas amigas decidiram se casar e não tinham quem fizesse a cerimônia de casamento delas, eu me ofereci pra fazer. Eram duas mulheres e nenhum celebrante religioso ou civil faria. Nessa hora eu pensei em todos os casamentos que eu já tinha ido e que tinham me frustrado pela mesmice, pela falta de personalidade. Então, achei que poderia criar uma cerimônia diferente pra elas duas, inspirada na história de amor do casal. Escrevi o texto, conduzi a cerimônia e aí senti o chamado. Não foi uma sensação de ter encontrado o trabalho dos meus sonhos, mas de ter sido encontrada por ele, porque realmente, não foi uma coisa planejada, foi absolutamente intuitiva. Era algo com significado, como eu desejava, juntando a escrita, a criatividade e o amor. Os três pilares que sempre me guiaram.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Ilana Reznik: Porque quando eu celebrei o meu primeiro casamento, eu entendi que essa função fazia muito mais sentido pra mim, pra minha personalidade e pros meus ideais, do que a publicidade. Eu gostava de ser redatora publicitária porque eu adorava escrever, mas não agüentava mais o modelo de trabalho de horário comercial, me frustrava ver tanto tempo de trabalho sendo desperdiçado com campanhas nunca aprovadas pelo cliente e o mais importante: eu não tolerava mais trabalhar pra pessoas cuja índole e caráter eram duvidosos. Tive alguns chefes muito inspiradores na vida, mas a maioria me desestimulou completamente com uma gestão ineficiente e com práticas de assedio moral intoleráveis.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Ilana Reznik: Bem, entre a minha primeira experiência como celebrante e o meu pedido de demissão, passaram-se 2 anos e meio. Mas a partir desse primeiríssimo casamento, eu comecei a espalhar pros amigos que estava trabalhando como celebrante. Pedia pra eles divulgarem pra mais amigos, passei a preencher todas as fichas de médicos e hotéis como “Celebrante de casamentos”, me apresentava assim pra qualquer pessoa nova que eu conhecesse. Eu fui internalizando a mudança, de forma muito natural. Fiz um site e alguns casais começaram a aparecer. Como eram poucos ainda, eu conciliava com a vida em agência. Mas cada vez mais a minha cabeça e a minha energia estavam fora. Então, em janeiro de 2013, com 4 casamentos agendados pro ano só, eu pedi demissão pra tocar essa nova vida. Sabia o quanto eu queria que desse certo e sabia que o sucesso seria diretamente proporcional à energia direcionada nessa direção. Eu tinha que arriscar. O que poderia acontecer de pior? Eu não ter casal nenhum interessado e ter que voltar pra agência? Tudo bem, eu correria esse risco. Coloquei uma meta pra mim: conseguir realizar 12 cerimônias neste primeiro ano. Internamente, mesmo sem grande retorno financeiro, eu entenderia que estaria no caminho certo. Fiz 15 cerimônias. Tudo que eu mentalizava acontecia. Nesse sentido, a minha ligação com a espiritualidade foi um suporte muito poderoso para a minha transição. Eu tinha muito mais confiança do que medo. E uma certeza irracional de que se parecia tão especial, não tinha como dar errado.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Ilana Reznik: São muitos desafios quando você decide empreender. Muitos. Incontáveis. Vamos lá: em primeiro lugar, eu não sabia se haveria demanda de mercado pra minha nova profissão. Não sabia se haveria muitos casais interessados em ter uma cerimônia de casamento customizada, pessoal e afetuosa. Não sabia como as pessoas à minha volta, amigos e familiares, iam interpretar essa mudança. Se eu teria o respeito deles ou não. Por ser um trabalho original, tinha medo das pessoas acharem que era uma piração total e não algo que eu estava encarando com tanta seriedade. Depois tem os desafios de ter o seu próprio negócio, administrar seu próprio tempo, conseguir trabalhar de casa, conseguir desempenhar funções que eu não tenho tanta aptidão (parte administrativa e financeira). E, por último, eu não tinha um referencial. Não tinha um profissional que eu admirasse e pudesse seguir sua carreira como exemplo, eu estava criando tudo do zero, com base no que eu achava interessante. Então, dois grandes desafios foram desenvolver uma metodologia pro meu processo e conseguir precificar de maneira justa.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Ilana Reznik: O primeiro ano como celebrante e até parte do segundo foram de investimento. Cobrava um valor abaixo do que eu imaginava ser o justo porque queria ter volume, queria me fazer conhecida, entrar no mercado. Então, vivia com o que eu tinha juntado nos anos como redatora e nos mil freelas que eu já tinha feito. A sorte é que eu não precisei de investimento financeiro pra abrir esse novo negócio. Meu site foi totalmente feito por pessoas queridas, de graça. Não precisei investir em máquina, produto, curso, nada. Era só o meu tempo e a minha dedicação. Quer dizer, eu não estava ganhando muito, mas também não estava tendo muitos gastos.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Ilana Reznik: Eu sou uma pessoa que acredita no amor como filosofia de vida, como movimento, como parte fundamental de quem a gente deve ser. Não acredito em nenhuma revolução que não venha pelo amor. Como celebrante de casamentos, estou constantemente envolvida no tema, nessa atmosfera amorosa, sendo um canal de amor e afeto, conduzindo uma cerimônia que reflita a história e a identidade dos casais, num dia absolutamente feliz pra eles. Não gosto quando as pessoas fazem as coisas no automático, quando apenas reproduzem determinados comportamentos sem pensar se aquilo faz ou não sentido pra elas. Então, ajudo a criar uma cerimônia que realmente faça sentido. Inclusive, no processo de produção da cerimônia, faço alguns encontros com os casais e proponho reflexões sobre estar junto, sobre relacionar-se, sobre amor, família, casamento, pra que eles entrem inteiros nessa jornada - que é o casamento - conscientes dela. Uma vez eu li uma frase do Zygmunt Bauman que diz que amar é contribuir para o mundo. Gosto de fazer os casais pensarem em qual é a sua contribuição. E penso, diariamente, na minha.

Lella Sá: Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Ilana Reznik: Sinto que uma boa dica é olhar com carinho pra nossa própria linha do tempo. Se pensarmos em quem a gente queria ser quando crescesse, quando tínhamos 8 anos, teremos boas pistas do que nós fará felizes hoje. Devemos olhar com carinho pras nossas aptidões, pros nossos desejos e olhar com compaixão pros nossos medos e limitações. Está tudo na nossa linha do tempo, na nossa história. Pensando no meu caso: eu sempre gostei de escrever e, mais do que isso, de comover as pessoas com o que eu escrevia. Sempre vi a possibilidade criativa como um estímulo, eu não conseguiria trabalhar com algo que não demandasse criatividade. E sempre tive o amor e os relacionamentos (de qualquer natureza ) como objetos centrais das minhas reflexões e dos meus textos. Não faz sentido eu ser celebrante de casamentos? Acho que faz. Sinto que faz. O que mais não pode estar escondido (ou nem tão escondido assim) na nossa própria trajetória?

E confiar, sempre.

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida.

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

Leia outras entrevistas nesse link.

[Fiz a Travessia] Larguei o cargo de gerência de uma corporação para ajudar mulheres a se colocarem no mundo de forma integral

Nome: Luiza Carvalho Paterno Gadelha

Antes fazia: Gerente de Marketing Interior de São Paulo - Empresa Amil Saúde até Maio de 2013

Hoje faz: Cursos no Projeto Caminhada Reflexão e Arte ,  o principal objetivo dos cursos é ajudar as mulheres a se colocarem no mundo de forma integral e alinhar seus valores através do autoconhecimento e autodesenvolvimento utilizando conceitos da antroposofia.

Lella Sá - Por que você faz o que você faz? 

 

Luiza Gadelha -Sempre gostei de trabalhar com pessoas. Foram quase 20 anos organizando eventos de marketing para grandes marcas corporativas. Quando parei para pensar nessa longa trajetória, percebi que estava levando uma vida corrida onde trabalho, família, marido e duas filhas se confundiam. Comecei, então, uma caminhada em busca de profundidade nas relações e respeito aos ritmos naturais.

A responsabilidade que eu sentia por ter que educar minhas duas filhas me levou a começar uma grande jornada em busca de meu autoconhecimento. Enquanto pesquisava  uma boa escola para minhas filhas conheci a escola Waldorf e a Antroposofia, filosofia que respeita os ritmos de nosso, corpo, mente e alma. Comecei a me aprofundar nestes conceitos iniciando um caminho de grandes descobertas.

Aproveitei minha  licença maternidade para me aprofundar em antroposifia e fazer um curso biográfico, que  me ajudou a  olhar para a minha trajetória de vida, minhas conquistas, meus desafios e ter mais consciência de minhas habilidades, e perceber quais atitudes eu precisava desenvolver .

Depois do processo biográfico vi como é importante conhecermos nossa história com um olhar mais humano e nos apropriarmos de nossa vida. Entendi que precisava melhorar minhas  relações profissionais me formei como Consultora Interna e Líder Facilitadora na Adigo - Apoio ao Desenvolvimento de Indivíduos, Grupos e Organizações.

Hoje descobri que meu propósito é trabalhar com pessoas, principalmente mulheres com as quais eu possa compartilhar meu aprendizado para que cada uma delas possa transformar e fazer a diferença em sua própria vida.

Foi  através do autoconhecimento que encontrei um novo caminho para a minha vida. Por isso, acredito no poder da transformação. Quando temos  nosso propósito bem alinhado com nossos valores de vida, conseguimos conquistar a nossa prosperidade. 

Lella Sá - Como fez essa mudança?

Luiza Gadelha - A  ideia do projeto Caminhada Reflexão e Arte nasceu em 2009, quando comecei minha jornada para o autoconhecimento.  Entendi que eu adoro estar com pessoas e naquele tempo sentia uma enorme necessidade de compartilhar tudo o que eu estava aprendendo durante minha formação como facilitadora de processos. Foram mais 6 anos trabalhando no mercado formal,  sonhando e criando o meu futuro trabalho.

Percebi que muitas mulheres sentem necessidade de ter um tempo para se colocar  em primeiro lugar, parar,  respirar, olhar para própria  vida com calma,  ter um tempo para  avaliar suas escolhas e perceber o que realmente é importante.

Foi aí que começou a surgir a ideia do curso Florescer um curso só para mulheres para ajudá-las  a desenvolver o olhar interno e promover um encontro com sua essência.

A partir do momento que eu comecei a compartilhar e acreditar neste sonho, fui encontrando pessoas que me apoiaram e me deram força para continuar. E um dia na porta da escola de minha filha, conversando com a professora  dela a Mirella Maceiras que já havia se tornado uma grande amiga, encontrei minha atual sócia. Ela  também compartilhava o mesmo sonho,  fazer a diferença na vida das pessoas. Resolvemos juntas unir nossas forças e tornar este sonho  realidade.

No início de 2014 o Júlio, meu marido recebeu uma proposta inesperada para trabalhar no Paraná,  conversamos muito e juntos decidimos encarar este desafio  e  como já tinha vontade de ter um trabalho que estivesse alinhado com meus valores, aproveitei  este momento e o  transformei  em uma oportunidade  para fazer a transição em minha vida profissional.

Avisei meu diretor e em 3 meses preparei a minha saída  da empresa e em junho de 2014 me mudei  para o Paraná, caminhando em direção à uma nova  forma de viver  com mais qualidade e com condições de desenvolver meu novo trabalho.

Eu já tinha a ideia do curso estruturada, já tinha encontrado  uma sócia,  neste tempo de transição fiz meu  plano de negócios e coloquei uma data para o lançamento do curso, janeiro de 2015. Eu tinha 6 meses para transformar meu sonho em realidade. Como minha profissão era marketing investi  meus conhecimentos em meu próprio negócio, montei um planejamento e para  tirar o projeto do papel e mostrar para as pessoas que o projeto existia fui em busca de uma profissional para me ajudar a estruturar o site, blog e comunicação digital.

Encontrei a Mayara Castro,  uma profissional do Projeto Memória Seletiva que me ajudou a desenvolver uma estratégia para eu manter a presença digital do Caminhada Reflexão e Arte

Em janeiro de 2015 lancei o primeiro curso Florescer e atualmente estou na quarta edição do projeto.

Lella Sá - Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Luiza Gadelha - Um dos maiores desafios foi me desapegar das comodidades financeiras, de minha antiga vida, o que eu tinha era muito tempo livre, mas não tinha mais renda e nossa família estava dependendo exclusivamente da renda do meu marido. Foi um grande aprendizado, precisei ter humildade e aceitar o momento.

Resolvi então aproveitar o tempo livre para realmente curtir as minhas filhas que são ainda pequenas, cuidar de minha família que estava precisando de atenção por causa da mudança , preparar alimentos frescos e de qualidade para todos, fiz um galinheiro, uma horta e organizei meu tempo:

  • durante as manhãs cuidar da família, casa, galinheiro, horta; 
  • durante as  tardes, enquanto minhas filhas estavam  na escola, escrever e trabalhar para construir meu negócio. 

Outro desafio foi aprender a valorizar meu tempo, administrar minha rotina com foco e planejamento para não me perder

O que ganhei foi a sensação de realização pessoal e percebi  como nos tornamos produtivas quando fazemos o que amamos!

Lella Sá - Como ficou a questão da grana em meio a incerteza?

Luiza Gadelha - Foi uma decisão bem difícil no começo quando nos mudamos para o Paraná escolhemos uma vida mais simples, e abdicamos de todas as mordomias que antes tínhamos,  empregada, , faxineira, restaurantes, jantares, teatro, viagens, shows  entre outros.

No Paraná fiquei responsável por cuidar da casa, das crianças e do ritmo de nossa vida, não tínhamos amigos nem conhecidos na cidade. Com o passar do tempo, eu e o Júlio, nos fortalecemos como casal e a minha presença na casa e na vida de minhas filhas foi muito importante, aprendemos e compartilhar a responsabilidade do funcionamento da casa aumentamos os nossos laços nos tornamos muito unidos.

Atualmente já estou conseguindo colaborar com a renda familiar, vejo minhas filhas e o Julio mais atentos com a rotina da casa, cada um tem sua responsabilidade e obrigação na manutenção da ordem na casa. Continuo desfrutando de minha  liberdade e flexibilidade,  administro o meu próprio tempo e descobri o prazer de fazer o que eu gosto:  compartilhar meus aprendizados!

Lella Sá - Qual futuro você está ajudando a criar?

Luiza Gadelha - Quero construir um futuro que a colaboração e a troca sejam comuns a todos e que as mulheres se respeitem,  trabalhem e desfrutem  de um futuro com dignidade.

Quero continuar ajudar as mulheres a se colocarem no mundo de forma integral, dar um primeiro passo para o autoconhecimento, alinhar seus valores e encontrar suas prioridades de vida respeitando seus sonhos e desejos.

Lella Sá - Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Luiza Gadelha - Aqui vão as dicas:

  • Encontre algo que você faria sem precisar receber nada em troca;

  • Pense em o que você gostava de brincar ou fazer quando era criança, pode ser  uma boa dica do que te traz felicidade;

  • Quando encontrar o seu trabalho com significado: Invista em pessoas e profissionais que possam te orientar, te ajudar a manter o foco e melhorar seu desempenho;

  • Não desista na primeira dificuldade, vai encontrar muitas outras ao longo de sua trajetória.

  • Seja persistente só assim você irá construir algo verdadeiro;

  • Divirta-se !! Permita-se curtir alguns dias para fazer o que ama como viajar, encontrar os amigos  – aproveite o benefício de ser dono de seu tempo!

  • Compartilhe converse com outras pessoas, conte sua história!

 

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida. 

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça parte do Programa Travessia.

Leia outras entrevistas nesse link. 

ENTREGUE valor em tudo que faz.

Quando eu decidi seguir um caminho próprio, buscando desenvolver minha autonomia com autenticidade, sabia que não teria uma única resposta para criar essa jornada. Só saberia a trajetória depois de a ter feito. E isso é um tanto quanto desafiador.

O que me mantém viva, apesar do desafio de pisar no escuro, é estar em constante aprendizado. Se eu estiver sempre em movimento, ou seja, fazendo algo, eu aprendo. E é materializando que eu ajudo as pessoas a minha volta e entrego valor. É concretizando ideias que as pessoas enxergam a importância naquilo que fazemos.

Alguns dos meus aprendizados nessa jornada de experimentação foram:

1 - Invista mais tempo fazendo suas ideias acontecerem. Gastar tempo planejando e analisando é uma perda de energia vital. Fazendo é que descobrimos o que serve ou não.

2 - As circunstâncias mudam e nós também mudamos ao longo do percurso. Planejar o que deve ser feito para chegar lá é bom, para usar como guia, mas não escreva o planejamento em pedra.

3 - Alinhe a sua ação do presente com a sua visão do futuro, mas não se apegue a forma. O importante é chegar lá, no seu futuro desejável. A forma que isso se dará não importa. Não depende só de você e da sua movimentação, fatores externos influenciam muito no que você pode vir a fazer.

4 - Quanto mais você mostrar o que estiver fazendo, mais pessoas saberão o que você tem a oferecer. Quando maior a ciência das pessoas, mais possibilidades de transformar seus sonhos em realidade. Se abra para acontecer coisas que você não espera. Se exponha e compartilharo que está fazendo.

5 - Vai com vergonha mesmo. Comece a fazer e pare de analisar. "Sua ideia já é boa o suficiente para alguém” - como diz o meu grande amigo, Larusso. Tente. Se não der certo, você terá infinitas chances de dar. 

Então arrisque. Comece logo. Qual atividade você vai oferecer para seus amigos e colegas do facebook? Compartilha!