Fiz a Travessia

[Fiz a Travessia] Abandonei a publicidade e me encontrei na cerâmica

A entrevistada de hoje é a Sofia Oliveira, da série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

 

Nome: Sofia Oliveira

Idade: 28 anos

Antes fazia: formata em publicidade, trabalhava em agência

Agora faz: tenho minha marca de cerâmicas, a Olive

1. Por que você faz o que você faz hoje? 

Sinto que me encontrei na cerâmica, mesmo com todos os perrengues do empreendedorismo, noites mal dormidas, trabalhando mais ainda que em agência e mil preocupações, eu faço o que eu gosto e nada supera isso.

2. Por que você decidiu sair da onde estava? 

Eu trabalhava com publicidade e era mega infeliz. Tentei trabalhar em empresa, agência, mas sentia que não queria fazer aquilo pro resto da vida de jeito nenhum, não só por ser um mercado difícil mas também porque fiz a faculdade sem saber exatamente o que queria.

3. Como fez essa mudança?

Um dia simplesmente resolvi largar o trabalho, peguei uns freelas e comecei a pensar no que fazer a partir dali. Comecei a fazer um monte de cursos e, sem querer, me deparei com a cerâmica. Me apaixonei de cara. Não foi logo no primeiro momento que entendi que queria fazer isso pro resto da vida, mas aos poucos fui entendendo que era isso e curtindo muito o processo e a ideia de ter minha própria empresa fazendo o que gostava.

4. Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Acho que os maiores desafios eu ainda estou enfrentando. Ter sua própria empresa não é fácil, especialmente sendo a primeira vez, pra quem trabalhou pros outros a vida toda. Tudo é novo. Cada NF, cada burocracia, cada problema com o banco e fornecedores é um desafio. Já posso dizer que, depois de um ano e meio de empresa, muitas coisas já se tornaram mais fáceis pra mim, agora que lido com isso com certa frequência, mas não tenho dúvida que ainda vou me deparar com muitas outras situações complicadas no caminho. Tudo faz parte do processo de crescimento como pessoa e crescimento da empresa. 


5. Como ficou a questão de grana em meio a incerteza? 

No início o apoio dos meus pais foi fundamental, mas as coisas aconteceram mais rápido do que eu imaginava. Com a ajuda do Bruno, que faz a parte financeira da Olive, eu consegui organizar as contas e atingir um equilíbrio financeiro.


6. Qual necessidade do mundo você, através do trabalho, está ajudando a sanar? 

Acho que o trabalho manual, especialmente dos pequenos produtores, vem na contra mão da fast fashion e do consumo excessivo. 


7. Qual futuro você está ajudando a criar? 

Espero que a gente consiga se tornar uma sociedade do consumo consciente. O apoio de produtores locais é um ato que faz muito mais diferença que as pessoas se dão conta.

8. Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado? 

Eu sei que a oportunidade que eu tive que fazer o que faço também aconteceu por eu ser uma pessoa privilegiada. Não é qualquer pessoa que consegue largar tudo pra descobrir o que quer fazer da vida, tenho muita noção disso, mas acredito que a gente tenha que se abrir mais pro mundo e pra nós mesmos pra descobrirmos o que a gente gosta de fazer, ao invés de simplesmente seguir o que sociedade espera de nós.

> Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.

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[Fiz a Travessia] Larguei um ótimo emprego para viajar 380 dias e depois comecei a ajudar as pessoas a transformarem seu mundo.


Nome: Stela Anderson Romeiro

Idade: 28 anos
Antes fazia: Profissional de Marketing Analista Sênior de Produto na Categoria de Maquiagem.

Hoje faz: Facilitadora de Cursos na FazInova

Lella Sá - Por que você faz o que você faz hoje?

Stela Romeiro: Porque quero ajudar as pessoas a se transformarem e assim transformarem seus mundos. Viver melhor é algo possível e com a fórmula da vontade e com determinação conseguimos ressignificar inúmeras coisas. Facilitar este processo e estar próxima da jornada das pessoas que buscam melhorar é um privilégio.

Lella Sá - Por que você decidiu sair da onde estava?

Stela Romeiro: Minha vida começou a não fazer mais sentido. Estava perdida apesar super “encontrada”. Tinha todos os elementos pra teoricamente ser feliz mas simplesmente não estava. Me sentia presa, miserável, me perguntando se era isso mesmo que era viver. Como um rato na rodinha, era assim que me via no decorrer dos dias. Me lembro de me perguntar um dia “Então é isso? Viver é isso?”

Eu estava condenada a uma sentença de vida. Tinha tudo o que queria ter: um ótimo emprego, ótimo namorado, ótima saúde, ótima família, ótimos amigos e ótima aparência física. What else? All.

Lella Sá - Como fez essa mudança? Qual foi o processo que você passou?

Stela Romeiro: Foi um processo incrivelmente legal, cheio de dores, choros, alegrias e sentimentos que nunca pensei que pudesse ter.

Em Janeiro de 2013 voltei a fazer terapia. Em Maio terminei meu namoro de 6 anos, nós morávamos juntos. Em Setembro pedi demissão. Em 07 de dezembro parti pra América Central, iniciar meu Ano Sabático.

Foram 380 dias de infinitas descobertas. Queria viver tudo o que sonhava mas não tinha coragem de fazer. Ser um personagem do canal off, abraçar as pessoas aleatoriamente, ser cool e amorosa ao mesmo tempo, ser meio louca, me vestir de maneira horrível, não usar maquiagem, ser a versão mais feia que pudesse ser de mim mesma e agir bem com isso, estar rodeada de pessoas que antes me intimidariam por serem modernas demais e me sentir parte delas ou até mais a frente que elas, aprender mais 1 língua, ficar sem fazer ABSOLUTAMENTE nada por dias e dias, aceitar o meu corpo, fazer meditação, yoga e massagem, comer o que quisesse na hora que quisesse, conversar com estranhos, pegar carona na beira da entrada, estar desarrumada e descabelada entre MUITAS outras coisas.

Passei 3 meses no Panamá, 1 na Costa Rica, 3 na Nicarágua, 2,5 na Europa, 1 na Rússia e 1 em um Mosteiro no Nepal.

Nesse link dá pra saber um pouco mais sobre as experiências

Lella Sá - Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Stela Romeiro: Parece ser fácil e/ou muito legal fazer tudo isso que citei, mas são desafios ENORMES! Quando queremos mudar um padrão habitual do nosso comportamento, precisamos transformar uma série de preconceitos em novos conceitos e ir aplicando aos pouquinhos cada um destes testes. Não é do dia pra noite que essas mudanças acontecem. Ficamos inseguros, perdemos o chão. Nossa crença anterior, apesar de não ser mais desejada, era o que nos constituía. Deixar de ter pra construir uma nova é como estar agarrado em um tronco no meio de uma corredeira d’ água e decidir nadar pra pegar outro. Nesse meio tempo nos sentimos perdidos, com medo. Perde-se a referencia. E nesse ano me forcei (no ótimo sentido) a buscar muitos e muitos outros “troncos”. Na maioria dos casos posso dizer que agarrei em um melhor. Mas em outros fui e voltei ou me perdi pelo caminho, chegando a me afogar e perder o ar por alguns minutos. Mas sobrevivi!

Lella Sá - Como ficou a questão de grana em meio a incerteza? 

Stela Romeiro: Felizmente sempre economizei dinheiro. Quando saí do meu emprego tinha uma boa poupança pois planejava comprar um apartamento com meu namorado. Eram 70 mil reais. Como sou jovem e não tenho filhos, decidi usar a grana pra fazer a viagem. E acabei gastando apenas 40 mil, valor do carro que vendi antes de partir.

No meio do caminho decidi não pensar sobre grana no sentido futuro de quando eu voltasse da viagem. Isso só ia fazer com que não estivesse presente e fosse totalmente uma vã pré-ocupação.

Durante a viagem pensava na grana  mas não fiquei neurótica. Como a maior parte do tempo estive na América Central (muito barato), pude viver com $20 ao dia e assim sabia que gastaria menos do que o planejado. Então consegui curtir tranquila a viagem.

Já quando eu voltei, pensei em grana, claro. Ainda tinha o suficiente pra viajar de novo se quisesse ou pra ficar aqui em SP sem trabalhar por 1 ano. Isso foi bom, porque me deu tempo de readaptar tranquilamente e procurar trabalho sem desespero.

Mesmo porque eu queria algo com significado, que fizesse parte de mim e que não fosse apenas “trabalho”.

Lella Sá - Qual futuro você está ajudando a criar?

Stela Romeiro: Poxa, espero que um futuro onde as pessoas sejam mais gentis consigo e assim com os outros. Um futuro de respeito aos ritmos e vontades de cada um pois é com a diversidade que enriquecemos de verdade. Um futuro de silêncio seguido de conversar. De play e pause. De vibração e calma. De cuidado e amor.

Amo conversar e tentar ajudar as pessoas. Como minha jornada de autoconhecimento foi muito profunda e intensa, além de autodidata, dar conselhos se tornou uma coisa muito natural e que faço com enorme prazer. Saber que isso pode ser a principal ferramenta de meu trabalho é ainda um sonho com um começo de realização recente. Quero continuar “trabalhando” pra que o melhor aconteça.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Stela Romeiro: Pode parecer clichê, mas é clichê por alguma razão: Ouça seu coração. Sei que você abafa ele muitas vezes por diversos motivos, todos importantes. Mas aquela voz que não se deixa calar e fala baixinho com você na madrugada ou antes de dormir, é sábia e é sua amiga. Ouça, converse com ela. Veja que concessões está disposto a fazer. Se sentir que tem que ser rápido, faça. Se tiver que ser devagar, de tempo ao tempo. Respeitar o processo é fundamental. Não se cobre demais. Dificilmente seremos 100% em todos os aspectos da nossa vida. Somos seres limitados, não tem jeito. Punir-se pelos 40 ou 60% não leva a muita coisa. Vale analisar as prioridades e tentar pouco a pouco mudar o que você acha que te fará sentir melhor. Pequenas conquistas de pequenos grandes desafios nos fazem sentir em movimento e geram confiança. Seja gentil consigo e dê a mão pra você. Seja seu melhor amigo. Queira o seu bem. Respeite-se. <3

Para saber mais curta a minha página no facebook ou fale comigo por email.
 

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida.

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[Fiz a Travessia] Saí da área de sustentabilidade do Itaú para criar uma PELADA para a mulherada

 

Nome: Julia Vergueiro

Antes fazia:  área de Sustentabilidade do Itaú (onde fui trainee e depois analista)

Hoje faz: Sócia diretora do Pelado Real Futebol & Arte

 

Lella Sá: Por que você faz o que você faz?

Julia Vergueiro: Não só me satisfaz como pessoa e profissional, como contribui direta e indiretamente, de forma positiva, na vida de outras pessoas.

 

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Julia Vergueiro: Eu sempre fui apaixonada por futebol e sempre tive muita clareza dos benefícios que esse esporte tinha trazido pra minha vida pessoal e também pra minha carreira. Queria que muitas outras mulheres tivessem essa experiência, mas não sabia como. Quando descobri que existia um caminho, não precisei pensar muito. Sabia que seria um desafio, mas até hoje tenho certeza que valeu a pena.

 

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Julia Vergueiro: No começo são os mesmos desafios de qualquer grande mudança na vida, pois não é fácil mesmo sair da zona de conforto, do lugar comum. Muda a rotina, mudam os relacionamentos, mudam os desafios. Depois que essa fase passa, tem as complicações diárias de qualquer negócio, que quando a gente é funcionário não costuma enxergar, mas é gratificante ver que, conforme você se movimenta, as coisas acontecem. Depende muito mais de você.

 

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Julia Vergueiro: É um modelo diferente de receita. Como disse, depende mais de você, não tem aquele conforto de, independente do quanto você trabalha naquele mês, o salário vai pingar igual. Mas eu acho isso bem mais motivante, só que precisa de paciência pra entender que é um novo processo, às vezes lento, até a coisa engatar de vez e você começar a tirar tudo o que gostaria em termos financeiros.

 

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Julia Vergueiro: Estou ajudando a formar mulheres mais empoderadas e confiantes e uma sociedade mais justa, igual, tolerante e segura pra todo mundo.

 

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Julia Vergueiro: Vá e faça. Quando você quer fazer acontecer, acontece. Não é uma questão de "dom", é uma questão de coragem e vontade.

 

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Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida.

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[Fiz a Travessia] Saí da indústria farmacêutica para ajudar a empoderar as pessoas

Nome: Giselle da Silva Cabral
Antes fazia: Gerente de Vendas na Indústria Farmacêutica, até  começo de 2014
Hoje faz: Consultora de Estilo e Imagem Pessoal/Persona Stylist

Lella Sá: Por que você faz o que você faz?

Giselle Cabral: E se eu te falar que aconteceu? Sempre fui muito curiosa. Todo começo de ano separo um budget pra fazer um curso novo e conhecer gente. Como 99% do público pro qual eu trabalhava era feminino, fazer um curso onde teria maior habilidade em unir informação e ainda poder usar isso como uma ferramenta para ajudar a empoderar as pessoas, me deixou super animada!
 

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Giselle Cabral: A mudança aconteceu naturalmente. não tinha previsto trabalhar fora da indústria farmacêutica tão rápido, até porque a minha fase profissional era ascendente. Pra mim era só mais um curso que eu estava fazendo. Mas eu fui demitida. Nesse meio tempo eu estava fazendo um "estágio" como personal stylist. Foi nessa época que a até então colega de curso (Andrea) me convidou pra trabalharmos como parceiras. Cheguei em casa, conversei com o Otávio, meu marido, e senti que era a hora de tentar.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Giselle Cabral: O maior de todos os desafios foi a mente. Se você não coloca a mente em ordem, ela joga contra!  Abrir mão dos benefícios da indústria farmacêutica com a incerteza de estar ingressando num mercado novo e a falta de dinheiro foram as maiores sombras.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Giselle Cabral: Como disse anteriormente, eu não havia me preparado, tive um desfalque três meses antes do esperado, mas também tive meu marido ao meu lado, sempre parceiro, que deu todo o suporte (financeiro e  psicológico). Se tem uma coisa que eu tenho a dizer pra ele, é o quanto eu sou grata!

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Giselle Cabral: Meu desejo é que todas as mulheres percebam o quanto elas são únicas e que estamos todas conectadas. Não precisamos ser tão críticas com nós mesmas e com as outras mulheres. Podemos aceitar quem somos e temos que aprender a nos conectarmos com a nossa autoestima e com o nosso eu, por que pra mim, esse é o estado de felicidade.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Giselle Cabral: A minha inquietude sempre fez com que eu me questionasse colocando meus valores em pauta. Meu pensamento sempre foi o de olhar pra daqui 20 anos e perceber se o que eu estava fazendo hoje fazia sentido e se de alguma forma estava criando uma marca positiva nas pessoas ao meu redor, por que pra mim essa marca retorna pra nós como um desatador de nós de algo que não ficou tão claro na nossa caminhada. Eu acredito em formas de autoconhecimento, sejam elas terapia, coaching, curso de teatro, individual ou em grupo.

 

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no Trabalho e na Vida.

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[Fiz a Travessia] Saí de Agência Digital para encorajar empreendedores a criarem sua reputação no mundo online

Tenho percebido que as pessoas que trabalham na área de comunicação são as que mais me procuram para ajudar no processo de transição para criar um trabalho com mais significado.

Por isso que hoje, a entrevistada é a Mayara Castro, jornalista e grande parceira no Radar, um programa que cocriamos junto com o Diego Mouro. O Radar é um processo para empreender a própria vida com autenticidade e autonomia através do autoconhecimento, posicionamento e expressão. 

Ela  ressignificou o papel da comunicação na sua vida e também o papel da comunicação digital na vida das pessoas. Aprendi com ela como me posicionar para expor o que acredito e valorizo. Como está dando certo (e estou feliz da vida por isso), decidi compartilhar a história de como ela fez a sua transição. 

Nome: Mayara Castro

Antes fazia: Coordenava o núcleo de comunicação online de agência digital  

Hoje faz: Encoraja pequenos empreendedores a criar sua reputação no mundo online de forma independente, estuda locução e se dedica integralmente ao exercício de empreender a com autonomia e liberdade. 

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Mayara Castro: Autonomia nunca foi uma palavra estranha pra mim.

Em meus ambientes de trabalho, sempre tive espaço para ousar. Sorte a minha, meus chefes sempre me deram liberdade para criar e responder pelas minhas criações. Mas, o que sempre chamou atenção deles não era exatamente as minhas ideias, mas a facilidade que eu tinha de me expor a diferentes situações e a praticidade de tirar as ideias do papel e fazer o que precisava ser feito.

Meu pai, também autônomo, sempre me ensinou que liberdade se conquista com responsabilidade. Essa é, até hoje, a sua única e poderosa lição de moral.

Em janeiro de 2014, depois de dois anos representando uma empresa, resolvi abrir as asas para uma nova realidade: empreender com o objetivo de ser reconhecida por quem sou e não pelo o que faço e oferecer o que eu tenho de mais valioso a pessoas que não só precisam de mim, mas vice-versa.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

 

Mayara Castro: Tinha clareza de que não queria ser um robô que produz conteúdos, como eu fazia antes. Queria mais.

Mais tempo livre que me permitisse estar conectada a mais pessoas.

Mais autonomia para fazer escolhas assertivas.

Mais liberdade para oferecer caminhos alternativos para quem precisa do meu trabalho e assim, ter mais tempo para cuidar do que é meu.  

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Mayara Castro: Sou uma pessoa curiosa e ativa, por isso, sempre estive ao lado de pessoas muito diferentes entre si. Gosto disso. Mas, "como estar envolvida verdadeiramente com vários projetos ao mesmo tempo?" era a pergunta que não queria calar.

Pouco a pouco, após algumas sessões de coaching com a Lella, entendi que podia oferecer meu trabalho da mesma forma que fazia antes, mas mudando o formato.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Mayara Castro:  Na estaca zero, tive que criar metodologias, plano de negócio, formas diferentes de oferecer meus serviços, estratégia de divulgação. Ou seja: colocar a mão na massa.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Mayara Castro: Tive que contar com ajuda da família e amigos, apoio moral e financeiro. Mas, dia após dia, fui sentindo o efeito do meu trabalho. E junto com ele, as regalias de ser autônoma.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Mayara Castro: A trabalhar em casa ou, tão bom quanto, em cafés pela cidade.

 

A oferecer atendimentos com o sorriso sempre estampado no rosto.

A criar em horários improváveis, sem restrições.

A sentir prazer com o novo.

A criar relações melhores.

A pegar menos trânsito.

A cozinhar.

A praticar esportes.

A dormir melhor.

etc.

Hoje, não tenho dúvidas que essa foi a melhor escolha que fiz.

Meu objetivo é ajudar as pessoas a se comunicar melhor.

Quem quiser conhecer melhor o que eu faço, pode acessar o site www.arayam.com (mayara ao contrário) ou www.radar.wtf e também participar do workshop "Fortalecendo sua identidade digital" em São Paulo no dia 8/10. 

Já falei e repito: a melhor forma de te ajudar a expressar o que importa é oferecendo autonomia para que você arregace as mangas e se empenhe em buscar o seu lugar ao sol. Desenvolver autonomia significa: mergulhar fundo em sua identidade para resgatar tudo o que você precisa para se expressar com verdade. Resumindo: praticar o exercício de ser você mesmo te ajuda a chegar lá.

E vou dizer: no final, é muito gratificante ver gente que a gente admira sendo admirado por cada vez mais pessoas e recebendo todo o mérito por essa conquista!

Lella Sá: Que dica(s) você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Mayara Castro:

  • Clareza da sua necessidade atual

  • Coragem para sair do automático

  • Confiança em suas habilidades e talentos

  • Humildade para enxergar que os erros são oportunidades de crescimento

  • Relações transparentes com clientes, parceiros e amigos

  • Pessoas com quem você possa contar, seja para pedir apoio moral ou crítica construtiva

  • Clareza de que você não está fazendo bem só a si mesmo

  • Consciência de que a transformação é uma constante

[Fiz a Travessia] Preferi empreender do que trabalhar numa corporação

Nome: Laíssa Cortez Moura

Antes fazia: Coordenadora de Atendimento/ Trainee

Hoje faz: Empreende a Vekante Educação e Cultura

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje? 

Laíssa Cortez Moura: Sempre tive muita vontade, em fazer um trabalho que ajudasse as pessoas. Desde pequena participo de uma ONG (CISV), e ver a transformação nas pessoas sempre me fascinou. Acabei descobrindo que a educação é minha grande paixão. Foi então que no começo de 2015, conheci meu sócio. Apaixonado por educação, cultura, percebemos que tínhamos muitas vontades em comum. E foi então que decidimos abrir a Vekante Educação e Cultura, que em Esperanto significa, acordar, despertar. E é isso que queremos. Que as pessoas despertem pro mundo e que vejam possibilidades.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Laíssa Cortez Moura: Nos últimos três anos, minha vida mudou muito. Logo que saí da faculdade, resolvi que queria ser Trainee, pelo desenvolvimento oferecido, por poder conhecer uma empresa do "começo ao fim" e ter um salário interessante. Foi então que entrei no Trainee das Lojas Riachuelo. Foi uma experiência INCRÍVEL! Tive ótimos treinadores, minha gerente foi uma super professora. Os colaboradores me ensinaram muito. Mas percebi que ficar dentro de um "escritório" 6 dias da semana, na média de 12 horas por dia, não era para mim. Sentia que precisava aprender mais, viver mais, ter experiências reais com várias pessoas. E foi então que resolvi sair, sem ter nada em mente. Na época, estava fazendo um curso de Inovação, na então nova startup da Bel Pesce, FazINOVA. Foi um curso muito legal, conheci pessoas que me abriram os olhos, "validaram" a minha saída do trainee. E percebi que realmente o mundo tinha muito mais a me oferecer. Ao final do curso, eu e a Bel, tínhamos uma relação muito boa. E acabei sendo contratada, para ser a primeira funcionária. Fiquei muito energizada! Ter a oportunidade, de ajudar a criar uma empresa do zero, montar equipe, aprender com talentos de diversos lugares, desenhar produtos, experiências, planejar viagens. Aprendi demais! Amava meu trabalho. Mas tinha uma certa pulguinha atrás da orelha. O lado social, transformador, sempre me chamava. A cada oportunidade estava no CISV, ajudando em alguma ação. Foi então que percebi, que apesar de estar em um lugar incrível, ainda me faltava a transformação real. Com algumas mudanças e a empresa bem mais sólida, acabei saindo.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Laíssa Cortez Moura: No começo foi bem difícil. Estava certa do que queria. Mas ouvi muitos questionamentos. Como alguém tem um trainee nas mãos e abandona? Como pode ter um super salário e ir trabalhar em uma startup? Como assim você saiu sem ter nada em mente? Muitas vezes me peguei pensando, se tudo que fiz valia a pena. Em meio a essa confusão! Percebi que a minha paixão era o que fazia na ONG. No começo foi difícil aceitar que era educação. Crescemos ouvindo que professor, não é valorizado, que ganha mal, e etc. Mesmo tendo excelentes exemplos de professores, não vou mentir que bateu o medo. Para onde é que vou parar na educação. Minha familia, me ajudou MUITO! Me apoiaram e sempre torceram para as minhas conquistas.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Laíssa Cortez Moura: Acredito que a mais difícil foi o fator dinheiro. Consegui me sustentar por um bom tempo depois da faculdade. Mas me vi tendo que pedir ajuda e arrego novamente aos meus pais. E as vezes o orgulho bate nessas horas. E os questionamentos chegam, SERÁ? Será que fiz certo?

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Laíssa Cortez Moura: Como comentei acima, a questão da grana sempre pegou. Na verdade ainda pega. Não tem como ganhar o que eu ganhava, ainda, com a nova empresa! Mas a vontade de trabalhar é muito maior. Quando você faz um projeto e vê o poder de transformação que ele tem, é uma sensação indescritível. Estou no meu momento de plantar. Estou plantando muito! Cada escolha, tem suas consequências. Mas mesmo assim, não me arrependo de nada que fiz.

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Laíssa Cortez Moura: Sei que dizer que o futuro vem com a educação é clichê. Mas hoje consigo ver, quantas pessoas estão realmente trabalhando para que tenhamos uma educação melhor. Que o sistema mude, que comecem a ver a criança e o adolescente como ele é. Estamos em alta com a "Pátria Educadora", com os olhares em cima de sistemas mundiais, como a Finlândia, entendendo e conhecendo estudos sobre competências sócio emocionais. E sei, que será um processo longo de mudanças, não chegamos onde estamos ontem. Foi um processo muito longo. E demanda um tempo para que as ideias de hoje, escalem. Mas quero uma escola, uma educação. Onde as crianças possam ser crianças, tenham tempo para brincar e entender o quão importante é, para o desenvolvimento. Ter adolescentes menos ansiosos e mais seguros, que a aquela grande decisão, não será a única na sua vida. Entender que o erro, faz parte do processo. E estamos nesse mundo, para cumprir nossa missão. Mas essa missão, não é só uma. São várias, que vamos descobrir ao longo do caminho.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Laíssa Cortez Moura: Se escute! O corpo e a mente, sempre dão sinais de que algo não vai bem. Se você não tem mais entusiasmo pelo seu trabalho, se começar a adoecer, se não tem mais aquele orgulho de dizer para os outros o que faz. Pare! Pense! Descubra dentro dos seus hobbies suas paixões. Entenda que se você faz aquilo como voluntário, aos finais de semana ou tem o maior prazer em ajudar alguém. Isso tudo pode virar um ofício.

Essa é uma entrevista do Projeto "Fiz a Travessia", uma série de entrevistas para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

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